|
Já alguém disse: Um povo que tenta
recuperar a sua independência é sempre digno de respeito.
Evidente. Ninguém gosta de patrão. Sobretudo quando não precisa de
patrão para lhe garantir as sopas e as cuecas lavadas no fim do
mês.
A Iugoslávia implodiu pós Tito, na
ocasião ninguém reclamou, e como os Balcans ? cuja palavra, de
origem turca, significa ?montanha? ? por sua orografia, formam uma
fronteira natural, foi nessa região que os europeus, os cristãos,
conseguiram segurar a explosiva expansão do Islão. Região de
fronteira entre duas filosofias e dois credos que cada vez mais
parece que se opõem, teria que ser o que sempre foi: zona de
conflitos. Graves. Até entre cristãos, católicos e ortodoxos!
O Kosovo, a Sérvia queira ou não,
acabará independente, e mesmo que venha a necessitar de apoio
financeiro para sobreviver e/ou progredir lá estarão os
petrodólares a segurá-los. Além de que os kosovares serão sempre
uma ótima entrada para a Europa!
Onde há dinheiro ou fontes de riqueza
suficientes sempre surgirão movimentos independentistas,
alicerçardos ou não na história, mas sobretudo em cima das suas
riquezas que não querem partilhar.
O mundo está cheio de problemas desse
tipo: Cabinda, com o seu Tratado de Simulambuco, o seu petróleo e
o fato de ser um enclave nos Congos e não parte da geografia
natural de Angola.
O ?país? basco ou ?eusco?, que nunca foi
um povo independente, dividido pelos Pirinéus, pertenceu a Navarra
no lado da Espanha, a Navarra do outro, e a mais um monte de reis
e condes, tem a uni-los a língua ?euscara?, cuja origem ninguém
conseguiu definir e, com uma sólida economia baseada na industria,
metalurgia e pesca, desde há muito que tem forte autonomia
administrativa, e com isso luta ferozmente para se libertar de
Madrid.
Os catalães, que já tiveram um reino
independente, hoje a província mais rica da Espanha, precisa
também de Madrid para quê?
Há milênios os palestinos apanham na
cabeça ? desde muito antes de Golias ter levado aquela pedrada na
testa ? a comunidade internacional considera-os mais ou menos um
estado, não um país, e independência, mesmo com o seu território
retalhado por Israel... nada!
Boa parte das mais que 18.000 ilhas que
compõem a Indonésia querem também separar-se, o petróleo e o Islão
a fomentar.
E os curdos a levar bordoada ora dos
iraquianos ora dos turcos, o Sudão, a Macedônia, e... e... e... a
Rússia chia, porque se reconhecer o Kosovo, os chechenos... e já
está a ameaçar a EU para não intervir! Até o louco Chavez apareceu
na Tv para se pronunciar contra a independência do Kosovo ?que é
parte inalienável da Sérvia?, que são eslavos, como os russos, com
quem o pseudo líder venezuelano quer manter boas relações contra
os EUA!
Agora que a Europa vai crescendo, à
procura de uma união total, por muito impossível que isso pareça,
e sem destruir as tradições históricas e culturais de cada povo,
por esse mundo fora continuam a proliferar as guerrilhas, chamadas
de terrorismo ou nacionalismo conforme se olha pelo lado de quem
está no poder ou no contra, e os fabricantes de armas a fomentar
dando risada.
Um povo deve ter o culto da sua
história, porque o patriotismo é feito de todas as lutas e de
todas as glórias dos seus antepassados.
O que muitos se esquecem é que a união é
que faz a força. O respeito mútuo, a tolerância e um mundo de paz
e harmonia é que se torna difícil quando a pressão dos fabricantes
e vendedores de armas é altamente aliciante. E os homens, que não
evoluíram, gostam de matar. Infelizmente mais do que amar.
Francisco G. de
Amorim
Do Rio de Janeiro, Brasil
|