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Cumprindo a promessa feita
em meu artigo publicado há pouco mais de três meses, mais
precisamente em 21 de outubro p.p., onde versava sobre a nova Lei
do CCP – Conselho das Comunidades Portuguesas, cuja votação
na especialidade ocorrera no dia 3 daquele mês, aqui estou para me
manifestar, mais uma vez, sobre o mesmo tema, face à campanha para
as eleições respectivas que se aproximam, o que, ao que consta,
ocorrerá em 20 de abril próximo.
Pois bem! ... Meus amigos,
leitores, aí está um tema que, embora tratando-se de uma situação
que ocorre sazonalmente, na verdade trata-se da escolha das
pessoas que representarão diretamente nossa Diáspora, ou
seja, os Emigrantes portugueses espalhados por esse mundo
afora, junto ao Governo e/ou ao Parlamento, o que
não deixa de ser bastante relevante, embora se trate de uma
representação com poderes meramente consultivos onde importam,
sobremaneira, a produção de informações e/ou a emissão de
propostas cabais a pedido do Governo e/ou do Parlamento,
ou, inclusive por iniciativa própria dos Conselheiros que
deverão ser pessoas devidamente qualificadas e que sejam imbuídas
não só do mais elevado espírito patriótico como também do mais
elevado senso comunitário direcionados à apresentação de soluções
para a viabilização da defesa dos interesses e dos direitos dos
Emigrantes e, inclusive, do apoio indispensável a uma vida
digna para os mais carentes, ou, melhor dizendo, para que lhes
seja oferecido um mínimo de assistência para que possam sobreviver
com um mínimo de dignidade no resto dos seus dias.
Agora cabe a vez de
dissertar sobre a razão do subtítulo que atribuí a este artigo – “Que
se dê vez ao Cidadão Comum” – Pois é! ... Mas, afinal, o que é
que eu quero dizer com isto? ... Pois é muito simples! ... Vejam
bem, no que se refere aos Conselheiros do CCP atuais que,
ressalvando-se algumas exceções, a imagem que eles me passam é a
de que, generalizando, trata-se de pessoas cuja sagacidade,
pedantismo, prepotência e oportunismo os leva a procurar um
pretenso poder (ou seja, pessoas privilegiadas com o poder
econômico e as influências daí derivadas, valendo-se disso para,
por exemplo, obter títulos de Comendadores, Diretores de
Instituições, Clubes ou Associações, Membros de Academias
ditas culturais, Conselheiros do CCP, etc., etc., ...
sem que, por vezes, nem sequer possuam qualificação para tal) que,
para alimentar a sua ufania, as suas vaidades, em suma, o seu ego
e arrogância, estão sempre à cata de títulos e mais títulos,
galardões e mais galardões e outros quejandos. Humildade,
generosidade e muitos outros predicados não fazem parte da
cartilha por onde eles rezam. Afinal, o que eles fizeram em prol
da Comunidade? Quantas vezes e a troco do quê viajaram a
Portugal às custas do erário público, ou seja, às nossa
custas? Qual o proveito que a Diáspora tirou disso? O fato
de, inclusive, um ou outro, serem portadores de um diploma
universitário não lhes dá, de per si, atestado de qualificação
para serem consideradas as pessoas ideais para esses cargos, da
mesma forma que os que se valem do poder do dinheiro, muito pelo
contrário, haja vista que não se interessam por lutar efetivamente
pelos interesses da Comunidade pois que apenas objetivam
alimentar as suas vaidades e os seus interesses pessoais,
inclusive viajar a Portugal de borla e usufruir de
mordomias sem que disso necessitem, financeiramente falando.
Aliás, se em sua maioria se deslocassem a suas próprias expensas
isso não os tornaria menos ricos, de jeito algum. E o pior é que,
salvo uma ou outra exceção, são sempre os mesmos a se
candidatarem. ... Porque será, hein? ... Vocês sabem que lá na
“parvónea” dir-se-ia que eles não querem largar a “gamela” porque,
na realidade, ela apenas serve de disfarce para o seu conteúdo
que, na verdade, se trata quiçá de um verdadeiro “banquete”! ...
