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08/OUT/2007
McCann
O Que Será?
Como se sabe bem, não há dia que passe
que nos não traga alguma palha a mais sobre o desaparecimento de
Maddie. Invariavelmente, tal palha salda-se em nada, de certo modo
como se seja baralhar e dar de novo.
O que não deixa de ser espantoso e estranho é que a nossa
comunicação social só dedique a sua atenção ao caso Maddie, sem
que quase uma única palavra seja escrita sobre o caso do
assassínio de Aurélio Palha. Ao final de todo este tempo, sem um
ínfimo de resultados, o que acaba ainda por surgir é o protesto
contra a presença de polícia em excesso na noite portuense!!
Ouvimos programas os mais diversos, desde os meramente lúdicos aos
mais intelectuais, e nem uma palavra sobre o homicídio do Porto!
Em contrapartida, não há quem não se pronuncie sobre o
desaparecimento de Maddie, em geral tecendo considerações inúteis
mas insinuantes.
Ora, no meio de toda esta baralhada informativa, há um dado que
foi pouco explorado, mas que continha em si muito de susceptível
de ser desenvolvido pelos nossos comentadores. Trata-se das
declarações de um qualquer consultor britânico sobre temas
criminais, que há umas semanas terá referido sensivelmente isto:
há traços comuns entre os casos Joana e Maddie. Há ali, no Algarve,
algo que está ligado a estes dois casos.
É claro que não ouvi o britânico pronunciar-se, mas apenas as
referências à suas declarações. E pelo contexto em que foram
reveladas essas declarações, pela completa ausência de resultados
credíveis das nossas autoridades, pelo muito de inexplicável que
nunca deixou de estar presente em torno do caso Joana e pelas
recentes declarações de Gerry McCann, sobre a presença de um homem
atrás da porta da sua casa de férias, tudo aponta para a
existência de credibilidade nas tais declarações do especialista
britânico.
Ora, há dias surgiu a notícia de que Rogério Alves, Bastonário da
Ordem dos Advogados, iria ser o segundo advogado português a
representar, em Portugal, a família McCann. E num ápice surgiu um
oceano de críticas, quer da nossa comunicação social, que de
causídicos diversos. Escaparam a esta onda, digamos assim, Pires
de Lima, António Garcia Pereita e Menezes Leitão, que reconhecem a
mais completa licitude desta contratação. Em todo o caso, o
primeiro sempre foi referindo que, se fosse consigo, não aceitaria
a incumbência.
O espantoso, no meio de todo este vendaval que varre o País em
matéria de Justiça é que nunca mais ninguém se preocupou com o
assassínio de Aurélio Palha, nem voltaram a surgir-nos ecos sobre
o tema. Um tema verdadeiramente escaldante, que se constituiu no
último elo de uma sucessão de homicídios em torno da tal noite
portuense. Nem uma palavra mais! Ou bem me engano, ou tudo ficará
em nada... Então e o Procurador-Geral da República? Será que
também acha que o silêncio sobre uma tal sucessão de homicídios,
trazendo-nos Chicago à memória, é aceitável e dá uma boa imagem do
Sistema de Justiça? Enfim: é a dita democracia portuguesa no seu
melhor.
Hélio
Bernardo Lopes
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