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28/SET/2007
Sociedade
Portuguesa
O Momento da Diáspora –
7
Sempre tivemos e temos Homens de
valor, sim senhor!
Analisando o texto a seguir, que recebi via e-mail em 30-08-2007, de
autoria do compatriota Rui Silva, emigrante em
Montreal, Canadá, concluí que, pelo seu teor, o mesmo deveria ser
por mim divulgado e, assim, tomo a iniciativa de o editar e
publicar transcrevendo-o com o meu comentário ao final.
Eis o que nos diz o autor:
Lamento que certas coisas ainda
dêem motivo de discórdia ou mesmo discussão. Quando a verdade é
evidente, para quê procurar distorcê-la. Acho uma perda de tempo e
de espaço que poderiam ser usados construtivamente. Dou alguns
exemplos:
Porque prosseguir ainda com a
discussão da validade de uma doutrina comunista?
Está à vista de todos a sua
inutilidade para não dizer criminalidade. Os milhões de mortos na
antiga União Soviética, a extrema pobreza em Cuba, a
tirania na Albânia ex-comunista, a fome e doença que reina
em Angola, a desgraça da Coréia do Norte, etc.,
etc., etc.. Por favor, viremos a página e deixemos de nos
perguntarmos porque o comunismo não singrou. Só um "mentecapto"
não é capaz de ver isso. Há tanta coisa importante para discutir.
Continuar a lamentar Portugal.
Já alguém disse, "deixemo-nos de
lamúrias e trabalhemos".
De nada nos vale diminuirmo-nos a
nós próprios e a Portugal. Outros países já o fazem
suficientemente. A incitação ao boicote de dinheiro dos
emigrantes, o boicote ao investimento, etc., só podem piorar as
coisas. Fazendo-o não estamos a castigar os culpados, mas sim os
inocentes.
O nosso dinheiro é mais útil a
Portugal que aos EU que o investe em armas e em
guerras, ou à Suíça cujos cofres dos bancos estão a
abarrotar de dinheiro, muitas vezes sujo, ou ainda a França
que gasta inutilmente milhões para, supostamente, curar males de
psicopatas e hipocondríacos, pois que é dos países que mais gastam
nesse campo. Temos que aceitar a realidade, somos um pequeno país.
Mas não é por causa do tamanho que somos pequenos, mas sim por
causa da maldita mentalidade de culpar tudo e todos. Estamos-nos
afogando como os macacos, com as mãos agarradas à cabeça
sem tentar nadar. Na infelicidade é que se vê a coragem dos
povos.
Ataques pessoais a personagens
políticas.
Em todas as democracias que se
prezam, o direito à livre opinião e religião, entre outras coisas,
são princípios básicos. Mas para criticar não é necessário ser-se
baixo ao ponto de chegar ao insulto pessoal. Mais uma vez entendo
que os Portugueses são exagerados. Devem-se debater políticas,
ideias, decisões. Não interessa saber de quem um ministro é
"filho". Devemos lembrar-nos que somos observados por todo o
mundo quando criticamos os nossos políticos, seja interna ou
externamente. A maneira como os tratamos, é a maneira como
tratamos a nós próprios, pois fomos nós que os escolhemos. Se
somos estúpidos o suficiente para escolher incompetentes para nos
governar, guardemos essa franqueza para nós. Já chega de lavar
roupa suja. Não vale a pena mostrar ao resto do mundo, que nem
somos capazes de nos governar. Muitos dos que hoje criticam são
aqueles que escolheram os presentes políticos. Mas como em tudo,
aprendemos com os nossos erros e por agora, a não ser que queiram
fazer outro simulacro de revolução, teremos que viver com eles,
pois que foram eleitos democraticamente e ainda por cima com
maioria.
A economia Portuguesa.
Claro que
a economia vai mal. Como não há de ir? Todos tem direitos mas
poucos têm obrigações. O pobre trabalhador empregado deduz do seu
salário as taxas necessárias para que o governo, seja ele qual
for, possa funcionar. Mas os que trabalham por conta própria,
muitos desses, que finalmente são os que detêm a maior parte do
capital, escapam-se escondendo lucros e proventos. Fiquei chocado
com uma notícia que li meses atrás que certos médicos foram
condenados por falsificação de documentos, para proveito próprio.
