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Artigo » Por Gaspar Nunes

12/NOV/2007

Cargo Político

Subvenções Vitalícias para Ex-Titulares de Cargos Políticos

Uma Verdadeira Afronta aos Cidadãos Comuns

 

Segundo notícia de autoria de António Sérgio Azenha publicada no site do Jornal Correio da Manhã de 02/11/2007 – que transcrevo editada abaixo, seguida do meu comentário –, João Cravinho, Odete Santos e Marques Mendes, ex-deputados do PS, PCP e PSD, respectivamente, pediram, no decurso deste ano, a atribuição da Subvenção Vitalícia mensal, ou seja, uma Pensão Complementar concedida para toda a vida aos ex-titulares de cargos políticos. O antigo parlamentar socialista, que renunciou ao mandato de deputado em Janeiro deste ano para assumir o cargo de administrador no Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), já tem a Subvenção atribuída, mas os processos de Odete Santos e Marques Mendes estão ainda em fase de apreciação.

 

Isso mesmo, um Complemento de Reforma para toda a vida para Cravinho, Odete e Mendes que, segundo a Assembléia da República, foram os únicos ex-deputados que solicitaram, no decurso deste ano, a Subvenção Vitalícia.

 

Eleito em 1976, João Cravinho tem 30 anos de vida parlamentar e governamental. Como “a Subvenção Vitalícia é calculada à razão de 4% do vencimento base por ano de exercício, correspondente à data da cessação de funções em regime de exclusividade, até ao limite de 80%”, segundo a Lei nº 26/95, tendo em conta que recebe o Salário Bruto mensal de 3.631 euros de deputado, Cravinho, poderá receber cumulativamente, uma Pensão Vitalícia de quase 3.000 euros por mês.

Odete Santos tem também uma longa experiência parlamentar: eleita em 1980, a ex-deputada do PCP conta com 27 anos de deputada. O seu processo está em apreciação na Caixa Geral de Aposentações (CGA) e poderá receber uma Pensão Vitalícia mensal próxima de 3.000 euros.

 

Já o processo de Marques Mendes, que tem 20 anos de carreira parlamentar e governamental, está ainda em análise no Parlamento. Mendes poderá receber uma Pensão Vitalícia acima de 2.000 euros.

A despesa anual com as Pensões Vitalícias de 383 ex-titulares de cargos políticos será de 7,8 milhões de euros, em 2007. No Orçamento do Estado para este ano prevê-se um custo anual de 7,6 milhões de euros, mas, segundo o cálculo da própria Caixa Geral de Aposentações (CGA), aquela verba foi aumentada para 7,8 milhões de euros, um acréscimo de 2,1% face ao previsto inicialmente.

 

Com esta revisão orçamental, a despesa com as Subvenções Vitalícias em 2008, ao ascender a 8 milhões de euros, como prevê a proposta do Orçamento do Estado, terá um acréscimo de 3,2 %. A Subvenção Vitalícia foi extinta com a Lei nº 52-A/2005, mas cerca de 30 ex-deputados ainda podem beneficiar dessa Subvenção.

Em tese, 20 anos foi o período em que esteve em vigor a Lei nº 4/85, de 9 de Abril, que atribuía a Subvenção Vitalícia aos titulares de cargos políticos.

 

Por outro lado, 10 de Outubro de 2005 foi o dia em que a Lei nº 52-A revogou a Subvenção Vitalícia. Porém, esta ainda pode ser pedida por quem, àquela data, adquiriu esse direito ou reúna, até 2009, condições para dela se beneficiar.

A Lei nº 4/85, ora revogada, diz que “os membros do Governo, os deputados à Assembleia da República e os juízes do Tribunal Constitucional que não sejam magistrados têm direito a uma Subvenção Vitalícia mensal”.

 

Quanto ao período temporal para obter a Subvenção Vitalícia, começou por ser necessário exercer as funções, após “O 25 de Abril”, durante oito ou mais anos consecutivos ou interpolados. Mais tarde, o limite temporal aumentou para 12 anos.

 

A Subvenção Vitalícia mensal é, segundo o artigo 25 da Lei nº 26/95, calculada “à razão de 4% do vencimento base por ano de exercício, correspondente à data da cessação de funções em regime de exclusividade, até ao limite de 80%”. E “é acumulável com Pensão de Aposentação ou de Reforma”. É processada quando o titular atingir 55 anos de idade.

