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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

21/OUT/2007

Drogas/Portugal

Muito Significativo

 

Com uma periodicidade já conhecida, em todo o caso sem grande efeito, talvez mesmo sem qualquer utilidade, lá nos surgiu um novo relatório sobre o consumo de drogas em Portugal e onde também se faz referência ao respectivo custo.

Do que foi possível ouvir, há conclusões que se podem já retirar. Desde logo, que o extasy é hoje uma droga muito procurada e com um preço que vem crescendo. Um fenômeno social que é especialmente preocupante, uma vez que, ao que creio, tal droga é consumida, acima de tudo, por gente jovem, freqüentadora da vida noturna.

De igual modo, foi possível saber que todas as restantes drogas estão a chegar ao mercado consumidor a preços cada vez mais baixos. Uma vez que o consumo de estupefacientes, mormente cocaína e haxixe, tem claramente vindo a subir, tal só pode significar um crescimento rápido da oferta. E, ou bem me engano, ou esse crescimento é hoje muitíssimo veloz. De um modo para mim indubitável, cresceu velozmente a entrada de estupefacientes em Portugal, tal como o seu consumo e a distribuição de tais produtos para o restante da União Européia.

Tem, realmente, de ser assim, porque se pode hoje constatar, em paralelo, um crescimento da violência no seio da sociedade portuguesa. Ao mesmo tempo, impera uma completa impunidade sobre quem possui bens, sem que se conheça, ou faça por isso, a respectiva origem. A recusa da legislação de João Cravinho sobre o enriquecimento ilícito transformou-se em mais uma garantia do estado de impunidade que se instalou no País.

Mas há fatos exteriores a Portugal que se ligam perfeitamente a este ambiente. Um desses fatos é o que se está a materializar nas dúvidas lancinantes das autoridades judiciárias espanholas, que começam agora a acreditar que a vasta região da Andaluzia poderá estar contaminada, digamos assim, com o mecanismo de corrupção do tipo ocorrido em Marbella, e ao nível da generalidade das autarquias.

Ao mesmo tempo, e à luz de um mecanismo recorrente, continuam as prisões de guardas e oficiais da Polícia Militar do Brasil, envoltos em situações graves de corrupção e em redes ligadas ao tráfico de estupefacientes. E quem diz Brasil, diz Guiné, ou Cabo Verde, ou São Tomé e Príncipe, ou Venezuela, onde, num verdadeiro ápice, a tal cassete do aeroporto onde foram apanhadas as tais duas malas desapareceu... Ou antes: nem nunca existiram! E já agora, caro leitor: que será feito das referidas malinhas...? Já reparou que as ditas até vinham para o Porto, mas que nunca mais delas se ouviu falar...?

Finalmente, o mais recente mega-escândalo com substâncias dopantes nos Estados Unidos, ligado ao mundo do desporto. De fato, é toda uma mentalidade imoral que se vai espalhando pelo Mundo, pela mão do neoliberalismo e da globalização. Uma mentalidade imoral que deriva desta mais que expectável realidade: com um Estado minguante, com uma progressiva privatização de quase toda a vida social, o resultado terá, como é evidente, de ser este mesmo. É o tempo do vale tudo e do salve-se quem puder. É a dita democracia no seu ínfimo moral.


Hélio Bernardo Lopes

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