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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

22/OUT/2007

Comunidade/Menezes

E assim tudo se fez nada!

 

Desde o primeiro momento em que Luís Filipe Menezes se apresentou como candidato à liderança do seu partido, que ao meu espírito acorreu um seu artigo de opinião, publicado na edição de meados de Julho de um grande diário nacional, onde abordava as problemáticas do social e do socialismo.

Lembro-me muitíssimo bem de ter rido bastamente para com quem comigo se encontrava a tomar o café de pós-almoço, na sequência da leitura desse texto de opinão, desse modo chamando a atenção dos meus companheiros de refeição. Um almoço que se materializara numa magnífica feijoada.

Ri desse modo, porque o que Luís Filipe Menezes escrevia nesse texto era tudo e era nada. Tratava as problemáticas do social e do socialismo a um ritmo tipificado por explicar o inexplicável e por misturar conceitos e ideias, objetivos e desejos. Tudo naquele artigo de opinião valia, em boa verdade, rigorosamente nada.

Devo dizer aos meus leitores quatro coisas: é minha convicção profunda que Luís Filipe Menezes é um médico de indiscutível qualidade, que por aí se realizou no plano profissional; e também que de si deixa transparecer uma inteligência elevada; que terá vindo a dar mostras de ser um autarca realizador e com capacidade de comando e controle sobre os mil e um problemas, de todo o tipo, que um autarca tem de dirimir; mas também que a sua visão política da vida do País vagueia ao sabor de impulsos, muitas vezes justos, mas que acabam por gerar uma má imagem política de si próprio.

Isso mesmo se havia já visto naquele célebre congresso do PSD, onde abordou a questão do tal grupo sulista. Ora, ele até tinha a mais cabal razão, como eu mesmo pude ver, por exemplo, com a extrema má vontade de muitos dos tais dirigentes políticos sulistas para com Rui Garcia de Oliveira ou José Vieira de Carvalho, entre tantos outros dirigentes políticos nortenhos.

Mas há que evitar conceder aos adversários, sejam eles regionais ou partidários, elementos que possam levar a perder os objectivos políticos que se possuem, se é que Luís Filipe Menezes tem uma ideia precisa do que pensamos ser os seus objectivos políticos.

Pois, aí está a resposta a esta forte impressão que impende sobre quase todos nós: depois de tudo o que se pôde ouvir a Luís Filipe Menezes, quase certamente com razão, a verdade é que lá surgiu o que de há muito muitos terão pensado, ou seja, também desta vez tudo se fez nada pela mão do autarca de Gaia.

Com esta sua atitude, é quase certo que a sua vida política se deverá ter finado por aqui. E por esta razão simples: se se tem razão, como realmente acredito, e se chaga ao ponto de dizer o que se ouviu a Luís Filipe Menezes, não pode parar-se, antes levando as coisas até às suas piores consequências, e custe o que custar para o seu futuro político. O que não é perdoável é apontarem-se as graves irregularidades que se ouviram, e depois, em nome dos superiores interesses do partido, deixar que o que de mal se apontou prossiga o seu caminho! É um tema sobre que se não discute!!

Se os superiores interesses do PSD estão, afinal, acima da clareza que se ouviu o autarca pedir, bom, a sua acção foi de uma extrema infelicidade: protestou, porventura justamente, foi inconsequente, e deixou que a luz da verdade se não projetasse em nome da estrutura cujos podres tanto apontou. É, do modo mais evidente, o disparate em política.


Hélio Bernardo Lopes

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