 

Meu comentário:

Eis abaixo mais uma verdadeira “colcha de retalhos” por mim montada com uma edição mais uma vez inspirada em trechos de diversos comentários de alguns cidadãos, publicados na Internet, com referência à matéria em causa, os quais me pareceram interessantes para o efeito e, por isso os reforço aqui. Então vejamos:

 

Quem tem moral para mandar apertar o cinto ao “Zé-povinho”? ... Comem a carne e deixam-nos os ossos ... Os políticos, os Bancos, as Seguradoras, etc., são sempre os mesmos a comer, ... arre!!! ... A malta tem que agüentar até aos 65 anos e isto se não for mais tarde ainda. Para conseguirmos a nossa Reforma quase que temos de morrer de velhos a trabalhar.

 

Há milhares de pessoas idosas com Reformas de 280 euros por mês e não há possibilidade de as mesmas serem aumentadas. No entanto, para esses senhores(as) pode-se gastar 8 milhões de euros do Orçamento do Estado, ou seja, do erário público, por ano, só para as suas Subvenções Vitalícias além das Reformas normais a que têm direito.

 

O POVO acha (com razão) que eles só deviam ter direito à Reforma com a mesma idade dos “outros trabalhadores”, 65 anos. ... Sabem como é que é! ... Afinal, qual foi a grande contribuição que eles deram para o desenvolvimento do País?

 

Enquanto a maioria dos portugueses, ou se reformam com Salários de miséria, ou, o que é pior, mesmo que doentes, não os reformam e, como tal, morrem a trabalhar, esses e todos os outros senhores(as) da classe reformam-se com chorudos Salários mais os “tachos” garantidos como complemento para a sua “sobrevivência”!

É de uma crueldade tamanha ouvir-se falar de tamanhas Pensões. Pensem na maior parte dos idosos em que a sua Reforma não chega nem para os medicamentos, e estas pessoas cheias de privilégios, a ganhar acima dos 2.000 euros mensais. Se a Constituição nos consagra os mesmos direitos e eles não nos são concedidos, então?! ... Bem, se isso é democracia ...

E para os Ex-combatentes, ... nada! ... Longe de termos comparativos, Subvenção Vitalícia merecem sim aqueles que defenderam a Pátria quando foram chamados para a defender e não aqueles que, em alguns casos, fugiram ou até estavam contra Ela. Mas, infelizmente, isso não acontece em benefício dos que deram a vida ou a arriscaram em prol da Sociedade, ou seja, da integridade da Nação. Em contrapartida, os que sempre viveram num mar-de-rosas ainda são "premiados" com essa polpuda e principesca Subvenção que lhes é atribuída ao abrigo de legislação criada e imposta por eles mesmos. É mesmo uma vergonha cumulada de uma tristeza imensa essa realidade. Mas, como dizem os conformados: É a vida! ... Mas eu não sou um conformado e nem poderia ser!

 

E não é que, ao que consta, o próprio Saramago não abdicou do dinheiro do prêmio Nobel em favor de alguma causa nobre! ... Que pena! ... Tudo isso é uma grande pena! Onde está a moral?

Tanto discurso acirrado para quê? ... Mas, o pior é que ainda há quem acredite. ... Afinal, onde é que estão as prioridades sociais? Infelizmente, quer votemos ou não, o lugar deles está garantido!

Já agora, aqui para nós que ninguém nos ouve: “senhores(as)” deputados(as), vocês não poderiam inventar também por aí um subsidiosito de emigração? ... É que nós que andamos a dar o couro cá fora para ganhar mais algum (a maioria apenas para sobreviver), também somos gente! Vamos lá! Dêem um jeitinho! Vocês, se quiserem, até podem ser “bonzinhos” ...

Para encerrar, o mais alarmante é que dizem as más línguas que o que vale é que o POVO tem esperança ... de uma nova Revolução.  Uma Revolução deveras redentora! ... Será?!

Continuo a dizer: “já vi esse filme”! ... E repito: até parece que estou falando de outro País (?!).

Oh Capitães de Abril, como fostes traídos! ... Bradai aos Céus! ... Amém!!!

E assim vai, o nosso País, "o Jardim da Europa", à beira-mar plantado!!!

 

Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil

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