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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

01/SET/2007

Central Nuclear

Talvez o bom senso venha a imperar

Decorreram quase dois meses desde que escrevi o meu último texto jornalístico de opinião. Dois meses divididos entre trabalho de âmbito matemático e tempo de férias em Almeida, na companhia de familiares e de velhos amigos. E até de outros que nunca havia conhecido.

Desta segunda parte do meu tempo de ausência, e da forte impressão que durante a mesma recolhi sobre o estado em que hoje se encontra Portugal, falarei numa oportunidade próxima. Hoje, ficar-me-ei pela recente notícia do suposto recuo do actual Governo do Reino Unido sobre a construcção de novas centrais nucleares.

Tive já a oportunidade de mostrar que a realidade da vida de uma central nuclear se materializa em três factos simples: todas se viram atingidas por avarias de algum tipo, mais ou menos perigosas, mas que quase nunca chegam ao conhecimento público, sendo que, invariavelmente, o seu custo é fortemente subdimensionado, para lá de que o custo real da energia produzida constitui um verdadeiro enigma.

No caso de um país pequeno, como se dá com Portugal, os riscos de um desastre numa central nuclear acabarão mesmo por colocar em causa a sobrevivência de parte do próprio País. É uma realidade de fácil percepção.

A razão de ser desta realidade deve-se ao facto de, mau grado ser pequena a probabilidade de um desastre grande numa central nuclear moderna, a mesma não ser nula. E sendo assim, o que realmente importa estimar não é o valor da probabilidade de um tal acontecimento, mas sim o valor esperado do correspondente desastre social. E esse, bom, é enormíssimo, podendo mesmo, como se percebe, pôr em causa a sobrevivência de parte do País.

Foi, pois, com agrado que recebi a posição do actual Governo sobre esta realidade das centrais nucleares em Portugal, retirando-as liminarmente do plano energético nacional.

Ora, há dias o Governo do Reino Unido deu a entender que poderá vir a recuar na construcção das seis centrais nucleares que Tony Blair decidira implementar. E quais foram as razões desta nova decisão de Gordon Brown? Bom, a segurança deste tipo de empreendimentos e a sua reconhecida subavaliação em matéria de custos. Ou seja: nem mais nem menos!

Nesta matéria, com o actual Governo, os portugueses podem bem dormir descansados, virando as suas preocupações para o transporte de corrente eléctrica em regime de alta tensão, bem como para as radiações oriundas das antenas de telecomunicações, que estão hoje um pouco por todo o lado. E quantas vezes sem que os cidadãos das mesmas se dêem conta?!

Esperemos que o exemplo de Gordon Brown faça escola por essa União Europeia fora, e que a nossa atual presidência se esforce no sentido de tornar aquele espaço tão livre quão possível dos riscos sempre omnipresentes nas centrais nucleares.


Hélio Bernardo Lopes

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