Mas não são só médicos. Em todas as classes isso aparece. E
felizmente que não são todos. Ainda há profissionais sérios.
Dois anos atrás, de visita a
Portugal, tive a ocasião de compreender um pouco o problema do
governo. Um meu familiar precisou de fazer obras em casa. Assisti
a tudo, e ele nada escondia de mim. Um dia vi-o pagar a alguém que
lhe instalou um ar condicionado. Fiquei admirado por não o ver
pedir recibo, pois que, pelo menos no país
em que vivo já há 30 anos, um recibo serve também de garantia do
trabalho feito. Daí a minha estranheza. Mas a resposta foi rápida
e sem rodeios: – "Meu caro, se queres encontrar alguém que te
passe um recibo será melhor fazeres tu o serviço. Mais ainda,
certos desses trabalhadores ocasionais estão a receber do governo
por estarem desempregados, e por vezes são aqueles que mais reagem
...".
Claro, poderemos dizer que tão
ladrão é o que rouba como o que consente. Mas a dado momento
teremos mesmo que entrar no bote, senão afogamo-nos. E assim o
governo é defraudado em milhões que poderiam ir para escolas,
saúde, etc.
Homens de valor, sim senhor!
Tivemos e
temos homens de valor.
Infelizmente temos o defeito de não
acreditar nos nossos valores. Temos homens de grande
intelectualidade, homens reconhecidos pelo resto do mundo. Mas,
incrédulos e com a mania de tudo criticar e culpar, somos por
vezes ingratos, pior ainda injustos para com eles. Não analisamos
os porquês de certos problemas. Apenas julgamos os resultados.
Como se devêssemos
condenar um homem que se atirou à água para salvar 20 crianças,
mas que só pôde salvar 15, enquanto os "mirones" estavam em terra
com medo de se molharem.
É fácil criticar quando não somos
nós que estamos na direção. Condenamos um homem, um entre
muitos, Homem de grande valor, um académico extraordinário, que
durante toda a vida se dedicou a formar outros homens de bem. Teve
a infelicidade de tentar salvar um barco que metia água por todos
os lados. Não foi capaz. E eis que todos, “Zé povinho” incluído, o
julgam, não pelas dezenas de anos de serviço inestimável prestado
à Nação, mas por não ter sido capaz de salvar aquilo que
ninguém poderia nunca salvar, e que ainda hoje continua a se
afundar; a DIGNIDADE de um Povo.
Muito mais haveria a dizer. Claro
que deveria também aqui deixar as minhas críticas pessoais ao
atual governo, pois também o critico por certos erros, mas o
farei respeitosa e construtivamente noutra oportunidade.
Para terminar, quero aqui deixar
uma frase de um estadista, um político que nem sempre apreciei,
mas que foi realmente feliz ao dizer:
"Não perguntes o que o teu país
pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer pelo teu pais"
Essas são palavras do autor!
Meu comentário:
Perante tão brilhante explanação que
eu assinaria em baixo sem hesitar, o meu comentário é breve pois
resta-me parabenizar o Rui Silva pelo seu
discernimento, onde, com palavras simples e, consequentemente de
fácil assimilação, apresenta uma realidade indiscutível dos
parâmetros que norteiam a governo da Nação. De facto essa é a
realidade que retrata fielmente a face actual de um país que luta
com dificuldades evidentes e onde também são evidentes a vontade e
o esforço para mudar o rumo que direcionará Portugal para o nível
a que faz jus no âmbito da UE e quiçá no mundo globalizado.
Mas, o mais incrível é que ainda
existem manifestações desabonadoras quanto à capacidade
intelectual dos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo,
sendo relevante a discriminação praticada pelos próprios
compatriotas que jamais viveram fora de Portugal. ... Sabe-se,
inclusive, que algumas grandes “cabeças” saíram de Portugal tal a
discriminação que sofreram ainda no estourar dos foguetes pela
implantação do novo regime político instituído pela “Revolução dos
Cravos”.
Contudo, para não me alongar mais,
isso é assunto para outra oportunidade, talvez no meu próximo
artigo, quem sabe!
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil
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