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Artigo » Por Gaspar Nunes

03/DEZ/2007

Emigrantes

A Realidade dos Desvalidos da Pátria – 21

Ex-combatentes – Uma batalha que parece não ter fim

 

Meus amigos, ofereço-lhes abaixo, a título meramente informativo, a minha análise em referência a um tema que envolve uma das principais bandeiras que defendo englobadas na Rubrica de minha autoria, “O EMIGRANTE E A CIDADANIA”, que apresento dominicalmente na Rádio, tratando-se de um pungente e doloroso mas implícito recado direcionado ao Governo Português baseado em uma Carta Aberta ao Primeiro-ministro, Eng. José Sócrates, subscrita pela Direcção e Sócios da Associação dos Reformados e dos Ex-Militares/Ex-Combatentes Portugueses de França e da Comissão dos Ex-Militares Portugueses no Luxemburgo (esta dirigida pelo meu amigo Manuel Gomes da Silva) e emitida no dia 19/11/2007.

 

Explanando o teor dessa Carta Aberta essas Associações solicitam ao Primeiro-ministro que os textos jurídicos que reconhecem o Tempo de Serviço Militar aos Ex-combatentes Emigrantes, sejam regulamentados e aplicados imediatamente, haja vista que, desde 1935, houve nada menos do que seis Leis de Regulamentação Militar que dizem claramente que o Tempo de Serviço Militar conta para efeitos de Promoção, Reforma e/ou Aposentação.

 

Exemplificam que os Ex-militares que não tem vínculo na Segurança Social, maioria dos Emigrantes, são excluídos do benefício destas Leis, devido ao artigo 36° da Lei Básica do Sistema de Segurança Social Portuguesa, o Decreto-Lei nº 329/93. Este fato é contraditório à Regulamentação Comunitária nº 1408/71.

 

Lembram que a Assembleia da República votou por unanimidade no dia 23 de Março de 2003 a Petição nº 14/IX, subscrita por 11.052 cidadãos, que reclamavam a modificação do artigo incriminado, isto é, o artigo 36° do DL nº 329/93.

 

Alegam que esse plebiscito não gerou nenhuma iniciativa política que cortasse o mal pela raiz, o que deixou a porta aberta à multiplicação de textos que complicaram a situação e não responderam aos anseios dos Ex-combatentes em geral, sobretudo de dezenas de milhares de Ex-combatentes Emigrantes excluídos da contagem do Tempo de Serviço Militar para Efeitos de Reforma, porque não são beneficiários da legislação nesta matéria (mais precisamente, seis Leis de Regulamentação Militar, mais outras duas Leis, um Decreto-Lei e duas Portarias).

 

Alertam que, em matéria de Reforma, não existe nenhum mecanismo de retroatividade, o que resulta que milhões de euros serão definitivamente perdidos pelos Ex-combatentes Emigrantes, devido a que não podem liquidar os seus direitos à Reforma porque a Segurança Social Portuguesa não emite o Formulário E 205 essencial à taxa de formação da Reforma Comunitária. Esta situação adultera o princípio inalienável do direito ao repouso previsto na nossa Constituição, e priva o regresso desses nossos compatriotas a Portugal.

 

Nessa mesma Carta Aberta ainda é argumentado o seguinte:

Nunca é demais relembrar que o regresso desta população às áreas do interior, carenciadas pelo êxodo rural e populacional, seria um incentivo primordial ao desenvolvimento econômico, social e cultural das mesmas.

 

No programa eleitoral do Partido Socialista, dedicado às Comunidades, no capítulo Melhorar a Intervenção Social, ao seu quinto ponto, isso é claramente especificado.

 

Pedem para que seja aplicado o Regulamento Comunitário nº 118/97, para permitir aos Ex-militares sem regime contributivo em Portugal estar registrados para efeitos de abertura do seu Processo de Contagem de Tempo de Serviço Militar para Efeitos de Reforma nos Países de Acolhimento, através do Formulário E 205.

 

Citam que o Primeiro-ministro caucionou integralmente esse programa garantindo publicamente: “Para mim, todos os portugueses são iguais em direitos e merecem a mesma atenção.”.

