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27/AGO/2007
Santos
Canais, 100 Anos
O advento do aniversário dos canais de Santos, configurados neste
27 de agosto que marca a conclusão do Canal 1, o antigo Riacho dos
Soldados, tem um significado especial para Santos. Sua construção
traduziu a viabilização santista enquanto centro habitacional e
comercial, impedido pelas epidemias que grassavam em face do
território pantanoso cujas águas superficiais os canais
rebaixaram, secando o solo. Em 5 anos, (1886-1900) a cidade tinha
triplicado sua população. E sobravam os restos de sua atividade,
esgotos, lixo. O resultado foram as doenças que dizimaram metade
de nossa gente.
Exigiam-se os canais. A cidade vitimada pela peste devolveu a
contribuição irrisória de mil réia doada pelo Governo Estadual.
Mas o lance de gênio do múltiplo intelectual Vicente de Carvalho,
poeta, político, empresario, na substituição do primeiro
presidente do Estado, Américo Brasiliense por Cerqueira Cesar,
galgou a posição de Secretário do Interior e viabilizou as verbas
há tanto pedidas por Santos para os canais, que se fizeram em 20
anos.
A sorte colocou em nosso caminho o engenheiro sanitarista
Saturnino
Rodrigues de Brito, chefe a Cmissão de Saneamento em 1905, um
engenheiro do tempo dos grandes engenheiros e das grandes obras
que não se fazem mais. Mas o sistema separador absoluto, dos
canais (só para águas de chuva), em face do grande índice
pluviométrico da região, entretanto, sofreu modificações - pois o
crescimento não previsto da cidade fez com que se tornasse
depósito de esgotos clandestinos, fato também reforçado elo
sistema e saneamento que passou a aflorar seu excesso, poluindo o
mar.
Mas nenhuma obra foi tão importante para Santos como os canais e
sua existência enquadrou-se dentro das condições ambientais da
cidade em um novo ecossistema, que não poderia ser alterado sob
pena de sacrificar seus beneficios. Assim, o tombamento solicitado
por ecologistas ligados à entidade Ação Mar Aberto, em 1991 -
concedido quando se tentou fazer obras para cobertura do Canal 4
na gestão que antecedeu a do prefeito Papa -, entre eles o
arquiteto José Carlos Lodovici e o ecologista Nelson Rodrigues,
foi vital para manutenção da qualidade de vida em Santos.
De maneira alguma o projeto de Saturnino de Brito poderia ter sido
modificado com sua cobertura, que eliminara os espécimes que
habitam e ajudam a manter o ecossistema dos canais. Como peixe
Lebiste, trazido de Santa Catarina por Saturnino para comer larvas
de mosquitos, seu prato preferencial, estes que estão
desaparecendo pela poluição no ambiente que vivem há um século.
Ademir Pestana
Vereador PSB
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