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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

15/SET/2007

Sociedade/Portugal

Em cada sessenta horas!!

 

Quando há dias tomei conhecimento de que um assalto a um banco ocorre em Portugal a cada sessenta horas, tenho de confessar que fiquei siderado! E isto mau grado acompanhar a cada passo o que vai decorrendo pela nossa vida social.

Diga-se o que se disser, a grande verdade é a que os portugueses vão podendo ver a cada dia que passa: instalou-se a violência no nosso País, invadido por um tipo de criminalidade que nos não era típico. E são três, em essência, as causas de se ter chegado a uma tal situação: a abertura plena das nossas fronteiras, o enfraquecimento geral do Estado e das suas instituições, e a natural descrença numa dita democracia que mais não é que mero ritual formal.

Para quem duvide desta última realidade basta recordar a promessa de realizar um referendo sobre o tratado que se está a preparar, e como tudo parece agora apontar para o dito por não dito.

A cada dia que passa surgem-nos notícias de violência no seio da sociedade portuguesa. Por vezes, casos verdadeiramente estranhos, quase desconhecidos da nossa vida social, envoltos numa aparente ausência de causa visível e explicativa.

E quem pensar que pode descansar usando comparações com períodos homólogos de outros anos, pois, corre o risco de estar a enganar-se e a informar-nos mal, porque estes resultados de violência mais recente, ou de aberrações quase nunca vistas, têm a sua causa no modo como a nossa sociedade se tem vindo a desenvolver, com cada dia a mostrar o beco sem saída social para que se está a caminhar.

O modo português de estar na vida, muito sofredor e muito elástico no seu comportamento, corre, contudo, o risco de soçobrar quando exposto a um ambiente marcado pela clara injustiça e pela ausência de valores morais. As pessoas, ainda que pouco cultas e até desinteressadas, não são destituídas da capacidade de apreender o modo injusto como a sociedade actual se organizou e as impede de acreditar num futuro aceitável a curto prazo.

Aos poucos, os portugueses aperceberam-se de que os políticos dos nossos dias criaram um sistema dito democrático, mas que acaba, de facto, por nada trazer de verdadeiramente útil. Algo que seja minimamente justo e natural. E por tudo isto o que acaba por assumir um lugar cimeiro é o sentimento de oportunidade mais imoral que se pode imaginar. Nuns casos, mesmo o desespero autodestrutivo.

Contrariamente ao que de pronto se procurou fazer crer em torno da recente vaga de assaltos a bancos e de homicídios e suicídios, a grande verdade é que o fenómeno resulta, mais que naturalmente, do modo desprezível como a vida humana e a sua dignidade hoje são tratadas. De um modo ou de outro, é aqui que reside o anormal comportamento que se tem vindo a impor no seio da sociedade portuguesa. Haverá quem consiga mudar, nas suas causas sociais e políticas, esta realidade perigosa? Muito sinceramente, não acredito.
 


Hélio Bernardo Lopes

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