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Artigo » Por Gaspar Nunes

15/AGO/2007

 

Sociedade

Programa de apoio à Natalidade em Portugal

Apenas uma questão de bom-senso

 

Conforme matéria publicada no Jornal de Negócios, que transcrevo editando-a abaixo, o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou em 20 de Julho p.p., no Parlamento, um programa de apoio à família e à natalidade, aumentando o abono de família para as crianças e criando uma nova prestação de apoio à gravidez.

 

As medidas de José Sócrates foram transmitidas aos deputados no seu discurso inicial do debate do Estado da Nação.

O chefe do Governo disse que será criada "uma nova prestação de abono de família, que será paga às futuras mães a partir do terceiro mês de gravidez".

"Garantido o acompanhamento médico, as mulheres grávidas, que preencham os requisitos para receber o abono, passarão a ter direito a seis meses de apoio financeiro adicional. Com esta prestação apoiaremos mais de 90 mil famílias e o valor do abono dependerá dos rendimentos. Mas para cerca de 32 mil famílias isto significará um novo apoio de 130 euros" por mês, sustentou.

A segunda medida de apoio à natalidade, de acordo com Sócrates, destina-se a apoiar as famílias mais numerosas nos segundo e terceiro anos de vida das crianças – "período em que o acréscimo de despesas é mais relevante e onde o atual abono de família é substancialmente mais baixo".

O Governo vai por isso "duplicar o abono de família, neste período de vida das crianças, para segundos filhos e vamos triplicá-los para os terceiros filhos e seguintes. Trata-se de envolver mais de 90 mil crianças e respectivas famílias num apoio social muito mais efetivo, durante um período em que isso é particularmente necessário", sustentou.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados a 11 de Julho revelaram que nos últimos 20 anos Portugal caracteriza-se pelo decréscimo da taxa de natalidade tendo passado de uma média de 12,2 para 10 crianças por cada mil habitantes.

Por outro lado, o INE revela que entre 1987 e 2006 as mulheres residentes em Portugal tiveram, cada uma, menos filhos e mais tarde.

Enquanto em 1987 a maioria das mulheres tinha filhos entre os 20 e 24 anos hoje é dos 25 aos 28 que se verificam os valores mais elevados das taxas de fecundidade.

Por outro lado, o número médio de filhos por mulher em idade fecunda passou de 1,41 em 1995 para 1,36 em 2006.

Com o decréscimo da taxa de natalidade e o aumento da longevidade a população portuguesa está a envelhecer tendo a proporção de jovens passado de 22% em 1987 para 15% em 2006.

 

Meu Comentário

Nada mais apropriado do que simplesmente parafrasear o nosso compatriota Manuel Fonseca em sua manifestação intitulada “Para português ver”, publicado na Internet, ao mesmo site, conforme compilação que apresento editada abaixo:

 

Portugal é o país da Europa com mais baixa natalidade. Porquê? Quais as razões desta situação especial? Que fatores contribuem para a baixa natalidade? Em que extratos sociais a natalidade é mais baixa? Sem explicar as razões – e não explicando ficam fundadas suspeitas de que as desconhece – desta preocupante tendência decrescente da natalidade no País, o Governo já decretou medidas para a combater.

 

Portugal tem mais de três milhões e meio de famílias, nem todas, é certo, na idade de procriar, mas o Governo espera resolver a falta de nascimentos com medidas que abrangem pouco mais de 2,5% das famílias. Só se pode estar no reino da fantasia, do faz-de-conta, da falta de senso do ridículo!

 

A outra medida é o aumento do abono de família para os agregados mais numerosos, duplicando ou triplicando o valor do abono referente ao segundo e terceiro filhos, no segundo e terceiro ano de vida das crianças, altura em que, estima o Governo, “o acréscimo de despesas seja mais relevante”. Desconheço quantas famílias serão abrangidas por esta medida, mas é evidente que muito poucas (famílias com três ou mais filhos e em que, dois destes, tenham idades de 2 ou 3 anos). Arrisco-me a afirmar que serão menos de 1% das famílias portuguesas. Assim, com medidas abrangendo faixas marginais da população, o Governo pretende resolver um dos maiores problemas de sustentabilidade de Portugal, como país independente, a longo prazo. Quem não conhece as causas desses fenômenos, naturalmente desperdiça o dinheiro em soluções que não resolvem.

 

Da mesma forma, conforme compilado no mesmo site, a manifestação de um outro compatriota que se identifica apenas pelas iniciais de JCG ele chama a atenção para o seguinte:

1. O apoio financeiro deve, essencialmente, visar o 3º filho (3 filhos por mulher garantem a manutenção/reprodução ou reposição da população): abono fortemente crescente até ao 3º filho, mas acaba no 3º filho (a menos que a mulher mude de marido; a lógica é – tal como na Austrália – um filho para a mãe + um filho para o pai + um filho para o País). Isto para impedir que algumas faixas da população se especializem em reprodutores, tipo ciganos, etc., e vejam isso como uma forma de vida. Além disso, é preciso diversificar o material genético.

 

2. Mais do que o apoio financeiro, penso que é preciso investir fortemente na logística, dado que é nessa área que os pais que trabalham têm as maiores dificuldades. O Estado deve investir em creches em quantidade e adaptados às necessidades dos utentes e não dos que lá mandam ou trabalham e, por exemplo, podia pensar numa forma de estimular as empresas – as maiores – a criarem creches para os filhos dos seus trabalhadores. Acho que para a empresa seria um ótimo investimento. Algumas já perceberam isso.

 

Isso posto, tratando-se de uma questão extremamente polêmica sobre a qual muita tinta ainda correrá, por agora, abstenho-me de mais comentários, restando-me parabenizar o Manuel Fonseca e o JCG, assinando em baixo, simplesmente!
 

Gaspar Nunes
Rio de Janeiro – RJ, Brasil

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