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Por Gaspar Nunes


Terça-feira | 19 FEV 08

“Que se dê vez ao Cidadão Comum!”

O Momento da Diáspora – 12

Cumprindo a promessa feita em meu artigo publicado há pouco mais de três meses, mais precisamente em 21 de outubro p.p., onde versava sobre a nova Lei do CCP – Conselho das Comunidades Portuguesas, cuja votação na especialidade ocorrera no dia 3 daquele mês, aqui estou para me manifestar, mais uma vez, sobre o mesmo tema, face à campanha para as eleições respectivas que se aproximam, o que, ao que consta, ocorrerá em 20 de abril próximo.

Pois bem! ... Meus amigos, leitores, aí está um tema que, embora tratando-se de uma situação que ocorre sazonalmente, na verdade trata-se da escolha das pessoas que representarão diretamente nossa Diáspora, ou seja, os Emigrantes portugueses espalhados por esse mundo afora, junto ao Governo e/ou ao Parlamento, o que não deixa de ser bastante relevante, embora se trate de uma representação com poderes meramente consultivos onde importam, sobremaneira, a produção de informações e/ou a emissão de propostas cabais a pedido do Governo e/ou do Parlamento, ou, inclusive por iniciativa própria dos Conselheiros que deverão ser pessoas devidamente qualificadas e que sejam imbuídas não só do mais elevado espírito patriótico como também do mais elevado senso comunitário direcionados à apresentação de soluções para a viabilização da defesa dos interesses e dos direitos dos Emigrantes e, inclusive, do apoio indispensável a uma vida digna para os mais carentes, ou, melhor dizendo, para que lhes seja oferecido um mínimo de assistência para que possam sobreviver com um mínimo de dignidade no resto dos seus dias.

Agora cabe a vez de dissertar sobre a razão do subtítulo que atribuí a este artigo – “Que se dê vez ao Cidadão Comum” – Pois é! ... Mas, afinal, o que é que eu quero dizer com isto? ... Pois é muito simples! ... Vejam bem, no que se refere aos Conselheiros do CCP atuais que, ressalvando-se algumas exceções, a imagem que eles me passam é a de que, generalizando, trata-se de pessoas cuja sagacidade, pedantismo, prepotência e oportunismo os leva a procurar um pretenso poder (ou seja, pessoas privilegiadas com o poder econômico e as influências daí derivadas, valendo-se disso para, por exemplo, obter títulos de Comendadores, Diretores de Instituições, Clubes ou Associações, Membros de Academias ditas culturais, Conselheiros do CCP, etc., etc., ... sem que, por vezes, nem sequer possuam qualificação para tal) que, para alimentar a sua ufania, as suas vaidades, em suma, o seu ego e arrogância, estão sempre à cata de títulos e mais títulos, galardões e mais galardões e outros quejandos. Humildade, generosidade e muitos outros predicados não fazem parte da cartilha por onde eles rezam. Afinal, o que eles fizeram em prol da Comunidade? Quantas vezes e a troco do quê viajaram a Portugal às custas do erário público, ou seja, às nossa custas? Qual o proveito que a Diáspora tirou disso? O fato de, inclusive, um ou outro, serem portadores de um diploma universitário não lhes dá, de per si, atestado de qualificação para serem consideradas as pessoas ideais para esses cargos, da mesma forma que os que se valem do poder do dinheiro, muito pelo contrário, haja vista que não se interessam por lutar efetivamente pelos interesses da Comunidade pois que apenas objetivam alimentar as suas vaidades e os seus interesses pessoais, inclusive viajar a Portugal de borla e usufruir de mordomias sem que disso necessitem, financeiramente falando. Aliás, se em sua maioria se deslocassem a suas próprias expensas isso não os tornaria menos ricos, de jeito algum. E o pior é que, salvo uma ou outra exceção, são sempre os mesmos a se candidatarem. ... Porque será, hein? ... Vocês sabem que lá na “parvónea” dir-se-ia que eles não querem largar a “gamela” porque, na realidade, ela apenas serve de disfarce para o seu conteúdo que, na verdade, se trata quiçá de um verdadeiro “banquete”! ... Passem os termos pois têm o sentido figurado. Aliás, atente-se que a Comunidade não precisa de intelectuais representando-a – ou, melhor dizendo, fazendo de conta que a representam –, mas sim gente honesta, inteligente, dedicada e operosa. ... De resto é tudo balela e isso está mais do que provado à evidência! Os fatos assim o demonstram. ... E que enfie a carapuça a quem ela couber!

