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15/OUT/2007
Portugueses da
Comunidade
A Comunidade x A Vaidade e a Inveja
Um Desabafo de um Simples Cidadão
Meus amigos, “É mais fácil passar
um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino
de Deus”... Você conhece? ... Sabe quem é o autor? ... Pois é!
... Assim disse Jesus Cristo e, portanto, há que crer nessa
parábola, não é verdade?
Há algum tempo que venho segurando
este pungente desabafo que ora manifesto por incontido,
submetendo-o à análise dos meus leitores, já que esta é a pura
realidade, nua e crua.
Entretanto, primeiramente, depois de
um longo período em que deixei este tema em “banho-maria”, resolvi
me manifestar sobre alguns acontecimentos não muito remotos que se
referem ao comportamento de algumas pessoas ditas “destaques” ou
quiçá “líderes” no âmbito da nossa Comunidade ou, melhor
dizendo, os privilegiados quando não verdadeiros nababos, na
acepção da palavra. Pessoas essas que, alicerçadas no poder
econômico, ufanam-se acintosamente, alardeando vantagens e
pavoneando-se perante aqueles que, sendo pessoas modestas, eles
consideram como inferiores, menosprezando-as, julgando-se “com o
rei na barriga” ao se acharem seres superiores, quiçá semi-deuses
à face da terra, esquecendo-se que, afinal, como qualquer vivente
comum, não passam de simples mortais, que, inevitavelmente, também
acabarão “debaixo de sete palmos” pois, afinal, vieram da terra e
em terra se transformarão, inevitavelmente, obedecendo à lei da
natureza.
De fato, alguns, sempre valendo-se
exclusivamente do poder econômico, se perpetuam em cargos ad
eterno o que, no mínimo, lhes permite alcançar e colecionar
títulos ou comendas e, assim, vangloriar-se sem que – apesar de
afirmarem o contrário – nada, absolutamente nada, façam em prol da
Comunidade, haja vista que só olham para o próprio umbigo
quando não para o próprio bolso. E assim perdem a oportunidade de
oferecer um pouco do que lhes sobra em prol dos patrícios mais
carentes, bem como usar de uma atitude filantrópica espontânea
direcionada à maioria dos emigrantes que compõem a Comunidade
Portuguesa do Rio de Janeiro. Falo isto com propriedade pois
que completa-se agora um ano que, sobremaneira, alguém muito
próximo sofreu esses efeitos na própria pele, o que, evidentemente
– embora não tenha chegado a me surpreender – me causou uma enorme
decepção, tal a falta de interesse manifestado por algumas dessas
pessoas em quem, de boa-fé, era por ela depositada uma réstia de
esperança visto que, estava nas mãos delas – e na vontade das
mesmas – a condição de ter feito algo em benefício da referida
pessoa, ou seja, em prol da saúde da mesma que ficou gravemente
prejudicada no último trimestre do ano passado e início deste ano,
com risco da própria vida. Na verdade, simplesmente se omitiram
numa atitude mesquinha em que, além da falta de solidariedade por
eles demonstrada, ficou evidente que estavam mais preocupados em
faturar e rechear os seus bolsos com mais alguns “tostões”, ... ou
será “patacas” (?!). Ademais, sabe-se que, em contrapartida, para
os seus “compadres”, aliás, outros privilegiados financeiramente
falando, sempre estão de braços abertos, tudo fazendo para, em
casos semelhantes, lhes proporcionar todas as mordomias, inclusive
em questões de internação hospitalar e até de intervenções
cirúrgicas, bastando apenas um simples estalar de dedos. Mas que
Deus lhes perdoe já que, após quatro meses de espera, com a graça
de Deus, essa pessoa acabou por ser atendida pelo SUS – Sistema
Único de Saúde, do Brasil, havendo sido internada e operada no
Hospital Federal conhecido como INCL – Instituto
Nacional de Cardiologia das Laranjeiras, do Rio de Janeiro,
com sucesso absoluto e, na parte que lhe cabe, ela já lhes
perdoou, porém não os desculpará jamais pois que jamais poderá
esquecer o descaso e a traição de que foi alvo, da mesma forma que
jamais esqueceria se algum bem lhe tivessem feito.
A vida!
... A vida é vista por mim de mente aberta e saudável em que o
caráter é primordial, onde, calcado na minha modéstia inata,
apesar das agruras e/ou obstáculos que se apresentem, sempre
procuro exercer cidadania e, na premissa do uso da boa-fé – com o
coração sempre direcionado em, a todo o custo (no bom sentido da
palavra) –, preservar as boas amizades, que as tenho, graças a
Deus, porém, preferencialmente, gente modesta, gente do
Povo. E eu sou gente modesta.
