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01/OUT/2007
Política/Sociedade
Nova Cidadania – A Cidadania Proletária
Aulas de Educação Cívica – Aulas da
Religião do Estado?
Esta semana, Rui Pereira, ministro da Administração Interna,
discursou na Escola Superior de Educação de Leiria, sobre as aulas
de Educação Cívica e seu significado para " a mudança de
mentalidades e a construção de um Portugal melhor". O senhor
ministro da Administração atribui ao Estado não só a missão de
transmitir valores como também a de mudar mentalidades.
Isto corresponde à visão marxista dum estado proletário. Longe de
qualquer visão democrática abre-se aqui caminho para o estado
nacional-socialista, para o estado estalinista e para toda a forma
de governo fascista. Que mentalidade quer ele e que Portugal? Não
seria também oportuno a introdução duma disciplina onde se aprenda
a ser feliz?!!! Isto traz água no bico. Até faz lembrar os velhos
tempos da ditadura. Ou será isto um sinal de que já chegaram com o
seu latim ao fim!
O direito de mudar mentalidades não pode ser reduzido a nenhuma
forca social ou estatal; a mudança de mentalidade é resultante da
competição de interesses, idéias e práticas no seio da sociedade.
A intenção anunciada pelo senhor ministro pressuporia uma
coarctação da liberdade de pensamento e de expressão. Um estado
democrático que esteja consciente dos princípios em que assenta
não está legitimado para impor qualquer ideologia nem tão-pouco os
valores da maioria.
Que ideologia irá então ser beneficiada? Será que em Portugal a
proveniência dos alunos é homogénea a nível social e de
mundi-visões?
Um exemplo do fracasso duma tal ideologia que confia na estratégia
dum Estado orientador, temo-lo no resultado do montão de cacos
partidos deixados pelos sistemas do socialismo real e semelhantes
fascismos.
Mesmo o reconhecimento comum de certos valores implica várias
interpretações e aplicações em relação aos mesmos.
Em democracia quem mais ordena é o povo, ou deveria sê-lo, e não a
ideologia da nomenclatura que não respeita ética nenhuma e muito
menos a dignidade humana. Para ela não há povo, apenas conhecem
proletários e massa desprezível. Por onde passam deixam sempre o
rabo de fora! Naturalmente que têm direito de defender os seus
interesses e credos; o problema é se o povo dorme. No fim teremos
Estado e massa sem cidadãos.
Boçais, em nome do proletariado e do futuro de Portugal, lá vão
iludindo o povo. Convencidos que para este chega um pouco de
futebol, de sexo e de pão tornam-se em redutores da vida na sua
acção de vulguizar a privacidade humana. Já não lhes chega a praça
pública, apoderam-se da administração para imporem a sua ideologia
e disciplina.
Uma democracia começa a sofrer gravemente quando a disciplina do
povo permite a indisciplina dos governantes.
O que precisamos é dum Estado que garanta e defenda a prática dos
valores fundamentais. Não queremos um estado crente apenas
interessado em alguns aspectos meramente ideológicos da revolução
liberal, da forma de governo republicana ou do exemplo estalinista.
Tirem as mãos dos professores. Não queremos ministros da
administração dos professores mas sim ministros dos cidadãos. A
preocupação do Governo deve ser gerir e não assumir a função de
patrão. Deve naturalmente intervir mas sobretudo como árbitro.
Uma certa visão marxista superficial, mais visível nas periferias
da civilização, quer um estado árbitro e jogador. As claques
compra-as com benesses e camisolas atiradas à multidão. Esta
mentalidade encontra-se ainda muito impregnada nalgus funcionários
do partido socialista. Estes em vez de o servir, servem-se dele.
Portugal merece mais.
António da
Cunha Duarte Justo
Da
Alemanha
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