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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

27/AGO/2007

EUA

Mas Por quê Proibir?

Decorreram quase dois meses desde que escrevi o meu último texto jornalístico de opinião. Dois meses divididos entre trabalho de âmbito matemático e tempo de férias em Almeida, na companhia de familiares e de velhos amigos. E até de outros que nunca havia conhecido.


Desta segunda parte do meu tempo de ausência, e da forte impressão que durante a mesma recolhi sobre o estado em que hoje se encontra Portugal, falarei numa oportunidade próxima. Hoje, ficar-me-ei pela recente intervenção legislativa de George W. Bush, em torno da prática da tortura sobre suspeitos de terroismo, detidos nas prisões secretas da CIA.

Foi-nos possível tomar conhecimento de que o presidente dos Estados Unidos publicou legislação que visa proibir a prática da tortura sobre detidos por supostas acções de torrorismo, e encarcerados em prisões secretas da CIA. Ora, o mínimo que pode sentir-se, em face de uma tal notícia, é uma reacção de espanto!

Mas não era já proibida uma tal prática pela globalidade do ordenamento jurídico norte-americano? É claro que a dita prática tem sempre lugar por toda a parte deste nosso Mundo, mas o cinismo das designadas democracias faz com que se tenha de dispor sempre, de um modo omnivisível, a proibição expressa de uma tal prática!

E por isso tem lugar a questão: porquê proibir? Então essa prática não era já proibida? Ou será que foi completamente violada a legislação sempre omnivisivelmente brandida para Mundo ver? E não existem, então, culpados da execução dessas práticas? E os políticos norte-americanos não conheciam uma tal realidade?

Tenho de confessar que uma tal decisão legislativa me causou um espanto enorme, porque mostra o completo desprezo que as designadas democracias dos nossos dias nutrem pelos próprios princípios que sempre enunciam e pela legislação que publicam para que possa ser mostrada e vista.

No fundo e como todos nós temos de há muito vindo a perceber, tudo está em parecer que se viva num espaço de democracia e de liberdade, porque a todo o momento, desde que se veja por conveniente, de pronto se recorre ao pior de sempre, e que os arautos desta mentira de democracia a que se chegou sempre haviam condenado nas velhas ditaduras.

Termino com uma pergunta que me ocorre por associação de ideias: será que o fantástico acervo documental que Ana Gomes forneceu à Procuradoria-Geral da República se virá a saldar em nada? Bom, se esta questão for olhada na perspectiva de um jogo, digamos assim, eu sempre apostaria que o saldo virá a ser nulo. Mas cá estaremos para ver.


Hélio Bernardo Lopes

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