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10/SET/2007
Política e Religião
Mário Soares – Cavalo de Tróia ao serviço
dos combatentes laicistas
Comissão de Liberdade Religiosa – Mais um Couto político
A Igreja política lusitana
O Primeiro-ministro Sócrates, sumo-sacerdote da comunidade
religiosa civil, assistido pela sabedoria de “Jeová” e à luz das
velas marxistas e racionalistas acaba de elevar às honras do altar
um homem sólido na crença agnóstica e laica nomeando-o presidente
da Comissão de Liberdade Religiosa.
Sócrates com um só gesto dá alimento a bocas grandes e presta
veneração à maçonaria bem representada no governo e honra assim
Mário Soares, seu melhor acólito depois do 25 de Abril, também
chefe da Irmandade socialista! Sócrates geralmente mais virado
para as crenças pragmáticas protestantes tem que ir concedendo
algumas bulas aos do “Salão do Reino” socialista, doutro modo
cairia ele na desgraça do purgatório dos incrédulos e dos ingratos
do Reino! Mais um passo no sentido da estabilização da fé civil, à
margem e contra a justiça social, num modelo de sociedade que
continua a adiar a realização do povo para a escatologia.
O céu da democracia portuguesa é pobrezinho mas honrado. A devoção
do preceito cumprido de 4 em 4 anos e a conseqüente penitência
posterior, já não só quaresmal mas diária, como convém a devotos
praticantes conscientes, é o que resta da consolação duma liturgia
do dever cumprido para além do agasalho da alma cívica alcançado
na veneração dalguns santos em comícios, congressos ou
simplesmente na reza diária do terço televisivo na união na
esperança da comunhão dos cidadãos. Não fossem uns infiéis
derrotistas a questionar os irmãos laicistas, os sacerdotes mais
irmãos do Reino, não fossem uns desmancha-prazeres renegados e
antiquados que pretendem manter a crença na existência do
purgatório e do inferno para os dos andares de baixo, a paz
daquele céu pobrezinho mas honrado não teria nuvens.
Na vida política, social e religiosa, quem não reza não se safa, o
que mais conta é o ardor da devoção e, quanto mais a mente e os
olhos se fecharem, maior é o gozo do Reino. Este é o dogma que
mantém tanto o sistema socialista como o capitalista, propagado
por seus servidores sacerdotes. Por isso os fiéis ortodoxos da
democracia tiram à boca para venerar e premiar os seus santos, já
não com hinos e louvores mas com coutos rendosos. No céu da
democracia, os santos de hoje já se encontram mais perto do povo
embora com boca fina, justificando-se por isso a manjedoura
especial da nomenclatura. Este é o reino dos tais independentes,
dos tais livres que se conseguiram libertar do povo, que para eles
é o reino do mal e da imbecilidade; o inferno é o povo. No reino
dos realismos não há diabo; aí o povo é pastagem e a atenção vai
para as vacas. Não tivessem elas mamas!...
Uma característica quase geral da sociedade intelectual
portuguesa, também comum ao povo, é a paciência. Esta, agasalhada
em véu de pele de camaleão, é o pressuposto para se vir a ser o
novo santo, santo da Igreja lusitana democrática. Paciência e
obediência, pedem os autocratas. “Paciência, os santos do andar de
cima lá sabem!” – exclama o devoto civil, seguindo os passos dos
embuçados para as capelas e lojas laicistas. Sirva-lhes de consolo
na ladainha das virtudes democráticas a palavra mágica a modo de
refrão: Paciência, paciência. “Paciência” é o ámen da comunidade
civil na Igreja política lusitana. Em momentos de maior aflição a
ladainha é acrescentada por mais um rogo: Santa democracia, ora
pro nobis! O ópio de esperança contida naquela palavra política
“Paciência” chega para tirar as nuvens negras do horizonte até ao
próximo pôr do sol. O que nos salva é a fé, já diziam outros antes
dos sacerdotes políticos. Estes para opiar os devotos da sua
comunidade falam do ópio do “ámen”da outra religião. Sabem que o
melhor pasto para esfomeados é falar-lhe do pasto dos da
manjedoura vizinha. Enquanto discutem sobre religião católica não
notam que o problema está mais na religião política. Os
sumos-sacerdotes da comunidade civil ganham a guerra desviando
assim o povo para campos de combate paralelos.
