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Por Hélio Bernardo Lopes


Quinta-feira | 24 JAN 08

“FARC: O Triunfo da Boa Vontade”

Terminou, finalmente, o longo cativeiro das colombianas, Consuelo Gonzalez e Clara Rojas, desde há mais de cinco anos sequestradas pelos guerrilheiros colombianos das FARC, e graças à inteligência política e à boa vontade do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Um resultado que só foi possível pelo facto de ser Hugo Chávez, nos dias que correm, um político muito credenciado junto de vastíssimas franjas de cidadãos por esse Mundo fora, desesperançados com a atitude subserviente dos seus políticos perante os interesses, em geral meramente económicos, dos Estados Unidos.

Mas se Hugo Chávez saiu desta intervenção como uma personalidade central, humana e politicamente inquestionável, também é verdade que Álvaro Uribe mostrou a sua completa incapacidade para enfrentar uma realidade de que não pode, como já pôde ver-se, fugir de um modo que conduza o seu país à paz e ao início da reconciliação nacional. De um lado, o triunfo da boa vontade política, do outro, a completa falta de capacidade para enfrentar uma omnipresente realidade política e humana.

Temos agora todas as razões para acreditar que os restantes sequestrados virão progressivamente a ser postos em liberdade, se acaso o presidente colombiano não vier a mostrar a triste ideia de tentar conseguir algum benefício contra as FARC, que de há muito se batem contra uma dita democracia inconsequente e injusta, que mantém uma enormíssima parte do povo da Colômbia na maior pobreza.

Temos, em todo o caso, de acreditar que, desta vez, Álvaro Uribe conseguirá mostrar a capacidade de inteligência política essencial para compreender o papel que Hugo Chávez hoje pode pôr em prática em favor da libertação dos reféns e da reconciliação nacional colombiana.

E há que ser realista e humilde, de molde a reconhecer que, afinal, Mário Soares sempre tinha razão, quando referiu que só há um caminho para se conseguir a paz, que é o diálogo dos contendores. De resto, isto é ainda mais essencial no caso da Colômbia, onde decorre, de facto, uma autêntica guerra civil, já muito antiga, sem fim à vista, e com um preço hoje impossível de calcular.

Ninguém hoje pode imaginar que Consuelo Gonzalez ou Clara Rojas desejam outra coisa que não seja o fim desta guerra civil que decorre desde há muito, mau grado as naturais reacções que possam ter contra quem as sequestrou.

Mas talvez sejam já hoje capazes de compreender que só pelo diálogo se poderá conseguir a paz na Colômbia, com o fim da velhíssima guerra civil. Que regressem depressa os bons auspícios do Presidente Hugo Chávez.

Hélio Bernardo Lopes

De Portugal


 

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