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20/DEZ/2007
Natal/Solidariedade
A Solidariedade de um Natal sem Exclusões
Uma Relação com o Amor ao Próximo
Nesta Quadra Natalina,
a partir da noite de 2ª feira póxima, os
Cristãos começam a celebrar a efeméride da Natalidade de Jesus
Cristo, o "Menino Jesus" que veio ao mundo há 2008 anos, ocorrida
às 00:00h de 25 de Dezembro. Pois bem, sensibilizado com um e-mail
que chegou à Caixa Postal do meu PC em 18/12/2007, aproveito esta
oportunidade para homenagiar o nosso concidadão Tiago e os seus
pais, residentes em Coimbra. Ele é mais conhecido por Tiagolas,
tratando-se de um deficiente físico que apesar dos seus 29 ou 30
anos de vida será sempre, inevitavelmente, um "menino", porém um
menino especial, que tomo como referência para a minha MENSAGEM DE
NATAL deste ano, e que, na verdade, se trata de divulgar um texto
do Tiagolas redigido e subscritado pelos seus pais. Pois vamos à
mensagem que transcrevo, em sua íntegra, a seguir:
Na escola
Um menino deficiente que ensina a integrar os diferentes
Quando eu era
criancinha em idade de ir à escola, não havia escolas
para os meninos diferentes. Há vinte anos os meninos deficientes
ficavam em casa sem ir à escola.
A escola sabia que os meninos deficientes não aprendiam a
escrever,
não aprendiam a ler.
Os meninos diferentes não aprendiam a fazer contas de somar, de
dividir, de multiplicar ou subtrair. A escola sabia que os meninos
diferentes nunca aprenderiam a tabuada, nem cantada, nem pensada e
muito menos aplicada. Os meninos diferentes nem o próprio nome
aprendiam a desenhar e a dizer, a responder ou a pronunciar.
Foi há vinte anos e eu não fui à escola.
Os meus pais viram logo cedo, muito cedo viram em mim que o menino
diferente que amavam não seria letrado, entendido, instruído. Os
meus
pais viram logo que o seu menino precisava de ser acompanhado. Sem
autonomia, precisava na vida de ser guiado, vigiado, protegido,
acarinhado. O menino diferente não está na vida para fazer o que
os
meninos dele diferentes vão fazer.
Mas o menino diferente, por vontade da mãe, à escola fui levado e
por
benévola amizade da professora que me aceitava à frente de meninos
mexidos, que aprendiam e a brincar a tabuada cantavam, me sentava.
E o menino diferente que na sala estava entre meninos amigos, nem
a
brincar aprendia o que os outros a fazer via.
Os outros meninos riam ao riso simpático do menino diferente que
não
aprendia a ler, a escrever, a somar e a multiplicar. E os outros
meninos riam às graças sem saber brincar do menino diferente que
ali
estava. E eram amigos e não me chamavam burro, nem imbecil, nem
cretino, nem demente. Eu era só o menino diferente.
E assim a professora amiga que na sala por benevolência me
recebia, o
menino diferente levava aos amigos seus alunos que aprendiam.
E o menino diferente por benevolência ia à escola, entrava e saía
levado pela mãe que me acompanhava, pela mão protegido sem os
livros que os outros meninos levavam e detestavam.
Os meninos mexidos que aprendiam e nos intervalos brincavam, a
bola
jogavam e o menino diferente ria por estar ali entre amigos
embalado
pelo olhar atento da professora que me recebia, sem o ingrato
dever de
me fazer aprender.
E o menino deficiente que eu era e à escola ia, eu levei aos
meninos
que aprendiam a sabedoria de diferente me fazer aceitar.
E os meninos que aprendiam e ao exame eram levados, aprenderam a
aceitar o menino diferente que ali estava, mas que não aprendia as
coisas que eles sabiam.
E o menino diferente que à escola ia não para aprender, aos outros
meninos ensinou a amizade aos diferentes e a solidariedade.
E os anos passaram e agora todos os meninos vão à escola para
aprender e para estar onde os outros meninos estão.
Os meninos diferentes não aprendem tabuada, mas aprendem a rir com
o riso de diferentes serem recebidos tal como foram concebidos.
E passaram vinte anos e todos os meninos vão à escola e é um dever
à
escola ir, mesmo que nunca se aprenda a dividir, a somar, a
multiplicar e a subtrair, mas onde se aprende a incluir os
diferentes
e as diferenças aceitar.
Meu Comentário:
Como vêem, a mensagem que acabei de narrar é uma demonstração de
amor transcendental que envolve um drama de uma família que,
apesar dos reveses, é um grande exemplo para a humanidade,
demonstrado no relevante sentimento que se chama FRATERNIDADE.
Assim, tomemos este exemplo como comum dando-lhe a expressão de um
autêntico paradigma no exercício da prática da SOLADARIEDADE, não
só a nível familiar como em relação ao nosso semelhante de uma
forma geral, mormente no que concerne aos carentes.
Que o Espírito de Natal nos traga muita PAZ, AMOR e a HUMILDADE
indispensáveis para que o Mundo seja mais atraente, sem violência,
e a
FELICIDADE seja uma realidade.
Meus amigos, colegas colabores do Mundo Lusíada, administração do
Jornal, leitores e respectivas famílias, que a vossa mesa esteja
repleta e farta, envolvida no indelével encanto proporcionado pelo
clima do Papai Noel - conforme as velhas tradições -, façam uma
Ceia
de Consoada festiva, porém equilibrada, sem excessos,
principalmente
no que se refer à bebida. Enfim, tenham todos um Feliz Natal, que
o
"Deus Menino" abençoe todos os lares e que estabeleça a "Paz entre
os Homens de Boa-vontade", impedindo que os maus executem os seus
planos sinistros de lesa Humanidade e reconsiderem as suas
doutrinas!
Estes votos são extensivos a todo o Povo Português e a todo o Povo
Brasileiro. Aliás, um FELIZ NATAL para toda a HUMANIDADE!!!
Segundo rezam as Sagradas Escrituras o Homem foi feito à imagem de
Deus, então que DEUS salve o HOMEM!!! ... Se bem que o Homem terá
de fazer a sua parte direitinho! ... Coisas do Pecado Original!
... Mas aí é outra história ...
Rio de Janeiro - RJ,
Brasil, 20/12/2007
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil |