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19/AGO/2007
Sociedade
Portugal – Povo nas Valetas das Estradas
Caminho de Fátima na Continuação dos Caminhos de Santiago
Um Estado sem respeito pelo povo continua a mandar para a valeta
da estrada o seu povo. Um Estado que apenas se preocupa com
estradas e auto-estradas para os instalados da vida e para os
contribuintes despreza o povo caminhante.
Quem vem da Europa fica confuso ao observar grupos de caminheiros
para Fátima em itinerários sem respeito nem consideração pelo
peão. Humilhação pura para pessoas de consciência com um mínimo de
exigências!
Os peregrinos, acordeirados, nas suas vestes reflectoras fazem
lembrar almeidas da Câmara e das Juntas de Freguesia, enfim, um
Estado de ovelhas! É uma dor de alma ver-se o povo a caminhar pela
estrada nacional nº. 1, a ter de andar pelos IP e IC por falta de
caminhos próprios. Uma imagem que se repete e ninguém parece
notar. Esta imagem parece ser uma metáfora duma sociedade a quem
não é dada a possibilidade de introspecção. Mesmo as coisas mais
íntimas são acompanhadas de ruído poluidor.
A pé no asfalto, exposto ao perigo automóvel, comendo o pó das
estradas, inspirando o Anidrido Carbónico dos tubos de escape,
exposto ao calor das estradas, ao ritmo do ruído automóvel,
portugal peregrina para Fátima. É o portugal povo de que se serve
o tal Portugal, o Portugal dos instalados, aquele Portugal que só
parece conhecer estradas e ruas para carros, ou itinerários sem
povo.
A caminho, como se pode observar nas estradas do Norte de
Portugal, um Portugal migrante de férias a cumprir promessas que o
destino lhe obrigou a fazer. O destino do povo das bermas, do povo
das valetas das estradas é fazer promessas para fugir à dor na
ânsia pela sobrevivência, o destino dos outros, dos das
“auto-estradas” é viver das promessas não cumpridas das campanhas
eleitorais! A estrada da nação, na sua maior parte, não contempla
peões nem ciclistas, menos ainda peregrinos, para estes
reserva-lhe, quando muito as faixas luminosas.
A elaboração do caminho do Norte para Fátima é mais que óbvia. A
sua ausência é uma acusação justa ao Estado, à Igreja, às Câmaras
e Juntas de Freguesia e aos deputados que não estão atentos às
necessidades reais do povo, vivendo uns à custa da sua devoção e
outros à custa dos seus impostos e dos seus votos.
Senhor Presidente da República, senhores do Governo, senhores
presidentes e senhores Bispos, juntem-se e planeiem em conjunto
ruas, estradas e caminhos com árvores, com vida. Realizem o
caminho de Fátima, conscientes da sua grande dimensão económica,
social e espiritual no sentido de integrar, de maneira digna, o
património nacional no internacional europeu, na tradição do
itinerário dos caminhos de Santiago. Neles se refletem o espírito
e a cultura dos povos, o espírito universal que é o nosso.
Portugal tal como os peregrinos tem que levantar os olhos para o
horizonte consciente de que não há caminho feito mas se faz
caminho andando. Peregrinando servimos a higiene corporal e
espiritual não ficando parado em nenhuma etapa da vida, ideologia
ou crença. A vida é fundamentalmente caminhada, é aventura, arte e
mistério. A missão nobre de toda a elite, se o é, é popular. Deus
é povo!
Imagine-se que ao lado destes caminhos se juntavam não só
paróquias e Freguesias mas também roteiros da arte e centros de
veraneio ecológico com artistas e iniciativas ao vivo onde se
revivesse o brio das aldeias tão necessitadas da dignidade roubada
por uma política proletária que apenas conhece o fomento da cidade
Zeca!...
Uma sociedade técnica não pode desprezar o percurso pedonal, a que
se deveria ligar a bicicleta e também o cavalo. De trinta em
trinta quilómetros seriam necessários albergues dignos e
económicos. A Comissão Européia certamente apoiaria com milhões um
projeto que ligasse aspectos históricos, culturais e recreativos
dum turismo não só espiritual como alternativo a toda a Europa.
Valeria a pena iniciar um caminho iniciático na descoberta do
comum das paisagens interiores e exteriores. Neste trajeto não
faltariam certamente ligações aos templários. Tudo isto na
continuação da descoberta do Santo Grahal.
António da
Cunha Duarte Justo
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