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O sonho de Tipo, duma Jugoslávia
inter-cultural, morreu com ele em 1980. O desmoronamento da
sociedade jugoslava testemunha a decadência da intercultura em
favor duma multi-cultura hermética conquistada na afirmação contra
o vizinho. Isto é a consequência duma certa fraqueza democrática
em que colonialismo cultural é aceite em compensação dum
colonialismo económico. Se no passado o movimento civilizador se
dava pela aliança de razões económicas e culturais, depois do ruir
do sistema socialista, assiste-se a um colonialismo dissociado:
por um lado a força colonizadora do capital através duma expansão
económica desalmada (o ocidente está-se marimbando para a sua
cultura) e pelo outro a força colonizadora da cultura através do
Islão. Se é verdade que a economia determina os valores éticos à
superfície, não deixa de ser menos verdade que a religião e a
cultura é que lhe dão sonho e perspectiva.
A queda do império soviético com os
consequentes estilhaços culturais conduziu o bloco livre à ilusão
da fuga na espiritualização do capital que, para melhor medrar,
vive dum relativismo cultural extremamente doentio e problemático
para o seu futuro. Se o comunismo não triunfa deve-o ao facto de
desconhecer o ser religioso. O mesmo erro faz o sistema
político-económico actual ao procurar substituir também ele a
religião por uma ‘espiritualização’ do capital sem o homem.
A desorientação russa facilitou um agir
apressado ao Ocidente em relação à antiga Jugoslávia. Actualmente
encontramo-nos com o problema da independência do Kosovo, movida
por interesses imediatos. No Kosovo, a antigo berço cultural da
Sérvia, vence a etnia muçulmana, restando-lhe 100.000 sérvios com
a desconfiança no coração desde que aquela etnia lhe incendiou
igrejas e casas. À culpa daqueles junta-se a destes. Para
complicar, à minoria sérvia no Kosovo correspondem minorias
muçulmanas na Sérvia. Talvez a riqueza procriadora duma etnia
sobre a outra venha um dia a resolver os problemas que criou!
A factura económica pagá-la-á a União
Europeia por dezenas de anos senão por mais; a outra não se pode
quantificar. O Kosovo vive desde há 9 anos do apoio internacional
porque não tem economia viável. Tem uma população de dois milhões
com um desemprego de mais de 40%. A falta de infra-estruturas, a
corrupção e a dependência da Sérvia deixam prever a europaização
dos seus problemas.
Atendendo às tenções étnicas, a presença
militar internacional terá de se manter por mais de 15 anos. Se
não se der uma liberalização do Islão aí praticado, certamente
que, a longo prazo, o Kosovo se unirá à Albânia.
A União Europeia envia para lá 1.500
polícias e 300 juízes com a finalidade de instruírem os autóctones
nas andanças de direito democrático. A independência continuará
sob a tutela internacional e com a presença de 17.00 soldados da
NATO. Dentro de 4 meses está previsto passar o Poder executivo da
Administração da UNO para o governo do Kosovo. A Europa tem
soldados por todo o lado, na “defesa dos seus interesses
nacionais” em “missões de paz”. Se assim é, porque não destina
Portugal os seus homens e o seu dinheiro ao apoio dos estados de
língua portuguesa? “A minha pátria é a língua portuguesa e o seu
povo é migrante.
Embora a proclamação da independência
viole direito internacional, já a imprensa de países como
Alemanha, Franca, Itália, Inglaterra estimulavam, desde há muito,
o Kosovo a proclamar a sua independência. Ao contrário, a Espanha,
Grécia, Roménia, Chipre, com problemas em casa, sujaram a imagem
da EU dos grandes, não reconhecendo a independência. A Sérvia e a
Rússia não a reconhecem nem aceitam o Kosovo em organizações
internacionais.
A balcanização da Europa já encontra
agora os seus pontos de apoio nos guetos muçulmanos instalados nos
países europeus de imigração, tal como podíamos observar na
Alemanha já no princípio dos anos 90, com a recolha de dinheiros
nas mesquitas para apoio da revolta muçulmana.
Se observamos a História, as revoluções
não passam dum render da guarda duma elite rotativa assente no
substrato duma continuidade de oprimidos. Revoluções, até agora, à
margem de melhoramentos superficiais, apenas confirmam o direito
dos mais fortes na confirmação e transmissão do status quo duma
tradição de transmitir um estado de injustiça para outro estado de
injustiça mais ou menos oportuno. O Direito internacional e a lei
moral é válida para os distraídos e para os fracos. A
independência do Kosovo islamizado encontra-se na linha de serviço
a interesses políticos do Poder europeu e americano mas não do
povo. Há que aproveitar da fraqueza da Rússia sem contabilizar a
hipoteca do futuro. Esquece-se que também os Orais falam da
Europa.
Na altura duma Europa sem tino nem
destino, as elites apenas se preocupam em estar sem ser. Faz-se
política sem nós e contra nós, capitula-se em nome duma paz
aparente. O futuro da cultura cada vez se encontra mais nas mãos
dos “assassinos” que o determinarão!
Seguem-se as mudanças sem as reflectir
sacrificando-se assim a cultura europeia antes de se a ter
descoberto. O povo europeu, comprado com benesses e necessidades
artificiais, deixa violar a sua alma ao som da melodia maviosa da
multi-cultura apregoada para o povo mas reprovada na antiga
Jugoslávia. A plebe não se dá conta do que acontece em nome da
Europa. No mundo da superficialidade, a verdade dos fortes é
sempre a verdade razoável e oportuna! A verdade, porém, como o
povo, é processo aberto pressupondo, por isso, uma mundivisão
integral e integrativa.
António da Cunha
Duarte Justo
Da Alemanha
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