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06/AGO/2007
Ex-Combatentes
A Realidade dos desvalidos da Pátria – 20
O inconformismo dos Ex-militares e
Ex-combatentes é manifesto
Pela sua relevância
social, repasso, conforme abaixo, a íntegra da transcrição de uma
Carta Aberta à Comunidade Portuguesa, de autoria de Manuel Gomes
da Silva, Presidente da Comissão dos Ex-militares no Luxemburgo, a
mim encaminhada pelo próprio, via e-mail, sendo que, ao final, me
permito fazer o meu comentário.
Carta Aberta à
Comunidade Portuguesa e para quem se dignar ouvir
este…
Grito de Revolta
Estimados compatriotas,
Depois de muita tinta gasta em
cartas enviadas para os governantes, deputados, jornais e tantas
outras entidades, constato que continuamos no mesmo ponto de
partida: Os Ex-militares/emigrantes continuam a aguardar que
justiça lhes seja feita.
Quando em 1993 tomei
conhecimento da publicação do Decreto-lei 329/93, de 25 de
Setembro, não me conformei com a discriminação que nos era feita e
que contestei junto à Provedoria da Justiça.
Em 2001, desenvolvi, num
artigo, aquilo que a maioria dos compatriotas ignorava, ou seja,
para que o serviço militar efetuado passasse a ser reconhecido,
para efeitos de reforma: o Ex-militar tinha de ser beneficiário da
Segurança Social portuguesa. É aqui que reside o problema.
De fato, nos anos 60 e 70 do
século passado, aos jovens portugueses não lhes era perguntado se
queriam cumprir o serviço militar. Eles eram obrigados a fazer a
guerra colonial, a grande maioria vinha dos meios rurais e não se
encontravam inscritos na Segurança Social, ou seja na então Caixa
de Previdência.
Só em 1975, depois do final da
guerra colonial, passou a ser obrigatória a inscrição na Segurança
Social.
Até aqui, para muitos deles,
só havia um caminho. O da emigração à procura de melhores dias.
Naturalmente que nessa altura ninguém pensava na idade da reforma
e do tempo passado na tropa.
Desde há alguns anos que tenho
vindo a dinamizar no “mundo da emigração” a batalha pelo
reconhecimento, para efeitos da reforma, do tempo de serviço
militar obrigatório. O Estado deveria ter feito a nossa inscrição
na então Caixa de Previdência e proceder aos respectivos
descontos. Não o fez.
Com o apoio da Central
Sindical luxemburguesa, OGB-L, criou-se uma Comissão no Luxemburgo
e mais tarde surgiu uma Associação em França. Desde então muitos
passos foram dados. Muitos encontros e muitas reuniões foram
feitas com ministros, deputados, técnicos, embaixadores, cônsules.
… Todos nos dizem que temos razão, que as nossas reivindicações
são justas, que se devia fazer justiça. Mas o tempo passa e a
justiça tarda em ser feita.
Perante a nossa insistente
reclamação e tendo em conta a dimensão do problema, a Assembléia
da República “criou” à pressa uma Lei, a Lei 9/2002, de 11 de
Fevereiro. Uma Lei defeituosa que continuava a discriminar os
Ex-militares e Ex-combatentes que se encontram na emigração.
A Petição que entregamos na
Assembléia da República, subscrita por 12 mil cidadãos, exigindo a
alteração do DL n.º 329/93 de forma a permitir que todos aqueles
que tivessem feito o serviço militar vissem esse mesmo tempo
incluído para efeitos de Reforma, foi discutida e aprovada por
unanimidade no Plenário da Assembléia da República no dia 23 de
Março de 2003. Passaram-se 4 anos mas sem que os governos,
primeiro o do PSD-CDS/PP e agora o do PS, tivessem, até hoje, sido
coerentes com as posições então defendidas.
Consideramos que a Lei deve
contemplar todos os Ex-militares, não entendemos nem aceitamos que
se queira fazer discriminação entre os Ex-combatentes.
Ao longo destes anos de luta,
os sucessivos governos do PSD, CDS/PP e do PS, têm feito muitos
discursos, muitas promessas, muitas reuniões, mas o resultado aí
está: ZERO.
O Governo PSD-CDS/PP, publicou
a Lei 21/2004, de 5 de Junho, que reconhece o direito à contagem
do tempo de serviço militar para efeitos de reforma, o mesmo
Governo prometeu regulamentar a referida Lei no prazo de 60 dias,
ou seja, até 4 de Agosto de 2004. Ainda hoje estamos à espera que
a Lei seja regulamentada para então poder ser aplicada.
O Governo PS do Eng.º
Sócrates, mais não tem feito do que nos entreter na esperança de
nos ver cansados ou, talvez, de ver a LEI DA VIDA resolver
naturalmente o problema.
No dia 1 de Dezembro do ano
passado, aquando da visita do Secretario de Estado, António Braga,
ao Grão-ducado (Luxemburgo), tivemos ocasião de voltar a falar
desta situação. O governante já
introduziu outros
argumentos mais actuais no seu discurso e lá nos foi logo dizendo
que a situação financeira do país é ruim, que é tempo de contenção
de despesas, em suma, não pode regulamentar uma Lei que cause
despesas ao Estado. É muito descaramento!
