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Artigo »Ademir Pestana

20/AGO/2007

Brasil/Sociedade

Violência "De Menor"

Está na pauta do Congresso Nacional a discussão sobre a redução da maioridade penal e sobre a legislação peculiar a cada Estado - e não nacional -, como existe nos Estados Unidos. Podemos dizer, sem medo de errar, que se trata de assuntos que a pretexto de serem sérios na memória o menino Hélio, a que se busca vingança, visam apenas atender e dar satisfações efêmeras à revolta popular contra os menores que se envolvem em ações criminosas. Só que isto não resolve.

São apenas um por cento estes menores, digo, estas crianças, que por estas denominações se separam em suas classes sociais: filho de rico é criança e filho de pobre é "de menor". Em primeiro lugar, não podemos mandá-los para a cadeia por uma questão prática, já não há lugar para os presos atuais. Em segundo lugar porque entre tantas universidades temos esta do crime - a prisão -, em que eles evoluiriam para conturbar ainda mais a sociedade. Em terceiro lugar porque cadeia é correção e não punição, isto há mais de duzentos anos desde o iluminista Beccaria. Não podemos nos vingar deles encarcerando-os. E vai por ai.

Agora, a tentativa de legislar sobre segurança por Estado - cada um tem a sua - é uma falácia, impossível de ser realizada, igualmente anticonstitucional como a primeira proposta. E uma bobagem. Somos diferentes dos americanos do norte, que são "estados unidos" - que uniram suas colônias para fazer a sua independência em 1774 e se mantiveram mais ou menos unidos para se fortalecer - e, observe-se, guerrear com o resto do mundo.


Nossa realidade é diversa, os Estados foram divididos apenas por interesses locais, sem nenhuma lógica - tanto que nos últimos tempos só serviram para multiplicar senadores e deputados, deturpando a representatividade eleitoral. O que era um virou dois, o que era território vira estado e vai por ai nas mãos dos coronéis do sertão. No Brasil o Estado não é um Estado como os da ex-colonia inglesa - tem até senador de Estados que nunca o visitaram...

Enfim, a solução para a as ações marginais dos menores (crianças) e também maiores é bem outra. Dia destes assistimos na TV um transporte de zebras para o zoológico. Acumuladas em um caminhão ou cercado estreito, começam a brigar e se morder no grupo. Isto aconteceu mesmo sendo elas iguais: imagine se fossem zebras classe A, B, C, D e E, umas com mestrado, doutorado ou uma simples universidade e outras analfabetas e carentes, umas deslizando de carro outras a pé, umas no palácio outras na favela? Ia ser muito pior. Então, dê armas de fogo para as zebras e veja o que acontece. Elas vão matar e assaltar, resolver briga no tiro, matar sem querer. Entendeu como é fácil - e difícil - acabar com a marginalidade? Mas tem gente que acha que se resolve com cadeia, pena de morte, aumento do contingente policial, leis mais duras...

 

Ademir Pestana
Vereador PSB

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