Vocês viram? ... Então vocês não acham que é a hora de dar vez ao cidadão comum? Não seria o caso de dar um voto de confiança a pessoas que de fato tenham o dom da humildade e que efetivamente estejam dispostas a se dedicar eficientemente na luta pelos interesses e carências da Comunidade? Não será a vez de eleger pessoas que digam ao que vão? Ou será que tudo se vai repetir? Isso seria a desacreditação definitiva de um Órgão que, inquestionavelmente, é da maior importância para os Emigrantes e que por isso mesmo foi criado. Então questiono: Valerá a pena? ... Bem, pelo menos o próprio poeta, o Pessoa, disse: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Entretanto, espera-se que aqueles que se candidatarem, venham a público dizer quais as suas propostas quanto à atividade nobre (isto se eles a tornarem em tal) que terão o compromisso de exercer, prometendo cumprir, a qualquer custo, todas elas, até onde isso deles depender, é claro.

Pois bem! ... Amigos, leitores, sabe-se que é fundamental que todos estejam cientes de que, para o sucesso desse sufrágio nas urnas, é necessário que, quem ainda não o fez, vá ao Consulado levando o Bilhete de Identidade, ou a Carteira de Estrangeiro ou até mesmo o Passaporte e lá solicite para ser recenseado como eleitor português e, assim, ficar apto a votar nas próximas Eleições Portuguesas, porém, até onde eu sei, para a eleição próxima dos Conselheiros do CCP, bastará apresentar à mesa de votação qualquer um desses documentos, pois que é necessário votar bem e em força, porém, em favor de pessoas que de fato mereçam o vosso voto e que, portanto, não vos decepcionem mais uma vez. Pelo amor de Deus, não se deixem “enganar”, não dêem ouvidos a promessas vãs! Fiquem atentos e votem conscientes! Em suma, escolham bem e tenham personalidade, ficando com a consciência tranqüila. Na dúvida, não deixem de fazer uma visita ao Consulado para certificar-se de que lá estejam inscritos e aproveitar para atualizar os vossos dados cadastrais. Entretanto, atente-se que os Cadernos Eleitorais estarão obrigatoriamente concluídos até 19 de fevereiro e estarão à disposição dos eleitores para efeito de consulta entre 20 de fevereiro e 1 de março próximos.

Mas, atenção: – Lembrem-se que, apesar de os Conselheiros do CCP não terem poderes executivos nem tampouco legislativos e, portanto, ficarem limitados a ações de efeito consultivo, essa condição não deixa de ser efetivamente relevante dentro dessas limitações, mas, repetindo-me, digo: é necessário que os novos eleitos estejam de fato sintonizados exclusivamente com o espírito patriótico aliado ao espírito comunitário.

Em síntese, o que pretendo é que os atuais Conselheiros do CCP tenham a hombridade de ceder o lugar a gente nova para que se acabe com esse continuísmo pernicioso e, quiçá, “imoral”! Aliás, isso seria um gesto democrático elogiável!... E, estejam certos, esta é a opinião de um CIDADÃO COMUM!

De resto, tenhamos fé e esperança, aliadas à perseverança, direcionados a um amanhã mais auspicioso! ... Mas, quanto ao futuro, isso só Deus sabe! ... Entretanto, façamos a nossa parte!

E, por hoje, fico por aqui, mas, oportunamente, teremos mais ... “ainda há pano para mangas”!

Gaspar Nunes

Rio de Janeiro


 

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