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Artigo » Por Gaspar Nunes

25/OUT/2007

 

CCP Mundial

O Momento da Diáspora – 9

A Cidadania e a dignidade dos Emigrantes

 

Segundo notícia publicada no site da Agência Lusa em 26/09/2007 – conforme apresento abaixo, em transcrição editada, com o meu comentário ao finalos deputados da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros decidiram que a nova Lei do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) seria votada na especialidade a 3 de Outubro.

 

Na oportunidade, no final de uma reunião com os 15 membros do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, órgão que tutela o CCP na Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros, o seu coordenador, deputado Renato Leal, disse aos jornalistas: "Na próxima semana, a Lei vai ser votada na especialidade, subindo depois a plenário para ser aprovada".

 

Renato Real sublinhou que os deputados se comprometeram em avançar "rapidamente com a Lei", para que ela possa entrar em vigor "o mais depressa possível".

 

A nova Lei – que prevê a redução dos atuais 100 conselheiros para 73, dos quais 63 são eleitos e 10 nomeados – foi discutida em Março no Parlamento, tendo na altura baixado à Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros para ser debatido na especialidade.

O deputado do PSD eleito pela Emigração, José Cesário, criticou o Governo e o PS pela "incapacidade de concretização das medidas anunciadas", considerando que esta legislação "já deveria estar aprovada há muito tempo".

 

Por sugestão do PSD, a Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros iria pedir a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, no Parlamento a 3 de Outubro.

 

Na reunião, os membros daquele órgão de consulta do Governo em matéria de emigração manifestaram aos deputados quais os pontos de discórdia e apelaram para que sejam introduzidos na proposta do Governo que se encontra em debate na referida Comissão.

 

Os membros do CCP não concordam com a nomeação de conselheiros, alegando que o atual Conselho já tem membros das comunidades madeirenses, açorianas, luso-eleitos e dirigentes associativos. "Juntar conselheiros eleitos por sufrágio universal e nomeados no mesmo órgão vai criar um mal estar", disse Carlos Pereira, presidente do CCP.

 

Carlos Pereira adiantou que os conselheiros estão também contra a criação de um Conselho Consultivo da Juventude, considerando que se trata "de um órgão anexo e não se sabe propriamente quais as funções".

 

O mesmo responsável defendeu a necessidade de implicar os jovens na vida cívica mas não através da criação de um Conselho Consultivo da Juventude dentro do CCP.

 

Os conselheiros estão igualmente contra a redução do número de membros do CCP, defendendo que se deve manter o número atual de 100.

 

Sobre as propostas apresentadas pelos conselheiros, o deputado socialista não se pronunciou quanto à possibilidade de serem acolhidas pelo PS, referindo que vão ser discutidas entre os deputados.

Os partidos da oposição são unânimes ao se manifestarem contra a nomeação de conselheiros e, à exceção do CDS/PP, também estão contra a criação de um Conselho Consultivo da Juventude.

 

Meu Comentário:

Os acontecimentos recentes demonstram que, da mesma forma que os sucessivos Governos pós “O 25 de Abril” evidentemente que “estão-se nas tintas” para a Regulamentação da Lei dos Ex-combatentes, ou seja, a Lei nº 21/2004, de 06 de Junho – que diz ao seu Artigo 3.º - A legislação complementar e regulamentação necessárias para aplicação integral do disposto na presente Lei serão aprovadas pelo Governo no prazo de 60 dias a contar da sua entrada em vigor –, que, em cumprimento à Lei, deveria estar a vigorar desde 4 de Agosto de 2004 (há mais de 3 anos, portanto) – referentemente aos direitos dos Ex-combatentes Emigrantes.

 

Da mesma forma, é evidente que todo o Povo Português Emigrante está inequivocamente sendo, mais uma vez, vítima da insensatez do Governo que, desde Março p.p., está violando as determinações da Lei do Conselho das Comunidades Portuguesas, ainda em vigor, deixando de promover as eleições do novo Conselho (CCP), gerando, assim, uma situação anacrônica e vergonhosa, alegando a necessidade de decretar um a Nova Lei do CCP, o que, afinal, já deveria estar resolvido desde então.

