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Artigo » Por Gaspar Nunes

13/NOV/2007

Emigrantes

O Momento da Diáspora – 10

O Governo promete investir nos Emigrantes

 

Segundo notícia publicada no site da Agência Lusa em 26/09/2007 – conforme narro abaixo, em transcrição editada, com o meu comentário ao final –, o Secretário de Estado das Comunidades, António Braga, disse, naquela oportunidade, que a área social, o ensino, a educação e os jovens Luso-descendentes são as principais prioridades do Governo em matéria de emigração para o próximo ano.

 

Em 2008, o programa 'Estagiar em Portugal', que permite aos jovens portugueses e Luso-descendentes a viver no estrangeiro a realização de um estágio profissional numa empresa portuguesa, "vai ser reforçado", disse aos jornalistas António Braga para destacar os investimentos que vão estar previstos no Orçamento de Estado do próximo ano no que toca às Comunidades Portuguesas.

O Secretário de Estado adiantou que vai ser renovada a cooperação na área da juventude através de programas dirigidos aos jovens Luso-descendentes.

 

De acordo com António Braga, a cooperação vai ser feita em parceria com instituições das Comunidades.

 

O Governo vai igualmente investir na área social através de um reforço dos programas de Apoio Social aos Idosos Carenciados das Comunidades Portuguesas (ASIC) e o de Apoio Social a Emigrantes Carenciados (ASEC), salientou.

António Braga disse ainda que no próximo ano a reestruturação consular vai continuar a ser uma prioridade, pretendendo o Executivo renovar os equipamentos e modernizar os serviços em cada posto consular.

 

O Secretário de Estado, que não avançou com números, referiu que o Ministério dos Negócios Estrangeiros vai elaborar "um orçamento à luz das restrições" que o Governo tem mantido até agora para equilibrar as contas públicas.

 

Meu comentário:

Sem dúvida, essas notícias são bastante alvissareiras para as Comunidades Portuguesas no exterior principalmente para os Luso-descendentes e, particularmente, para a Juventude Luso-brasileira, desde que convenientemente planejadas. De fato, “reforçar” a possibilidade de fazerem um estágio profissional em empresas portuguesas, estabelecidas em Portugal, é algo de muito relevante e, como tal, deverá ser aproveitado em sua plenitude. Entretanto, só espero que o fato de que isso funcionará em parceria com instituições das Comunidades leve a que as coisas sejam feitas com a devida transparência, isto é, com as mesmas chances para todos, independentemente da sua classe social, portanto. Ou será que tudo isso acontecerá por trás das cortinas na base do nefasto e execrável compadrio do poder econômico?

 

Porém, quanto aos Emigrantes Idosos carentes nos países onde circunstancialmente mantêm residência, o valor de benefício do ASIC é insignificante para suprir as suas reais necessidades de sobrevivência, embora, apesar de ser apenas migalhas, seja bem-vindo para alguns poucos que dele usufruem. E digo alguns poucos porque – salvo aqueles que ouvem alguns Programas de rádio direccionados às Comunidades, particularmente o Programa “SELECÇÕES PORTUGUESAS”, de Oliveira Nunes, dominicalmente na Rádio Bandeirantes, do Rio de Janeiro, onde o mesmo se empenha em informar os ouvintes sobre isso e muito mais – muitos desconhecem esse direito, tal a situação de desinformação e abandono em que se encontram relegados pelo Governo. E esse abandono bem que poderia ser suavizado se as autoridades instituídas se empenhassem em prestar a devida assistência social fazendo-os, destarte, sentir-se, efetivamente, como verdadeiros cidadãos portugueses. Mas, sobre este tema, sinceramente, não sou nada otimista até porque, no mínimo, o Governo deveria promover a indispensável divulgação junto às Comunidades e, ao que parece, não o fazem para, simplesmente, economizar verbas. E os Emigrantes Idosos e carenciados que se lixem! Isso sim, trata-se de uma omissão desumana em último grau.

E, quanto ao tema do ASEC, não me vou pronunciar visto que, no momento, não é um assunto que domino plenamente, o que seria indispensável. Mas, quem sabe futuramente aborde esse tema!

 

Veja-se como o Governo vem sempre com a desavergonhada apelação de “elaborar um orçamento à luz das restrições”. Mas, afinal, o que significam exatamente essas tão aludidas, cantadas e decantadas, “restrições”? Porque nunca se sai dessa situação de uma estagnação social que tanto deixa a desejar? Porque não encontram uma fórmula viável para equacionar as obrigações para com os cidadãos? Atente-se que, afinal, essa conversa vem sendo sistemática desde a tão aplaudida e desejada mudança de regime em face de “O 25 de Abril” que, aliás, para muitos, acabou por se tornar numa tremenda desilusão. Mas, sem dúvida, essa mudança era necessária. “E agora José”, o que fazer?

 

Aliás, atente-se e reitere-se que nunca será demais lembrar insistentemente a triste realidade que é o ostracismo a que os Ex-combatentes estão jogados, o que parece ser uma “chaga sem cura” já que os governantes não demonstram qualquer interesse em fazer justiça em prol de tão injustiçada, digna e patriótica classe, a quem, afinal, a Nação não só lhes deve o cumprimento do ressarcimento pelas suas perdas mas também, acima de tudo, pela valorosa defesa da soberania da Nação quando para tal foram mobilizados, devendo-lhes, portanto, no mínimo, o reconhecimento ao direito a um complemento de Pensão justo, quando do requerimento da sua Reforma. Porque o Secretário não aborda esse tema? Será que é tabu? Ou será covardia? Seria relevante que ele se manifestasse condignamente sobre esse tema.

 

Enfim, o Governo tem que deixar de lado essa envelhecida, apodrecida e mal-cheirosa retórica que prega há mais de 33 anos e assumir, de uma vez, a responsabilidade de dar aos cidadãos o que lhes cabe de direito, resolvendo as questões sociais que, na verdade, são uma verdadeira vergonha não só a nível nacional como internacional, inclusive desrespeitando os preceitos não só da Constituição Portuguesa como da Lei da União Européia. Para isso é que eles são eleitos pelo Povo e, como tal, teriam de trabalhar para justificar esse voto em vez de, ressalvadas as exceções, quiçá, presumível e simplesmente, se acomodarem a mamar na “teta” da Nação, ou seja, às custas do erário público, usufruindo de salários privilegiados por excelência, além de principescas outras benesses, o que os leva a lutar com unhas e dentes para lá permanecer em futuros mandatos.

 

Finalmente, no que concerne à modernização dos Consulados equipando-os convenientemente, isso também é uma boa notícia porque, afinal de contas, os Consulados ainda trabalham em condições um tanto arcaicas quando não precárias, impondo-se a sua modernidade para que melhor possam atender às necessidades dos cidadãos emigrantes residentes nas respectivas áreas de sua jurisdição. Então, será muito bem-vinda essa bendita modernidade. Porém, não será suficiente o prometido investimento em instalações e/ou equipamentos pois que é fundamental o investimento na qualificação do pessoal ao serviço dos mesmos, não só no seu desempenho profissional como na qualidade do trato humano, caminhando, assim, a par e passo com o mundo globalizado dos dias de hoje. Os emigrantes são cidadãos e, como tal, merecem! Por isso, vamos ver para crer!

 

Com a palavra o Governo.


Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil

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