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Meus
amigos, leitores, em referência à Efeméride dos 200 Anos da
Chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, primeiramente, não
tenho como ser sintético já que as circunstâncias me obrigam a ser
um tanto prolixo principalmente no que se refere ao primeiro
evento, ocorrido na última 5ª feira, dia 6, pelas 21h30,
exatamente no monumental Teatro Municipal onde, sob convite,
presumo que tenham estado cerca de 1.500 pessoas que tiveram o
privilégio de assistir à atuação da magnífica Teresa Salgueiro,
tida atualmente como uma das maiores interpretes da música
portuguesa, em concerto intitulado de “VOCÊ E EU” acompanhada pelo
Septeto João Cristal, uma banda brasileira, com arranjos e direção
musical do próprio João Cristal, ao piano, interpretando
músicas onde prevalecia a autoria de Tom Jobim, Vinícius
de Moraes e Dorival Caymmi, entre outros grandes
autores da música brasileira. ... As músicas?! ... “Chovendo na
Roseira”, “Você e Eu”, “Maracangalha”, entre outras. ... Pois é!
Ora, ora,
ora! ... Música brasileira?! ... Valha-nos Deus!!! ... Nós a
ouvimos, aliás prazerosamente, todos os dias até porque, além da
inegável boa qualidade da mesma, estamos residindo no Brasil.
Convenhamos que, em regra geral aconteceu uma grande frustração
já que a expectativa era assistir a um belíssimo show de música
portuguesa, haja vista a altíssima qualificação da intérprete e a
raríssima oportunidade de, através da música, mitigar saudades da
“Santa Terrinha”. Porém, para surpresa de todos – ou quase –
lamentavelmente, não foi isso o que aconteceu. Aconteceu sim um
belíssimo show onde essa nossa querida compatriota, que tanto nos
orgulha, interpretou música brasileira e, o mais curioso, no mais
puro sotaque brasileiro, excetuando uma canção galaico-portuguesa
e uma açoriana sendo que a primeira destas foi interpretada com
letra “galega”. Isto com a presença do representante maior da
Nação Portuguesa, na pessoa do Presidente da República, Cavaco
Silva, acompanhado da sua esposa, além da sua comitiva e
autoridades locais.
Atente-se
que, aliadas à minha opinião, ao final do espetáculo, observei a
manifestação de diversas pessoas, profundamente desapontadas,
comentando entre si, lamentando a ausência da desejada e esperada
música portuguesa. E, para cúmulo, o mais reprovável é o fato de a
Teresa Salgueiro fazer a sua atuação pautando-se e,
sobretudo, empenhando-se na expressão em sotaque brasileiro.
Porquê isso? Será que ela apenas fez questão de demonstrar o
domínio do sotaque brasileiro? Se assim foi essa é mais uma
agravante. Aliás, parece que o seu intuito é fazer uma turnê com
esse septeto brasileiro, mas isso não justifica que nos tenha sido
impingido esse repertório. Afinal de contas, os artistas
brasileiros sempre interpretam o seu repertório, inclusive quando
se apresentam em Portugal, não se preocupando sequer em tentar
imitar o sotaque português até porque, por muito que se
esforçassem, não teriam competência para o fazer. Já a nossa
conterrânea acabou surpreendendo pela sua capacidade em ter
assimilado facilmente o sotaque brasileiro, justiça lhe seja
feita. Entretanto, não era isso que a plateia esperava dela e, por
isso mesmo, acabou por se tornar um tanto sui generis,
apenas pelo imprevisto. Aliás, note-se que, na verdade,
geralmente, os portugueses natos conseguem, sem muito esforço,
assimilar o sotaque brasileiro, enquanto que os brasileiros natos,
salvo em raríssimas exceções (se elas existem), jamais conseguem
assimilar o sotaque português, mesmo vivendo por muitos anos em
Portugal, até porque não fazem questão de se esforçar para tal. E
isso, em parte, se deve ao fato de eles lá não sofrerem
discriminação por causa disso. Já aqui ...
