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08/DEZ/2007
Máfias em Portugal
Um Irrealismo Persistente
Embora sem um ínfimo de espanto, a
verdade é que não deixei de sorrir perante as inacreditáveis
palavras do tenente-general Leonel Carvalho sobre a suposta ainda
fraca possibilidade da existência de máfias no seio da sociedade
portuguesa!
Este meu escrito poderia terminar já aqui, e com esta pergunta
simples aos meus caros leitores: que acham desta afirmação de
Leonel Carvalho? Existem já máfias no seio da sociedade
portuguesa, ou ainda não? E para quem entenda que não, quantos
mais homicídios terão de ter lugar no designado mundo da noite?
Mas como o texto não terminou no parágrafo anterior, eis que me
resolvo a colocar agora uma nova questão ao meu leitor: a vida
nocturna do prazer está, ou não, ligada, na sua globalidade
envolvente, ao mundo do tráfico de estupefacientes? O que acha o
leitor, mesmo que não freqüente a vida da noite, como comigo
acontece?
E já que cheguei a esta linha do meu texto, uma outra pergunta:
esses dois mundos, da noite e do tráfico e consumo de
estupefacientes, está, ou não, ligado ao do tráfico de gente,
mormente para o submundo da prostituição?
E agora, a penúltima pergunta: do que já pôde observar, acha que
este ambiente de homícios correntes está para durar, ou não? E
acha que as nossas autoridades judiciárias vão conseguir levar os
autores morais e materiais à barra do tribunal, ou não?
Como a resposta a todas as anteriores perguntas é para mim de
grande evidência, até com probabilidade muito elevada de estar a
mesma correcta, ainda me atrevo a colocar-lhe uma nova pergunta, a
última: porquê esta completa paralisia das nossas autoridades
policiais? Porquê ir agora chamar o SIS - só agora?! -, ainda sem
as tais milagreiras escutas que lhe querem atribuir, se a Polícia
Judiciária, já com as mesmas à sua disposição, não aparenta
conseguir levar a carta ao Garcia?
E depois já vê, meu caro leitor, parece que todos os assassinos e
seus mandantes terão já fugido para o estrangeiro, de molde que
qualquer esperança se nos apresenta como completamente vã. E,
estando o País sem cheta, porquê mais gastos? Para mais com o
enorme tempo que levam as cartas rogatórias!!
Um dado é certo: para Leonel Carvalho isso de máfias em Portugal é
coisa pouco provável. O que se vai vendo, e muito mais ainda
percebendo, não passa da manifestação de um isomorfismo fraco da
realidade histórica de outras latitudes.
Tomando aquelas de Leonel Carvalho a sério, liberdade,
neoliberalismo, globalização, pobreza crescente, vida sem futuro
nem horizontes, fronteiras abertas, localização geográfica e
Estado fraco e minguante, bom, nada terão de implicativo com
máfias do tipo italiano, americano ou russo. Mais palavras para
quê?
Hélio
Bernardo Lopes
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