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Artigo » Douglas Cavallari de Santana

19/DEZ/2007

Desenvolvimento

Cabo Verde dá o Exemplo

“Bem disfrutá morabeza
Dêss povo franco sem igual
Li nô ca tem riqueza
Nô ca tem ôro nô ca tem diamante
Ma nô tem ess paz di Deus
Qui na mundo ca tem
E êss clima sabe qui Deus dóne
Bem conchê ess pais”
 

Manuel de Novas, poeta e compositor cabo-verdiano, em “Ess Pais”

 

Bem dizem que “nos menores frascos estão os melhores perfumes”. Esta é uma frase muito apropriada para definir a história recente de Cabo Verde, o pequeno arquipélago lusófono localizado na costa ocidental da África.

Descoberto pelos portugueses em 1460, ainda na fase inicial das Grandes Navegações, o conjunto de 10 pequenas ilhas ficou sob o domínio luso por mais de 500 anos, até 1975. Apesar de não possuir quase nenhuma riqueza natural e os solos vulcânicos limitarem o desenvolvimento da agricultura, Cabo Verde foi alvo de intensas disputas entre os europeus, pela sua localização estratégica.

Mesmo após a independência, poucos apostariam em dias melhores para Cabo Verde. Comparado os países africanos lusófonos do continente, o arquipélago era minúsculo (sua área total corresponde a cerca de um quinto de Sergipe), estava entre os mais pobres e era dependente de quase tudo, com uma economia apoiada na pesca, em sua maioria, ainda artesanal.

Mas Cabo Verde tinha a seu favor um grande patrimônio: o povo. Sempre com relativa serenidade, conseguiram organizar o país, implantar um estável governo parlamentarista, traçar metas ambiciosas com visão de longo prazo e partir em busca de alianças comerciais e culturais mundo afora.

Enquanto isso, milhares de cabo-verdianos emigraram para trabalhar e estudar. Hoje, cerca de metade dos nacionais (estimados em cerca de 1 milhão) vivem fora das ilhas. O dinheiro que enviam às suas famílias garante a melhoria da qualidade de vida e o progresso de muitas regiões. A maioria dos formados no exterior (muitos com bolsas do governo) regressa para contribuir com o país.

O resultado de tanta dedicação começa a ganhar as primeiras páginas dos noticiários internacionais. Apenas nos últimos anos, Cabo Verde conseguiu atrelar sua moeda ao Euro, estabelecer um acordo de cooperação com a União Européia, entrar para a Organização Mundial do Comércio, atrair milhões em investimento no turismo, mudar sua classificação internacional para “país em desenvolvimento”, criar uma universidade pública (inclusive com mestrados), colocar mais de 95% das crianças na escola e se tornar uma voz atuante na Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Além do novo fôlego da economia, o ponto que merece mais destaque é a melhoria na qualidade de vida dos cabo-verdianos. A expectativa de vida aumentou em mais de 10 anos desde a independência. A mortalidade infantil é quase 1/6 da verificada em 1975. A renda per capita já ultrapassou os US$ 2.000,00. Não é por acaso que Cabo Verde ocupa atualmente a terceira posição entre os países africanos no Índice de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas.

Quem quiser conferir “ao vivo” todo o sucesso de Cabo Verde, com certeza não voltará decepcionado. A infra-estrutura turística está em constante evolução, a beleza do país é impressionante, o povo é alegre e receptivo, a música é única, há uma grande riqueza cultural e as cores e aromas se misturam na culinária.

Um “Viva” para Cabo Verde, nosso pequeno grande exemplo!

 

Douglas Cavallari de Santana
Jornalista

www.lucianopires.com.br

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