 

O fato é que, ideologias à parte, independentemente da inércia – quiçá cumulada com a inépcia – do Conselho atual, como um todo, onde, ao que consta, lamentavelmente, a grande maioria dos seus membros não justificaram nem justificam (e não justificarão jamais) qualquer merecimento pelos votos a eles atribuídos (dados de mão beijada) por pessoas que neles confiaram.

 

Ressalvando-se as exceções, trata-se de pessoas cujo poder econômico privilegiado e cuja “esperteza” – aliás, todos sabemos que isso é via de regra nos meandros da política – os leva a urdir artimanhas para conseguir aliciar dezenas ou até centenas (quando não milhares) de pessoas crédulas, iludidas de que vão ser beneficiadas, as quais, em sua boa-fé, praticamente os colocam nesses cargos onde usufruem de benesses, sem que eles disso necessitem, como viagens a Portugal, entre muitas outras regalias pagas pelo erário público, ou seja, por todos nós Povo ou, simplesmente “Zé Povinho” – como, aliás, sempre somos tachados. Ainda se, pelo menos, cumprissem com os seus deveres de presumíveis representantes da Emigração ...! ... Mas aonde? ... Como? ... Se, de todo em todo, o Governo não os prestigia, então que tomem uma atitude digna entregando o Conselho ao Governo ... e ponto final. Aí a anarquia fica sacramentada de vez e o Governo que resolva. Afinal, para que serve um Conselho desacreditado, um Conselho que não funciona ou que não passa de uma instituição meramente figurativa, de onde se presume que as pessoas são tratadas como meros fantoches?

Entretanto, não lhes bastando o dinheiro e até da ostentação de comendas, observa-se que são sempre os mesmos a pleitearem esses cargos impedindo uma renovação mais democrática, com a eleição de pessoas que sejam Povo – ou que com eles de fato se identifiquem – e que de fato estejam dispostas a fazer algo pela Diáspora, ou seja, pelos Emigrantes Portugueses espalhados pelo mundo. E como, na verdade, se trata de pessoas que formam uma verdadeira “máfia” abrigados no compadrio que os torna fortes o suficiente para distribuírem os cargos entre si e, dessa forma, alimentando um ego que nem Freud explicaria, os eleitores deveriam refletir bastante para dar o seu voto a alguém que efetivamente tenha uma proposta de bem-fazer em prol da Emigração que, afinal, está farta de ser enganada tanto pelo Governo, como pelos senhores do Parlamento, quanto por todos aqueles que deveriam tudo fazer para cumprir os seus mandatos condignamente, na premissa de que se trata de uma obrigação e não para simplesmente fazerem turismo locupletando-se e ufanando-se de serem Conselheiros da República (excelências?!). ... Grande coisa, ... ora bolas! ... Mas isso até que poderia ser válido se ... (?!)! ... Mas tudo não passa de uma quimera, o que é uma pena!

 

E por aqui me fico, por hoje, com a promessa de que, oportunamente, voltarei a este tema pois que não poderemos permitir que nos reste continuar a manifestar o desabafo de sempre ao dizer que “tudo continua como dantes no quartel de Abrantes”. ... Ou será que teremos! ... Aí será melhor pegarmos o boné e irmos para a praça jogar sueca como já tantos o fazem, “deixando a água rolar por baixo da ponte”, acabando-se nos seus dias, envolvidos nessa triste sina, sem qualquer perspectiva de vida, ou seja, a perspectiva que deveria ser de uma velhice, tanto quanto possível, digna e saudável.

 

Se assim for, coitados dos Emigrantes Portugueses, estarão condenados a um eterno ostracismo acobertado pela malandragem dos “poderosos” que continuarão a espezinhar as nossas Comunidades Emigrantes, às quais, afinal, alguns deles também pertencem, praticando apenas o que vem ao encontro dos seus interesses pessoais em detrimento do bem-estar de todo o POVO.

 

Socorro!!! ... Pelo amor de Deus!!! ... Que alguém me ajude dizendo-me o que poderemos fazer para mudar este estado de coisas? ... Vamos mostrar a essa gente que todos somos CIDADÃOS!!!

 

Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil

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