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17/NOV/2007
Política
KOSOVO – Uma Paz Cara
O exemplo duma política européia
falhada
Na província do sul da Sérvia, no Kosvo, realizam-se hoje eleições
para o parlamento desta província. Entretanto decorrem as
conversações, a nível internacional, no sentido desta província
sérvia, administrada desde 1999 pela UNO, alcançar um novo
estatuto, a nível de direito internacional.
Desde a guerra civil da Sérvia a população islâmica do Kosovo (Amselfeld)
quer-se tornar independente. A paz, entre as populações ortodoxas
mais a norte e as muçulmanas a sul, só tem sido mantida em parte
devido à administração do Kosovo pelos representantes da ONU e à
forte presença militar internacional. A população islâmica (90%)
quer criar fatos históricos, o reconhecimento da independência,
porque, doutro modo nunca daria provas de aceitar o
multiculturalismo, condição que, a ser realizada de fato, iria
impossibilitar a independência.
Querem uma independência controlada pela União Europeia; uma
exigência fácil para uma região sem condições de fato para a
independência. Depois a Europa que pague a factura. Interesses da
ortodoxia nacionalista colidem com interesses do Islão hegemónico.
A América alargou a sua zona de influência ao Cáucaso podendo vir
a estacionar foguetões na Europa do Leste. A Rússia sabe que,
mantendo a sua influência sobre o Kosovo, pode estacionar
foguetões naquela província, sem ameaçar a própria segurança
interna.
O Kosovo é o berço da nacionalidade Sérvia, a que a minoria sérvia
não quer renunciar. O assunto não é fácil para a Europa, duma
maneira ou doutra, a região continuará a ser fonte de conflitos e
preocupações para toda a Europa.
Os muçulmanos, só aguentam o jugo do infiel, enquanto se acham em
minoria, depois determinam eles o caminho.
A Europa, porém, confia poder levar a maioria muçulmana a um
processo democrático europeu comprando a paz com dinheiro.
Desconhece a força da religião e a vontade exemplar do povo árabe
que vê a sua melhor maneira de ganhar força no mundo espalhando o
Islão. Na consciência de que os sistemas económicos e políticos
passam, esta é a verdadeira estratégia. Ao fim e ao cabo só
repetem, por outros meios, o que os portugueses (no tempo em que
ainda tinham convicções e vontade) fizeram no século XV e XVI:
espalhar o império através da fé.
Contra as pessoas e a pobre população falam os interesses
políticos e estratégicos da USA-EU e da Rússia, e os interesses da
Ortodoxia e do Islão. Este tem aqui a melhor porta para a Europa.
Também poderia ser uma maneira de aplanar os caminhos para a
marcha da Turquia para a Europa.
A população sérvia concentra-se no norte do Kosovo. Por outro lado
na Sérvia também há grupos minoritários de muçulmanos. Uma
constelação propícia à discriminação e à desforra dum e doutro
lado. E uma Europa que aumenta a herança do seu futuro dentro das
suas nações não se preocupa em resolvê-los a nível de base na
Sérvia e sua província do kosovo.
Os políticos europeus mantêm-se calados sobre os verdadeiros
problemas de fundo porque querem levar à frente, sem que a
população europeia acorde, um projecto que irá custar muito
dinheiro a pagar no futuro, também pelos países da periferia
europeia. Para desviar as atenções vão mostrando imagens
conciliadoras e belas da cidade de Prestina para impressionar um
Ocidente populacional desinformado e incauto. Esquecem de mostrar
as muitas casas abandonadas pelos sérvios na fuga ao medo da
população muçulmana. Antes tinham os muçulmanos medo dos sérvios,
hoje têm os sérvios medo dos muçulmanos.
A antiga Jugoslávia, uma sociedade multicultural, encontra-se sob
o flagelo das tendências nacionalistas, racistas e hegemónicas.
Uma Europa que apregoa e defende por todo o lado no seu seio as
sociedades abertas e a multicultura tem duas palavras e duas
medidas. Na política que tem feito em relação à antiga Jugoslávia
não só defende o contrário como tenta criar fatos consumados.
Dão-nos já a cheirar os problemas europeus do futuro que tem
assentado mais em ideologias do que na realidade dos povos. Os
sérvios viam os muçulmanos com maus olhos e discriminavam-nos
considerando-os como primitivos. A virilidade muçulmana sempre
meteu medo à Sérvia.
A política parece só entender e dar razão à fala das armas e da
intolerância. Interessante que também há ressentimentos e
discriminações, dum lado e doutro, contra os ciganos. Como não
exigem uma forma de estado territorial não são tomados a sério.
Quem com ferros mata com ferros morre.
Não é com uma independência leviana que se resolvem os problemas.
Esta leviandade já foi cometida pela Europa quando interveio,
contra o direito internacional, na Jugoslávia em defesa de
interesses alemães e americanos. As mesmas forças procuram
convencer povos incautos a efectuar a independência do Kosovo. A
Europa, se quer ser credível, deverá treinar na antiga Jugoslávia
o multiculturalismo e a tolerância que apregoa para a Europa. É
preciso desmontar o ressentimento aninhado em ortodoxos e
muçulmanos mas de maneira realista.
Doutro modo, o mesmo direito que têm os muçulmanos do Kosovo,
porque o não devem ter os bascos, os curdos e tantos outros grupos
que, por esse mundo fora, não se sentem em casa? Com o
reconhecimento da independência a um grupo étnico cria-se um
precedente com consequências catastróficas em muitas regiões do
mundo.
A Europa apoia o desmantelamento e indirectamente dá razão a uma
cultura do ódio. A convivência entre muçulmanos e ortodoxos numa
relação inter-cultural baseada no respeito pela pessoa humana e
não tanto em estruturas culturais seria um bom exemplo e uma boa
oportunidade para a aproximação do Islão e do Cristianismo. O
problema é que a política só liga a grupos e estruturas
trabalhando à margem e à custa duma população sérvia e muçulmana
sacrificada
António da
Cunha Duarte Justo
Da
Alemanha
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