Eles comem tudo e não deixam nada…
Mário Soares tem-se revelado um bom Cavalo de Tróia dos
combatentes laicistas e republicanistas no meio duma portugalidade
fraca. O pobre socialismo dá mais uma comenda ao pobre Soares.
Assim se continua a tradição duma política da revolução
republicana em que se criavam e enriqueciam barões com os bens da
igreja! (Não se trata aqui de defender o Catolicismo mas de apelar
ao espírito crítico do povo para com o seu clero e para com os
seus políticos. Estes encontram-se geralmente não do lado do povo
mas do outro lado, do lado da instituição que instrumentalizam e
defendem na defesa do seu bem-estar! O prado é o mesmo. As formas
de instituição é que mudam! Deus e povo cada vez se tornam mais
lameiro de engorda!)
Quando o governo não sabe o que fazer ou quer iludir o povo cria
uma comissão. Deste modo pode desautorizar os deputados eleitos
democraticamente, ou usá-la para auto-propaganda e dar susentento
a filhos necessitados de tão grande mãe! Eles vivem de guerras
substitutas (lugar-tenentes, as melhores iscas para levar o povo)
e querem, à base de pseudo conflitos religiosos, justificar a auto
afirmação e hegemonia sobre as instituiões religiosas e o povo.
Usam o Estado, que deveria ser neutro, para se instalarem. É o
saneamento pela positiva. Estão-se marimbando para o património
cultural duma nação ou com o seu desenvolvimento. Defendem o
direito de afirmação da cultura das tribos contra a nação. Esta é
a sua hora, a hora do seu multiculturalismo, como se Portugal
fosse de 1900! A sua capacidade de discernimento é enfoscada pela
ganância do poder e pelo fundamentalismo ideológico. Soares,
independentemente de méritos que também tem, um convencido da sua
fé, teve o mérito e a esperteza de embrulhar os crentes do lado
adverso alimentando-se da baralhada de crenças e utopias. Jörg
Zink afirma que “cada Pigmeu e cada Esquimó sabe mais sobre a sua
religião do que os ocidentais sobre a sua”. Estes conhecem só o
primitivismo da religião e quando muito o seu folclore. O mesmo se
pode dizer dos partidos e das filosofias que os suportam.
José Sócrates desejou-lhe “muita sorte” na gerência duma Comissão
à tona da sorte e dos países interessados em exportar os problemas
que têm no sector, devido a uma errada política de imigração. Quem
o declara “neutro em matéria religiosa” ou é ingênuo ou quer
introduzir o cavalo troiano (com os soldados do fanatismo laicista
não menos perigoso que o religioso) pela calada da noite dentro
dos muros duma sociedade que apenas trocou os cueiros dum sistema
pelo outro. Boa noite Portugal!
Mário Soares esconde o seu exacerbamento ideológico falando dum
“exacerbamento dos fanatismos religiosos” a importar e que, graças
ao islamismo, é aproveitado para justificar a implementação
sub-reptícia da ideologia marxista-iluminista.
Soares apesar de ter sido apoiado, nos inícios da sua escalada ao
poder, pelos socialistas alemães (SPD) não aprendeu nem
compreendeu o espírito germânico aberto à novidade no respeito
pela tradição e na convivência respeitadora e digna entre o
religioso e o laico sem lutas jacobinistas republicanas. O
oportunismo ideológico racionalista e marxista quer refinadamente
desinstabilizar a tradição cultural portuguesa servindo-se do
terrorismo islamista como pretexto. O fundamentalismo com que a
internacional socialista e seus acólitos tem posto na ordem do dia
contra uma cultura de maioria cristã na Europa é irresponsável.
Esquecem que o fundamentalismo islâmico que se encontra em avanço
fomentando também ele tendências fundamentalistas na cultura
maioritária. Na aplicação do poder judicial já se pode observar
que este já abdica de ideais liberais em consideração de costumes
islâmicos mais próprios duma sociedade de caráter mais pastoril.
