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06/DEZ/2007
Crônica/Personalidade
Somos Cópias
Será o leitor
original ou cópia?! Já pensou nisso? Se não tem a certeza, venha
raciocinar comigo:
Todos nascemos originais, com alma que nos distingue dos outros,
ainda que nos aspectos físicos sejamos semelhantes.
É a educação, a escola, a sociedade, que nos vai transformando.
Começa-se a ser plasmado ao modo de pensar dos que nos rodeiam.
Adotamos a forma de vestir, de racionar e julgar, tal qual como o
dinheiro cunhado na Casa da Moeda, desde que seja do mesmo valor;
perdão: desde que sejam da mesma classe social.
Os que rejeitam a cunhagem, consideram-se excêntricos, vulgo:
malucos.
Normal, é o que estuda as mesmas matérias, aprende as mesmas
línguas, freqüenta os mesmos estabelecimentos de ensino. Normais,
são também os que lêem os mesmos livros, apreciam as mesmas
músicas e saboreiam as mesmas comidas.
O normal usa a mesma linguagem, emprega os mesmos vocábulos, as
mesmas frases feitas e ocupa as horas de lazer da mesma forma dos
demais.
Os homens normais repetem religiosamente as declarações dos
analistas e comentaristas da media e acatam, como dogmas, as
opiniões de figuras publicas.
Recusar a “ditadura” intelectual, argumentar causas com pareceres
germinados em aturadas reflexões, é ser excêntrico, a não ser que
seja consagrado, a esse, desculpa-se o grão na asa.
Mas, na verdade só o “rejeitado” se mostra original e é ele
próprio; os normais, são cópias e estão sempre com a maioria.
E a maioria, como se sabe, é acéfala. Pensa e diz o que os outros
pensam e dizem.
Mas é difícil ser “excêntrico” devido à massificação e à força da
massa-mídia. Só os de personalidade forte conseguem estar com o
eu.
Basta militar na política, clube desportivo ou cultural, ingressar
numa grande empresa ou mesmo participar numa tertúlia, para se
perder a liberdade.
Para progredir, ser alguém na profissão e se é noviço, há que
aceitar o pensar dos lideres.
Paulatinamente, sem se saber como, copiam-se modos de dizer,
trejeitos, tiques, posturas, hábitos dos que convivem conosco.
Lentamente, todos ou quase, se transformam em grotescas repetições
ou cópias.
Humberto Pinho
da Silva
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