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Terminou, finalmente, o longo cativeiro
das colombianas, Consuelo Gonzalez e Clara Rojas, desde há mais de
cinco anos sequestradas pelos guerrilheiros colombianos das FARC,
e graças à inteligência política e à boa vontade do presidente
venezuelano, Hugo Chávez.
Um resultado que só foi possível pelo
facto de ser Hugo Chávez, nos dias que correm, um político muito
credenciado junto de vastíssimas franjas de cidadãos por esse
Mundo fora, desesperançados com a atitude subserviente dos seus
políticos perante os interesses, em geral meramente económicos,
dos Estados Unidos.
Mas se Hugo Chávez saiu desta
intervenção como uma personalidade central, humana e politicamente
inquestionável, também é verdade que Álvaro Uribe mostrou a sua
completa incapacidade para enfrentar uma realidade de que não
pode, como já pôde ver-se, fugir de um modo que conduza o seu país
à paz e ao início da reconciliação nacional. De um lado, o triunfo
da boa vontade política, do outro, a completa falta de capacidade
para enfrentar uma omnipresente realidade política e humana.
Temos agora todas as razões para
acreditar que os restantes sequestrados virão progressivamente a
ser postos em liberdade, se acaso o presidente colombiano não vier
a mostrar a triste ideia de tentar conseguir algum benefício
contra as FARC, que de há muito se batem contra uma dita
democracia inconsequente e injusta, que mantém uma enormíssima
parte do povo da Colômbia na maior pobreza.
Temos, em todo o caso, de acreditar que,
desta vez, Álvaro Uribe conseguirá mostrar a capacidade de
inteligência política essencial para compreender o papel que Hugo
Chávez hoje pode pôr em prática em favor da libertação dos reféns
e da reconciliação nacional colombiana.
E há que ser realista e humilde, de
molde a reconhecer que, afinal, Mário Soares sempre tinha razão,
quando referiu que só há um caminho para se conseguir a paz, que é
o diálogo dos contendores. De resto, isto é ainda mais essencial
no caso da Colômbia, onde decorre, de facto, uma autêntica guerra
civil, já muito antiga, sem fim à vista, e com um preço hoje
impossível de calcular.
Ninguém hoje pode imaginar que Consuelo
Gonzalez ou Clara Rojas desejam outra coisa que não seja o fim
desta guerra civil que decorre desde há muito, mau grado as
naturais reacções que possam ter contra quem as sequestrou.
Mas talvez sejam já hoje capazes de
compreender que só pelo diálogo se poderá conseguir a paz na
Colômbia, com o fim da velhíssima guerra civil. Que regressem
depressa os bons auspícios do Presidente Hugo Chávez.
Hélio Bernardo Lopes
De Portugal
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