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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

20/DEZ/2007

União Européia

O Tratado de Lisboa e a Democracia

 

Mesmo que tenham sido poucos, a verdade é que o protesto que José
Sócrates recebeu de muitos dos eurodeputados do Parlamento Europeu mostrou esta evidentíssima realidade: este tratado foi eleborado nas costas dos povos europeus, mau grado as perdas profundas de soberania que engloba.


E é por isso extremamente gracioso ouvir as mil e uma críticas a Robert Mugabe e ao líder do Sudão, sobretudo neste caso muito acertadas e justas, mas logo de seguida poder observar como a real democracia é colocada no cesto dos papeis, em face do verdadeiro terror dos políticos europeus a praticarem um natural referendo sobre um acto de crucial importância para os seus povos.


Até o caso de trânsito recentemente noticiado, que terá envolvido um nosso deputado, mostra bem que a democracia não vale, entre nós, igualmente para todos os portugueses. Com um outro cidadão comum, de imediato se estaria numa situação de desobediência à autoridade.
Mas voltemos ao Tratado de Lisboa. Um dado ele tem e que é positivo: a capital do nosso País ficará a ser universalmente soletrada nos manuais técnicos de Direito Europeu e de Direito Internacional Público. Mas para os povos europeus, bom, a recusa de realizar referendos é a prova mais cabal de que os maus políticos que temos na Europa de hoje conhecem bem o divórcio que separa este tratado da vontade, dos direitos e dos anseios dos seus povos.


Espero, mau grado todo este lamentável comportamento dos políticos europeus, que o Primeiro-Ministro de Portugal não siga o mesmo comportamento zigue-zagueante do seu principal partido opositor, que foi para as suas directas internas porque o PS o havia feito e que defendeu o referendo quando queria não ficar atrás da promessa eleitoral de José Sócrates.


A História nunca deixará de apontar o dedo responsabilizador aos políticos dos nossos tempos por quanto de mau este Tratado de Lisboa possa vai trazer aos povos europeus de hoje e das próximas gerações.
E é essa mesma História que já hoje permite ver claramente a completa falta de valor democrático de quantos hoje estão nos poderes da Europa e se apregoam de democratas. Muito pelo contrário: prometem e não cumprem, em essência, pelo medo que realmente têm da manifestação da vontade dos seus eleitores.
 


Hélio Bernardo Lopes

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