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No próximo domingo, dia 27, realizam-se
no território brasileiro as eleições que visam a escolher os
representantes do Brasil no Conselho das Comunidades Portuguesas.
Como tive a honra de ter sido o primeiro presidente a nível
mundial desse importante órgão de representação dos portugueses
residentes no estrangeiro, cabe-me a obrigação de me manifestar
sobre essa eleição e sobre a situação do referido órgão.
Desde que foi criado, em 1996, tendo sido eleito em 1997, o
Conselho das Comunidades Portuguesas vem se defrontando com a
falta de habilidade e responsabilidade governamentais para dar o
devido e adequado tratamento aos interesses dessa importante
parcela da população portuguesa. Deve-se recordar que, ao tomar
posse o primeiro Conselho em 1997, ficamos surpreendidos com a
declaração do então Secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas de que não haviam sido previstos recursos financeiros
para o seu funcionamento, inviabilizando a sua actuação no
referido ano, sendo somente possível começar a funcionar em
Fevereiro de 2008, quando os primeiros recursos foram
disponibilizados. Tal inabilidade e falta de previsão têm ficado
patentes nos governos que foram se sucedendo, mas devemos estar
sempre esperançosos de que algum dia o ! devido reconhecimento
acabará por vir e o voto livre, democrático e por sufrágio
universal acabam por nos fazer crer que essa data não tardará, o
que deverá nos estimular ao comparecimento às urnas para escolha
dos nossos representantes.
As eleições nos demais países ocorreu no
passado domingo, dia 20, e no Brasil ocorrerão neste domingo, dia
27. Tal adiamento deve-se ao facto de que tivemos nesta
segunda-feira, dia 21, um feriado nacional e se as eleições fossem
mantidas para aquela data, certamente o número de comparecimento
às urnas seria bem menor. Ainda bem que temos um Embaixador com
mentalidade aberta e sempre activo e disposto a fazer o melhor e,
quando o alertei das dificuldades presenciais que ocorreriam com a
manutenção da votação no dia 20, ele imediatamente promoveu o
adiamento. Ao agradecermos ao Sr. Embaixador Francisco Seixas da
Costa, deveríamos cantar a famosa letra da canção de Dolores
Duran, "se todos fossem iguais a você...". Parabéns pela medida,
Sr. Embaixador.
A comunidade portuguesa do Brasil,
juntamente com a da França será a mais penalizada com a aplicação
da nova legislação ora aprovada, tendo o seu número de
representantes bastante reduzida. A nova lei que impôs algumas
medidas bastante adequadas e outras, a meu ver, muito equivocadas,
mas a sua exercitação será a melhor prova da validade das mesmas.
Mas não estamos no momento adequado de as discutir. A nova
legislação está em vigor, foi aprovada pela Assembleia da
República e sancionada pelo Presidente da República. Resta-nos,
como cidadãos, o dever de cumpri-la, e discordando de seus termos,
promover posteriormente uma campanha junto aos nossos
representantes políticos e junto ao novo CCP, visando o seu
aperfeiçoamento. Neste momento devemos fazer cumprir o que está
estipulado e votar nas pessoas mais capacitadas e promover essa
mudança. ! Não existe legislação perfeita e o seu constante
aperfeiçoamento e atualização são procedimentos desejáveis, que
devemos exigir no momento oportuno. Vote e fale com seus
familiares e amigos, incentivando-os também a fazê-lo e a se
integrararem na busca de dias melhores para a emigração
portuguesa.
Algumas pessoas, até justamente
indignadas com a política adoptada para a nossa emigração estão
fazendo campanha pela ausência dos emigrantes portugueses e dos
luso-descendentes ao processo eleitoral, atitude com a qual não
posso concordar pois é como se alguém contrariado com a forma como
corre a sua vida resolvesse se suicidar. O Conselho das
Comunidades Portuguesas, apesar de não ter encontrado por parte
das autoridades governamentais o respaldo e o respeito que deveria
merecer, ainda é o único órgão que pode transmitir aos governantes
os anseios e os problemas que mais angustiam os emigrantes e
devemos prestigiá-lo, elegendo para a sua constituição pessoas com
real capacitação para que possam ser válidos interlocutores junto
ao Governo, fazendo-se respeitar e promovendo a dignificação que a
emigração portuguesa merece. Não é! se abstendo de votar que o
emigrante conseguirá ser respeitado e obter quaisquer benesses
sociais do Estado Português.
Caro companheiro da emigração! Neste
próximo domingo compareça ao consulado da sua jurisdição e vote
naqueles que poderão, de facto, defender seus interesses, naqueles
que saberão promover a elaboração de medidas legislativas que
alterem a situação do emigrante, dotando-o de responsabilidade
política, cívica e social. Não se deixe levar pelo desânimo diante
das dificuldades que encontra no seu quotidiano. Reaja e lute
pelos seus direitos e pela sua integração e de seus descendentes
no Estado Português. A nação saberá, um dia, reconhecer esse
esforço.
Eduardo Artur Neves
Moreira
Ex-Presidente do Conselho Permanente
das Comunidades Portuguesas, Diretor de Assuntos Parlamentares do Unafisco Sindical - Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da
Receita Federal do Brasil.
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