Afinal, a
Teresa perdeu a grande oportunidade de nos presentear com a
interpretação da música que representa a nossa cultura e da qual
tanto nos orgulhamos. Inevitável, portanto, uma indelével
atmosfera de traição às nossas expectativas e até às nossas
tradições. Enfim, “ficamos na saudade”! ... Aaaaaah, Teresa,
que pena! Mas que saudades do “Madredeus”!!! ... Aí sim. ... Quem
te viu e ...
Seguidamente, foi evidente a ocorrência de um lamentável fracasso
no “Porto de Honra” lá servido, tal a aglomeração desmedida de
pessoas nos corredores de acesso, ao final do espetáculo, agravado
com o fato de, a meio da “festa”, ter acabado o serviço resumido a
uns simples palitos de queijo que eram o único acompanhamento para
a degustação dos vinhos de mesa diversos. Contudo, o lado
positivo desse serviço é que jamais faltaram os vinhos, sobretudo
o tão apreciado e solicitado Vinho do Porto. Mas de quem foi a
falha eu não sei. Só sei que foi isso o que aconteceu.
Confraternizar de fato, ... ficou inviável mesmo.
Finalmente,
cabe aqui fazer uma referência ao último evento relacionado com a
presença do nosso Presidente da República, que envolveu um lauto
coquetel, qualificado como “Recepção em Honra das Comunidades”,
servido neste domingo, dia 9, a partir das 12h30, no majestoso
Palácio de São Clemente onde também esteve presente Cavaco
Silva e esposa, além da sua comitiva e autoridades locais,
onde, também, mediante convite, estiveram presentes cerca de umas
1.500 pessoas.
Pois bem!
... Começo por dizer que se deve entender como um privilégio a
oportunidade de estar presente num evento de tal envergadura mas,
temos que convir que muita gente que gostaria de lá estar não teve
chance para tal já que o critério da distribuição de convites é
seletivo e, por isso mesmo, as pessoas da Comunidade que não sejam
ligadas a alguma Associação Portuguesa, inevitavelmente, não têm
chance. Porém, convenhamos que seria impossível que tal espaço
físico pudesse recepcionar um maior número de pessoas e, assim,
inevitavelmente, muitos não têm vez.
Entretanto,
reconheça-se que a recepção foi impecável, o que, certamente,
deverá ser creditado à eficiência dos anfitriões nas pessoas do
Cônsul Dr. Almeida Lima e esposa, que, diga-se de passagem,
desde sempre demonstraram uma grande eficiência no bem receber
aliada à extrema simpatia que sempre irradiam. Portanto, honra
lhes seja feita direcionando-lhes os merecidos créditos de
parabéns. Ademais, haja visto que se trata de um dos melhores
Cônsules, senão o melhor, que já tivemos neste Estado, pós “O 25
de Abril/74”. Enfim, a meu ver, trata-se de um Cônsul que sabe
perfeitamente dosar tanto a burocracia inerente à atividade
diplomática quanto, em dose idêntica, no que refere ao trato
pessoal com qualquer cidadão do âmbito da Comunidade de sua
jurisdição. Enfim, um Cônsul humanitário e atuante. ... E a
Comunidade agradece!
Para
encerrar, apenas espero que a estada do Presidente da República
Portuguesa, Cavaco Silva, nesta cidade, lhe tenha servido
para, efetivamente, colher os elementos indispensáveis a um melhor
posicionamento na aproximação das Comunidades com a Mãe Pátria.
Entretanto, deixo uma pergunta no ar: – Porquê o Secretário de
Estado das Comunidades Portuguesas “chegou mudo e saiu calado”,
hein? ... Servir de “papagaio de pirata” (passe o termo) não é
protagonismo visto nada acrescentar. Aliás, sem um direcionamento
preciso, digo que de demagogos e embusteiros está o mundo cheio.
... “Que enfie a carapuça a quem ela couber!”. Atente-se que
confesso que valeu a pena, sobretudo pela oportunidade da
confraternização com alguns amigos. ... E, tenho dito! ...
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro
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