Entretanto, o Governo já não
evoca as mesmas razões, por exemplo, para se meter no atoleiro do
Iraque, para onde enviou tropas, não para defender o interesse
nacional mas sim para acudir ao Governo norte-americano. Aqui já
não houve recurso à contenção da despesa pública.
A não regulamentação da Lei,
para além de ser um atropelo ao princípio constitucional quanto à
igualdade de tratamento entre cidadãos, é uma injúria e uma falta
de respeito pelos Ex-combatentes/emigrantes. Basta de humilhações!
Exigimos que seja feita justiça!
E é por esta e outras razões
que a Associação dos Reformados e dos Ex-militares/Ex-combatentes
Portugueses de França (ARMCPF) e a Comissão dos Ex-militares
Portugueses no Luxemburgo decidiram voltar a manifestar-se em
Lisboa no dia 09 de Agosto. É muito provável que desta vez nessa
manifestação se venham a juntar todos os portugueses residentes no
estrangeiro que estão descontentes com as medidas que o Governo
tem vindo a tomar contra as Comunidades Portuguesas, que vai desde
a intenção de encerrar consulados às medidas para reduzir a rede
do ensino português no estrangeiro. Só estas medidas são a prova
mais que evidente da falta de consideração que o Governo tem por
nós emigrantes.
Caros compatriotas,
Apelo à vossa participação
nesta manifestação, para dizer bem alto, na capital do nosso País,
que somos cidadãos portugueses que reclamam justiça, igualdade e
respeito pelos nossos direitos.
Enquanto militares já pagamos
com o nosso corpo e o nosso sangue.
Enquanto emigrantes já pagamos
e continuamos a pagar com o nosso suor e sacrifícios.
Só queremos que justiça nos
seja feita.
Essas são as palavras subscritas pelo autor da Carta Aberta.
Meu comentário:
Simplesmente, como
Ex-combatente, embora as circunstâncias não me permitam estar
presente à manifestação de 09 de Agosto, faço a minha adesão em
espírito reforçando, em uníssono, o GRITO DE REVOLTA dessa
destemida e gloriosa classe que tão vilipendiada vem sendo por
parte dos sucessivos Governos pós 25 de Abril e seus
cúmplices do Parlamento. Eu mesmo, embora isoladamente,
porém em nome dessa classe, cheguei a manifestar publicamente o
meu desagrado, a minha indignação, dirigindo-me cara a cara a um
político de Lisboa quando há um ano esteve de visita ao Rio de
Janeiro. … O nome dele? … Não, não vale a pena! ... Ao que consta,
apesar do seu comportamento detestável e omisso no seio das
nossas Comunidades espalhadas pelo mundo, parece que a
consciência não lhe pesa e, por isso, ele não merece que aqui cite
o seu nome, tal a mesquinhez que, aliás, vem sendo seu apanágio,
sendo que, por isso, a sua identificação não vem ao caso visto ser
por mim considerado um mero detalhe absolutamente irrelevante,
podem crer! … Interessa sim é a minha atitude pelo desassombro – o
que me orgulha– que, na oportunidade,
demonstrei e onde esse meu interlocutor de então – respondendo com
subterfúgios ao meu questionamento quanto ao que o novo Governo
faria em favor dos direitos dos Ex-combatentes – apenas
prometeu verificar a situação da Regulamentação da Lei
21/2004. Aliás, prometeu, mas, como já era de se esperar, não
cumpriu. Veja-se que, ao que me consta, trata-se de uma pessoa
useira e vezeira nesse tipo de comportamento, o que é deveras
lamentável. Se este comentário chegar ao conhecimento dele,
certamente que ele “enfiará a carapuça”, já que ela lhe cabe
perfeitamente.
Reconheça-se a
abnegação de MANUEL GOMES DA SILVA, um Ex-combatente,
emigrante no Luxemburgo que, há alguns anos, vem desenvolvendo uma
luta titânica em prol da classe, objectivando a alcançar a
concessão dos direitos a que fazemos jus enfrentando o Governo
e o Parlamento com um destemor digno dos maiores encômios.
Coincidentemente, trata-se de um POVEIRO (meu conterrâneo,
portanto, o que muito me orgulha, pois que ambos somos naturais da
bela Póvoa de Varzim) que merece o nosso preito. … E que Deus o
ajude nessa empreitada tão espinhosa! … E olhem que se trata de um
cidadão português, alfaiate de profissão, sendo que, apesar de ter
apenas uma escolaridade limitada ao ensino primário, isso não o
inibe, muito pelo contrário, aliás, isso ainda mais o dignifica,
haja visto a sua inteligência, a sua capacidade de liderança e a
sua coragem indômita.
Você é “grande”,
MANUEL! … Bem-haja!
Atente-se que meu
incentivo isolado é feito na premissa de que jamais desistamos da
nossa luta, de que jamais abandonemos o “campo de batalha”, apesar
de sermos vítimas da traição dos Governantes da Mãe-Pátria
que, por isso, acaba tornando-se uma madrasta ingrata ao se omitir
de satisfazer os nossos direitos sagrados em tempo válido.
Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil
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