Passem os termos pois têm o sentido figurado. Aliás, atente-se que
a Comunidade não precisa de intelectuais representando-a –
ou, melhor dizendo, fazendo de conta que a representam –, mas sim
gente honesta, inteligente, dedicada e operosa. ... De resto é
tudo balela e isso está mais do que provado à evidência! Os fatos
assim o demonstram. ... E que enfie a carapuça a quem ela couber!
Vocês viram? ... Então
vocês não acham que é a hora de dar vez ao cidadão comum? Não
seria o caso de dar um voto de confiança a pessoas que de fato
tenham o dom da humildade e que efetivamente estejam dispostas a
se dedicar eficientemente na luta pelos interesses e carências da
Comunidade? Não será a vez de eleger pessoas que digam ao
que vão? Ou será que tudo se vai repetir? Isso seria a
desacreditação definitiva de um Órgão que, inquestionavelmente, é
da maior importância para os Emigrantes e que por isso
mesmo foi criado. Então questiono: Valerá a pena? ... Bem, pelo
menos o próprio poeta, o Pessoa, disse: “Tudo vale a
pena se a alma não é pequena”. Entretanto, espera-se que aqueles
que se candidatarem, venham a público dizer quais as suas
propostas quanto à atividade nobre (isto se eles a tornarem em
tal) que terão o compromisso de exercer, prometendo cumprir, a
qualquer custo, todas elas, até onde isso deles depender, é claro.
Pois bem! ... Amigos,
leitores, sabe-se que é fundamental que todos estejam cientes de
que, para o sucesso desse sufrágio nas urnas, é necessário que,
quem ainda não o fez, vá ao Consulado levando o Bilhete de
Identidade, ou a Carteira de Estrangeiro ou até mesmo o Passaporte
e lá solicite para ser recenseado como eleitor português e, assim,
ficar apto a votar nas próximas Eleições Portuguesas, porém, até
onde eu sei, para a eleição próxima dos Conselheiros do CCP,
bastará apresentar
à mesa de votação qualquer um desses documentos, pois que é
necessário votar bem e em força, porém, em favor de pessoas que de
fato mereçam o vosso voto e que, portanto, não vos decepcionem
mais uma vez. Pelo amor de Deus, não se deixem “enganar”, não dêem
ouvidos a promessas vãs! Fiquem atentos e votem conscientes! Em
suma, escolham bem e tenham personalidade, ficando com a
consciência tranqüila.
Na dúvida, não deixem de fazer uma visita ao Consulado para
certificar-se de que lá estejam inscritos e aproveitar para
atualizar os vossos dados cadastrais. Entretanto, atente-se que os
Cadernos Eleitorais estarão obrigatoriamente concluídos até
19 de fevereiro e estarão à disposição dos eleitores para efeito
de consulta entre 20 de fevereiro e 1 de março próximos.
Mas, atenção:
– Lembrem-se que, apesar de os Conselheiros do CCP
não terem poderes executivos nem tampouco legislativos e,
portanto, ficarem limitados a ações de efeito consultivo, essa
condição não deixa de ser efetivamente relevante dentro dessas
limitações, mas, repetindo-me, digo: é necessário que os novos
eleitos estejam de fato sintonizados exclusivamente com o espírito
patriótico aliado ao espírito comunitário.
Em síntese, o que pretendo
é que os atuais Conselheiros do CCP tenham a
hombridade de ceder o lugar a gente nova para que se acabe com
esse continuísmo pernicioso e, quiçá, “imoral”! Aliás, isso seria
um gesto democrático elogiável!... E, estejam certos, esta é a
opinião de um CIDADÃO COMUM!
De resto, tenhamos fé e
esperança, aliadas à perseverança, direcionados a um amanhã mais
auspicioso! ... Mas, quanto ao futuro, isso só Deus sabe! ...
Entretanto, façamos a nossa parte!
E,
por hoje, fico por aqui, mas, oportunamente, teremos mais ...
“ainda há pano para mangas”!
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro
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