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17/SET/2007
Comunidades
O porte pago
Desde há cerca de nove anos que venho
tendo o prazer de escrever num conjunto muito vasto de jornais do
País. Jornais diários, semanários, quinzenários e mensários.
Acabei mesmo por escrever em jornais das nossas comunidades
situadas em países estrangeiros diversos.
É claro que escrever dezessete artigos por semana, para lá do
enorme gosto que confere, também não deixa de dar um razoável
trabalho. Em todo o caso, é um trabalho que se vê acompanhado de
satisfação. Um trabalho que se vê muito facilitado em face do
estado a que chegou o País e a generalidade dos portugueses. Se
dúvidas houvesse, pois aí nos foi possível assistir às
inacreditáveis cenas de Scolari no jogo com a Sérvia.
Ao longo destes quase dez anos foi-me possível compreender a
natureza do jornalismo local e regional, comparando as
características de perto de centena e meia de jornais. Uma vaga
que cobriu, como escrevi já antes, quase todo o território
nacional.
Mas foi-me possível, por igual, conhecer a realidade local e
regional de Portugal, acompanhando os problemas que se iam
colocando às populações e o modo como as autoridades nacionais e
locais os foram resolvendo, ou não chegaram a resolver...
De igual modo me foi dado observar o papel único que este tipo de
jornalismo tem na ligação de cada um de nós, em geral vivendo fora
do seu lugar de nascimento, com esse mesmo lugar. Uma realidade
que pude ver estender-se aos nossos concidadãos que residem fora
do território nacional.
Mesmo no domínio da informação puramente local, ligada a
acontecimentos que possam ter tido lugar ao nível concelhio ou
distrital, o jornalismo local ou o regional é de uma extrema
importância e, em muitos casos, o único meio informativo da
realidade local.
Os próprios historiadores terão no futuro uma grande dificuldade
em poder contar a vida das nossas sociedades do interior do País
se estes jornais locais ou regionais se forem deixando de
publicar. A enormíssima e essencial fonte de informação que
realmente são simplesmente se sumirá.
Vem tudo isto a propósito das mudanças operadas pelo Governo de
José Sócrates no domínio do porte pago. Mudanças sem grande razão
de ser, porque o seu custo é verdadeiramente ínfimo ao nível da
despesa pública. Uma pequena migalha sem real significado para o
valor dessa despesa. Mas uma migalha absolutamente essencial para
a sobrevivência dos jornais locais ou regionais e para o serviço
único que realmente fornecem aos portugueses. Aos que vivem no
País e aos que vivem lá por fora.
Agora pergunto eu aos meus caríssimos leitores: acreditam que com
os partidos ditos de alternância governativa a coisa seria
diferente? Muito sinceramente, não creio que assim fosse.
Porventura, haveriam diferenças, mas nada com distintas
conseqüências. É, para mal de todos nós, um sinal dos tempos.
Tempos que estão para durar.
Hélio
Bernardo Lopes
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