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03/NOV/2007
Futebol/Scolari
Aí está o que sempre esperei
Aí está, meu caríssimo leitor, o que
sempre esperei de toda aquela lamentável cena de que foi principal
protagonista Luís Filipe Scolari: a UEFA transformou um mau e
singular exemplo em coisa de nada. Porque o leitor já vê: o que
são quatro jogos de suspensão e uns pequenos milhares de euros de
multa? Nada! De fato, uma autêntica vitória!!
Aqui está, pois, como o ilícito pode compensar, contrariamente ao
que se contém no conhecido ditado popular digno de registo. Em
todo o caso, uma compensação que poderá, num futuro não muito
longínquo, vir a revelar-se uma fonte de regresso àquela marca que
se tornou típica das seleções que nos representam no futebol. A
ver vamos...
Sempre esperei por um resultado desta ordem de grandeza, até
porque o próprio Presidente da República, ao referir que a cena
foi lamentável mas que poderá ser determinística, dado ter
ocorrido lá dentro do terreno de jogo, para mais quando ele é
apenas um espectador de sofá, acabou, de facto, por colocar o que
é inevitável acima do que é lamentável. Ou seja: se é lamentável e
inevitável, bom, é inevitável! E se é inevitável, terá de ter
atenuantes!!
A esta distância e perante o saldo que agora se pôde ver, que
pensará, por exemplo, Eric Cantona? Todo o seu azar foi não ter
nascido em Portugal, dado que aqui tudo é sempre nada. Com uns
programas de televisão, uma ou outra entrevista de gente branda e
simpática, a coisa lá passa, com todos na melhor das boas pouco
tempo depois.
Da mesma sorte não pode alegrar-se o jogador sérvio, que se viu
agredido e punido! Qual direito do desporto, qual UEFA, qual quê?!
Quando chegou o momento de apreciar o que sempre seria punido como
se tem visto com mil e um por esse Mundo fora, lá veio à
superfície a realidade que é a decisão humana. As coisas são como
são.
O que hoje se pode perceber já bem é esta realidade muito
portuguesa: a vitória de Salazar no recente concurso veio mostrar
o que sempre vi no tempo da minha infância e da minha juventude,
ou seja, que os portugueses, fingindo não ver, lá iam tolerando e
mantendo o velho político e o seu regime constitucional. E esta
característica tão lusitana que fez com que Luís Filipe Scolari
tivesse arrastado os portugueses e a alma lusitana como se viu. A
mesma característica que leva agora uma boa imensidão de
portugueses a estar-se nas tintas para o gesto do brasileiro.
Com tempo, virá a poder ver-se que a tal indisciplina crónica dos
jogadores ao nível da selecção está viva, potencialmente
aguardando um momento para se voltar a manifestar. Foi retida, em
essência, graças às características autoritárias de Scolari,
sempre acompanhadas daquela mão amiga de velho pai durão.
Por esta razão, entendendo que a era Scolari chegou ao fim, a
verdade é que uma personalidade forte como Mourinho pode ser a
solução para o futuro estratégico da nossa equipa principal de
futebol. A única ausência é a da idade de velho pai durão, e
também a distância que resultava de Scolari não ser português.
Enfim, é o futebol em Portugal...
Hélio
Bernardo Lopes
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