 

Porém, os esforços intentados por ambas as Associações subscritoras da referida Carta Aberta, desde 2004, junto às autoridades Portuguesas para que a Lei nº 21/2004 e o Decreto-Lei 160/2004 fossem regulamentados não mereceram uma resposta inequívoca.

 

Que o imobilismo do seu Executivo, nesta matéria, é justificado pelas dificuldades orçamentais da Nação, contudo esta afirmação nunca foi demonstrada. Essa é a realidade! Aliás, depois de 33 anos, nem é justificativa que se apresente.

 

Afirmam que, efetivamente, o que está mais que demonstrado, é que esta situação, implica que todos os meses milhões de euros ficam irremediavelmente perdidos nas Caixas de Reforma dos Países de Residência dos Ex-combatentes Emigrantes e que estes estão a ser escandalosamente lesados e consequentemente Portugal também.

 

Mais, o Secretário de Estado das Comunidades, António Braga, recebeu uma delegação da Associação dos Reformados e dos Ex-Militares/Ex-Combatentes Portugueses de França (ARMCPF) na Embaixada de Portugal em Paris no dia 23 de Novembro de 2005, e garantiu que o Governo antes do final do ano de 2005, apresentaria um diploma relativo à situação dos Ex-combatentes Emigrantes.

 

Como essa promessa foi enviada às “calendas gregas”, o mesmo estadista reiterou-a no dia 10 de junho deste ano no Luxemburgo e recentemente na última reunião do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas que se reuniram na Assembleia da República, de 24 a 26 de setembro, dando como etapa final o ano corrente. Lamenta-se que a credibilidade das promessas do Secretário de Estado das Comunidades, acabe por comprometer unicamente quem ainda acredita nelas.

 

Acrescentam, lembrando ao Primeiro-ministro, que, passados 33 anos do fim da Guerra Colonial, não reclamam que “limpe os estábulos do Rei Augeias”, que nem Hércules, mas que se cumpra o dever que o Governo, o Estado e, consequentemente, a Nação têm, sem decência, negado aos Ex-combatentes Emigrantes.

 

Finalmente, são veementes face a essa injustiça e à memória dos seus camaradas que já faleceram forjando neles uma profunda indignação e a vontade de continuar o combate para que o Tempo de Serviço Militar conte para efeitos de Reforma e Aposentação.

 

Meu comentário:

Meus amigos, chegada a hora de encerrar eu lhes digo: Acreditem, vocês leram direito, sim senhor! Vejam só, ... milhões de euros que deveriam estar benificiando justamente os Ex-combatentes “estão escoando pelo ralo” visto que estão sendo perdidos nos cofres das Caixas de Reforma dos Países de Residência dos Ex-combatentes Emigrantes e isso se deve a mera negligência do Governo. ... Durma-se com um barulho destes! ... E eu digo: “E agora José!”. ... Pois é! ... Porquê o Governo se omite? ... Note-se que no que me proponho a fazer não posso me prender a peias de partidarismos, eivadas de fanatismo, visto que perderia a isenção do direito à liberdade de expressão que a democracia me faculta.

 

Sem mais delongas nem alongamentos, já que o que acabo de lhes narrar é bem esclarecedor, não havendo, portanto, mais o que comentar efetivamente já que seria por demais doloroso repetir, bradando aos céus, o fato de tão digna e patriótica classe estar relagada ao menosprezo, traída pelos Governantes do País, tranformando-a de fato nos Desvalidos da Pátria da nossa História recente, submetendo-os, inequivocamente a uma das maiores injustiças já praticadas em Portugal, na era moderna, em termos de cidadania.

 

Isso chama-se, com todas as letras, INSENSATEZ, INGRATIDÃO, COVARDIA e TRAIÇÃO!!! Apenas isso! ... E isso envolve todos os “governos” do pós “O 25 de Abril”. ... Basta!... Que Deus lhes perdoe na hora do “Juízo Final”, se é que o Deus Glorioso será tão condescendente com essa atitude antipatriótica. ... Mas como Ele é Onipotente ... (?!)

 

Mas, com  tudo isso, a batalha continua no auge ... esses GUERREIROS são dos bons mesmo!

 

Rio de Janeiro – RJ, Brasil, 03/12/2007

 

Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil

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