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01/OUT/2007
Portugal/PSD
A Eleição de Menezes
O País terá certamente estado atento a
esta noite eleitoral entre Mendes e Menezes, dado o modo como os
acontecimentos em torno da campanha eleitoral foram tendo lugar.
Em contrapartida, pouco ou nada se falou, ao dia a dia, nas
convivências correntes, sobre tal acontecimento. Mas há vários
aspectos que merecem ser realçados.
Em primeiro lugar, tornou-se agora patente o modo de extrema
incompetência técnica que atravessa a vida administrativa interna
do PSD, e também a lamentável falta de cuidado com as aparências
que são essenciais para que o que possa até não ser, afinal,
pareça que é.
Em segundo o lugar, nem por uma só vez, digna de registro, se
ouviu, por parte de qualquer dos candidatos, referências ao que
fariam em matéria de estrutura interna do partido. E é natural que
assim tivesse que dar-se, porque já nos chegaram ecos de uns
quantos dos seus barões, sobre uma tentativa de recuo em relação à
democracia directa neste congresso que se aproxima.
Em terceiro lugar, tornou-se evidente uma realidade de há muito
percebida: Luís Marques Mendes, pela atitude que assumiu de tentar
moralizar a vida política do seu partido, pagou ao nível das bases
e dos tais barões, que voltaram a não se mostrar nesta eleição.
Era tolerado por razões de amizade, elegância e consideração.
Em quarto lugar, esta expressão eleitoral que deu a vitória a Luís
Filipe Menezes ficou a dever-se, acima de tudo, aos militantes
anónimos do partido, porque os que, por razões de amizade,
elegância e consideração foram suportando Marques Mendes, vão
agora preparar-se para deitar por terra, numa primeira fase, o
método das diretas, e, numa segunda fase, o próprio Luís Filipe
Menezes, que indirectamente apoiaram, embora com o seu silêncio e
a sua ausência, com a finalidade de, por esse método, conseguir o
que sempre terão pretendido: o afastamento de Marques Mendes.
Em quinto lugar, é bom que se perceba esta realidade elementar: o
Partido (designado de) Socialista é hoje um partido neoliberal.
Portanto, um partido que tem vindo, paulatinamente, a destruir a
estrutura ideológica que poderia marcar as diferenças entre PS e
PSD.
Em sexto lugar, a governação de José Sócrates pode, de um modo
simples, ser decomposta em duas partes: uma primeira, que não se
prende com a situação económica e financeira do País, e uma
segunda que se encontra ligada, precisamente, a esses setores e a
quanto os acompanha.
Em relação à primeira parte da governação de José Sócrates, bom,
ainda é possível admitir que um caminho diferente, para melhor ou
para pior, possa ser prosseguido por um outro partido político.
Mas em relação à segunda, que se prende com a situação econômica e
financeira do País, e com os domínios direta ou indiretamente
ligados a estas áres, nada poderá ser melhor, seja com o PSD ou
com qualquer outro partido. Muito pelo contrário.
De um modo que tomo por evidentemente indiscutível, tudo ficaria
ainda pior, porque se acelerariam as privatizações de todo o modo
e feitio, a fragilização laboral, e liberdade de despedir
praticamente total, e a extinção do Serviço Nacional de Saúde, da
natural e realmente protetora Segurança Social e o acesso ao
Ensino Superior. Seria, obviamente, um cabal desastre.
Em sétimo lugar e por fim, lá se deverão ir por água abaixo as
atitudes moralizadoras que quase todo País aplaudiu com as tomadas
de posição, muito corajosas, de Luís Marques Mendes.
O que agora venceu, como tão bem já salientou José Pacheco
Pereira, foi um populismo de voz alta, mas completamente
inconsequente se posto em prática ao nível da governação. Seria um
desastre evidente!
Hélio
Bernardo Lopes
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