Para Soares e seus irmãos trata-se de uma última oportunidade para
em nome duma liberdade rectórica e em nome da mentira da igualdade
de religiões se institucionalizar o engodo. Ingenuamente joga-se
com o fogo. Estes pretensos defensores da modernidade podem
tornar-se no seu maior perigo ao servir-se das diferenças
religiosas como se serve Alcaida da religião para atingirem os
seus fins. Querem desmontar a cultura européia nos seus
fundamentos a pretexto dum socialismo primitivo e dum racionalismo
desencarnado e desumano. Naturalmente que a tradição se deve
encontrar em processo aberto para o futuro a caminho de maior
liberdade e da restituição da dignidade humana ao ser humano. Este
não pode consistir porém apenas na substituição duns dogmas pelos
outros por muito que a massa seja a isso propensa e grata. A
incúria da massa não deve ser pretexto para eternizar a injustiça
e o abuso dos sistemas de poder na sua sucessiva sucessão. A nação
precisa duma elite nobre e não abusadora! Precisa de muito
investimento na cultura do seu povo.
Comissão para a Igualdade dos Partidos
Armam-se em juizes imparciais de pretensos problemas religiosos,
emboçados em Comissões. Porque não criam uma “Comissão para a
Liberdade e Igualdade dos Partidos”. Porque é que a democracia
trata tão mal os partidos pequenos sendo umas comissões
parlamentares desfavorecidas em relação às outras no parlamento?
Não seria óbvia aqui uma Comissã? Porque dão mais tempo de antena
aos partidos da maioria do que aos outros. Os fariseus, salvo
seja, usam de duas medidas. E o povo ressona ao som das
telenovelas e depois gritam;”Aqui-d’el-rei, que me roubam a casa!”
Esta deveria ser a matéria para que Soares teria aptidão e
competência mas certamente que também aqui lhe falta a
independência necessária. Apoderam-se da democracia e seguem a
suma islâmica: para bem de Alá também a mentira é virtude! O
problema está na própria convicção e na sua “independência”.
Soares, devoto marxista na luta contra os crucifixos, não deixou a
decisão aos interessados e envolvidos directamente no problema.
Esta é a democracia que os tubarões conhecem. A fortaleza e
convicção dos “quem tem um olho é rei”!
Comissão Liberdade de Diferentes Soberanias
Não seria mais óbvia a criação duma “Comissão para a Igualdade e
liberdade de Diferentes Soberanias” de diferentes formas de
governo: ditadura, democracia, despotismo iluminado, anarquia,
etc... Aqui sim que estes políticos poderiam ter mais competência.
O alcance do seu pensamento porém parece só chegar até aos limites
da própria coutada. A política como a religião não podem ocupar
todos os lugares do ser humano. Não devem porém continuar a ser
prevalentemente ocupadas por mandatários de costas voltadas para o
povo e para a sua realidade!
Uma Comissão Ética, embora com muitas objecções, ainda seria
tolerável mas não a abstrusidade duma Comissão de Liberdade
Religiosa para Portugal e para mais ao serviço do secularismo é
totalmente controversa. A liberdade religiosa e a liberdade
democrática precisam só duma constituição assente na consciencia
do povo e de leis justas para todos. Para seguir a lógica dos
critérios de “independência” seguida na nomeação do presidente
para a Comissão porque não colocar só anarquistas à frente das
comissões políticas?
O fanatismo laicista republicano e o fanatismo religioso
pretendem-se senhores da verdade; são fundamentalistas convencidos
em guerra-fria! Eles andam por aí vestidos com pele de cordeiro!
Só um povo inteiro se pode defender deles desde que esteja ciente
de que se encontra da parte de baixo do ribeiro! O problema é
cultural e duma sociedade média desinteressada no projeto
Portugal. Um Portugal aberto e livre poria em questão as
aquisições daqueles que cronicamente de geração em geração vivem à
custa da falta da justiça social para o povo. A esta luz todos os
projetos têm sido falhados! Só têm persistência os coutos
políticos! Quo vadis Portugal?
António da
Cunha Duarte Justo
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