Depois de tudo o que já passei
na vida – note-se que não é minha intenção RELEVAR isso – e, por
isso mesmo e ainda por tudo o que ela me ensinou, em face das
experiências que, de alguma forma, me proporcionou, jamais alguém
irá me desmoralizar até porque não tenho “rabo de palha” e, por
isso mesmo, ninguém terá moral para tal, apesar de não dispor do
poder econômico ou outros poderes de que, infelizmente, alguns, à
falsa-fé, se valem para fazer de tudo no intuito de tentar
espezinhar e humilhar os seus semelhantes, os seus patrícios, o
que, regra geral, conseguem pela falta de instrução da maioria
destes e, inclusive, quando não, deles mesmos, o que, em ambos os
casos, não lhes faculta o conhecimento da prática da cidadania,
caracterizando-se como pessoas meramente desinformadas e/ou
acomodadas, seja qual for a sua posição nesta questão. Aliás, a
maioria não privilegiada desconhece os seus direitos mais
elementares e por isso, resolvi me manifestar sobre isso
publicamente.
Entretanto, é incrível que,
mesmo sendo-se um simples cidadão, se possa ser alvo de inveja, de
malquerença, apenas porque se ousa ter personalidade e
independência para se manifestar publicamente, sobretudo
comunicando-se com os seus compatriotas emigrantes,
oferecendo-lhes a informação de que tanto carecem, inclusive
comentando e/ou opinando e até, se for o caso, criticando ou
elogiando. E isto, inegavelmente, acontece sistematicamente no
âmbito da nossa Comunidade
onde as vaidades e a inveja imperam. Ademais, sendo a liberdade de
expressão um dos predicados positivos da democracia. Aliás, no meu
caso, o faço com dedicação e uma enorme satisfação através dos
meus escritos que publico e onde procuro informar e/ou opinar com
precisão e na oportunidade.
Atente-se que a simplicidade e,
sobretudo, o respeito pelo semelhante chegaram a mim ainda na
tenra idade e se fizeram meus companheiros para sempre, já para
eles esses predicados passaram e desapareceram no tempo e no
espaço, feito fumaça. É tudo uma questão de índole, de caráter!
... É uma questão de berço! ... Porém, alerto que não tenho
vocação para ser ”vaquinha de presépio”. Isso faz parte da minha
natureza! ... E não será agora que me deixarei corromper!
Que se destaque que me refiro,
em especial, a pessoas posicionadas como “destaques” da
Comunidade e que, inclusive, são
ou foram membros da diretoria de algumas instituições portuguesas
ditas filantrópicas ou beneméritas, mas que, no final de contas,
estas mais servem para satisfazer as suas vaidades exacerbadas,
tanto lhes bastando. Aliás, quando não oportunistas valendo-se do
usufruto de mandatos que, em alguns casos, são vitalícios e lhes
permite usufruir de certas benesses e que, por isso, tudo fazem
para se perpetuar nesses cargos. Essa é a minha opinião, tal a
minha desilusão.
Já aqui disse que
eu não tenho medo do homem, apenas o que me preocupa e me
enoja é a covardia humana que, essa sim, pela sua relevância
maldosa, pode causar ao seu semelhante danos irreversíveis, como
sejam, profissionais, financeiros, morais e até físicos e/ou
psicológicos. Isso faz com que o ser humano que assim age se torne
uma pessoa abjeta, indigna, em suma, um mau caráter, tal a má
índole que o conduz. ... Que vá de
retro! ... Deus me livre!
...
Da mesma forma, pediria a Deus
que iluminasse essas pessoas, que fizessem um ato de contrição,
que botem a mão na consciência, lembrando-se que sempre é tempo
para refletir e, de fato, fazer algo pelos menos privilegiados que
não os há poucos em nossa Comunidade.
Afinal, isso só os dignificaria e até os tornaria mais soft
e, portanto, mais humanos e, conseqüentemente, dignos do nosso
respeito. Contudo, eu particularmente, não acredito nessa
redenção, tal o círculo vicioso onde a ganância impera.
Encerro aqui a minha
manifestação sobre o que, afinal, não passa de meras dissertações
que são o meu sentir, dirigindo-me, mais uma vez, à
Comunidade como um todo. E a
Comunidade certamente
sabe do que estou falando! Atente-se que a reflexão é livre e
gratuita para qualquer cidadão ... e é saudável!
Mas, infelizmente, embora me
refira particularmente à Comunidade Portuguesa do Rio de
Janeiro, creio que, em linhas
gerais, também posso aqui englobar as restantes Comunidades
Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo,
considerando-se que esse tipo de comportamento se encaixa na
índole do povo português na emigração.
Que enfie a carapuça a quem ela
couber! ... O recado está dado!!! ...
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil
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