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25/OUT/2007
Cuba
A Vergonha
Não acredito que o meu caro leitor
alguma vez tenha imaginado que os nossos concidadãos tivessem de
deslocar-se a Cuba para poderem salvar a sua vista e garantirem a
possibilidade de continuar a existir a um nível tão essencial.
Sobretudo, depois de já nele terem vivido. Uma vergonha!
É claro que nestas coisas da política, em especial no seio da
nossa, as palavras e as promessas valem hoje pouco ou quase nada.
Mas a verdade é que contra fatos não há argumentos. E os fatos,
neste caso, estão bem à vista: os nossos concidadãos de Vila Real
de Santo António, pela ação política do Governo, podiam ter a
certeza de nunca virem a ser operados em Portugal.
Mas há um dado que este caso da edilidade algarvia nos vem
mostrar: do pouco dinheiro disponível ao nível da autarquia, e das
muitas intervenções que comportassem despesas para a edilidade, o
autarca que preside à autarquia optou por aquela que melhor serviu
a dignidade dos seus munícipes.
E se é verdade que esta autarquia é dirigida pelo PSD, a verdade é
que tal nada realmente significa, dado que não há conhecimento de
mais qualquer exemplo deste tipo de iniciativa, venha ela do
partido que for. E é pena que seja assim, porque se gastam todos
os anos muitos milhares de euros em atividades de secundaríssima
utilidade, como acontece com festas e festarolas.
Mas há aqui, neste caso, uma questão que tem de colocar-se: que
razões terão levado a autarquia de Vila Real de Santo António a
escolher Cuba, em vez de um outro Estado da União Européia? Não
terá sido, certamente, por razões de falta de competência técnica
dos europeus! A grande verdade é simplesmente esta: ali, na Cuba
de Fidel Castro, está ainda muito presente um espírito de
solidariedade para com os povos que precisam de ajuda. A Medicina
e o ato médico não são apenas estruturas de negócio, mais justo ou
menos justo, mas ações que podem salvar vidas e que devem, por
isso, ser postas ao serviço de quem das mesmas precisa.
Agora pergunto eu: por que não ofereceu George W. Bush préstimos
desta natureza a José Sócrates, aquando da sua recente visita
oficial aos Estados Unidos, sabendo bem o estado das nossas filas
de espera? Bom, a resposta é muito simples: porque os Estados
Unidos, de facto, não dão nada a ninguém. Nem se quer aos seus
concidadãos de Nova Orleães, depois do desastre causado pelo
Katrina! Assim se não dá com a Cuba de Fidel Castro e também, num
dia destes, com a Venezuela de Hugo Chávez.
Seria interessante que outras autarquis seguissem esta iniciativa,
com Cuba ou com a Venezuela, com o Irão ou com a Bolívia, porque
talvez se conseguisse resolver o drama de tantos portugueses para
com quem os nossos Governos desde sempre se mostraram incapazes.
Mas há que ser célere, ou estas iniciativas bem podem vir a ficar
pelo caminho. Basta que Fidel Castro faleça, ou que um golpe de
Estado tenha lugar na Venezuela, ou que a guerra seja levada ao
Irão. Cada dia que passa, e mais se nos mostra a falência do
espírito de solidariedade, da boa entreajuda entre os povos e do
desejo de servir na defesa da vida das pessoas sem contrapartidas
no domínio dos interesses. É aproveitar enquanto é tempo...!
Hélio
Bernardo Lopes
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