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07/AGO/2007
História
O Venerável Padre Gonçalo da Silveira
Por gentileza do Senhor Padre Francisco Correia Sj. e através da
Fundação Gonçalo da Silveira, tenho agora em meu poder o livro
recentemente publicado, de sua autoria, que tem o título “O
Venerável Padre Gonçalo da Silveira”.
Segundo li, foi o segundo Mártir de toda a Companhia de Jesus e
foi seu companheiro nos estudos, em Coimbra, Luís de Camões que o
canta no canto X dos Lusíadas, nº 93 e consagra-lhe o soneto nº 37
do I tomo das Rimas.
O Padre Gonçalo nasceria em 23 de Fevereiro de 1521 em Almeirim.
Fora filho de D. Luís da Silveira, 1º Conde da Sortelha, 17º
Senhor de Góis, Guarda-mor de D. Manuel e de D. João III, e de
Dona Brites de Noronha que morreu ao dar à luz este seu 10º filho.
Esta família está sepultada num rico túmulo Renascentista na
Capela-mor da Igreja Matriz de Góis.
Muito novo, Gonçalo da Silveira estudou em Mogadouro, mas depois
seu irmão o Conde D. Diogo da Silveira mandou-o para o Mosteiro de
Santa Clara de Coimbra. Ali permaneceu alguns anos antes de entrar
na Companhia de Jesus. Deixou vaidades e honras terrenas para se
dedicar somente ao serviço de Deus. D. Gonçalo foi ordenado Padre
em 25 de Dezembro de 1545. Por essa altura visitava Góis, onde se
encontravam, por vezes, os seus pais num Palácio que seu pai D.
Luís da Silveira mandara construir ao lado do rio Ceira, de que
hoje só resta o nome de PAÇO. Cedo se revelou um brilhante
pregador, contado mesmo, como sendo um dos melhores oradores de
Portugal, até que a sua fama chegou ao conhecimento do rei D. João
III, que o admirava muito. D. Gonçalo começou a sentir um ardente
desejo de ser Missionário e profetizou mesmo vir a ser Mártir em
terras do Oriente, para onde partiu em 30 de Março de 1556,
integrado numa expedição. Embarcou em Belém com mais nove
companheiros Jesuítas. Em 6 de Setembro chegou a Goa e foi
recebido no Colégio de S. Paulo pelos 60 Jesuítas que ali viviam.
Pregou em Cochim, criticando festas Judaicas que se realizavam de
noite na Sinagoga. Daí aparecer na caixa das esmolas na festa
Corpus Cristi um escrito contra ele.
Aqui o Padre Gonçalo interessou-se por conhecer as escrituras
sagradas hindus e ajudou um brâmane, convertido ao cristianismo, a
traduzir para português a obra de um famoso pensador hindu que
viveu fora de Goa.
Em 1559 D. Constantino de Bragança, vice-rei da Índia, instigado
por outros, desafiou os jesuítas de Goa a abrirem uma missão em
Moçambique; logo o Padre Gonçalo se ofereceu para esta missão,
sempre pensando louvar Deus no martírio. Chegaram a Moçambique em
4 de Fevereiro de 1560. Dali seguiram para Inhambane e Tougue.
Gonçalo da Silveira achou-se mal na viagem, mas o rei Gamba
recebeu-o muito bem, dando licença que baptizasse quem quisesse.
Baptizou o Rei de Tougue e a Rainha, impondo-lhe a ele o nome de
Constantino, em homenagem ao Vice-rei da Índia e à rainha o nome
de Catarina.
Chamados para a Índia, em Moçambique sofreram uma violenta
tempestade e no areal foi celebrada uma missa. O seu alvo era
alcançarem o reino do Monomotapa a fim de converterem o seu povo.
Chegado ao Palácio foi recebido com alegria, num aposento onde não
entrava ninguém. Ali o rei o fez sentar numa alcatifa no meio dele
e de sua mãe, perguntando-lhe o queria: vacas, ouro, mulheres ou
terras? Padre Gonçalo disse-lhe: -Nada preciso dessas coisas, mas
de sua alteza.
Recolheu, então, Gonçalo da Silveira numa casinha, na qual
improvisou um altar e dizia missa diante de uma imagem da Virgem,
que levara de Goa. O rei, que ouvira dizer que ele tinha lá uma
mulher bonita, foi logo lá indagar. O Padre Gonçalo disse-lhe: - É
a mãe de Deus. À visto disto o rei fez-se Cristão e sua mãe, tendo
sido baptizados numa solene cerimónia e pondo-lhe o nome de D.
Sebastião em honra do rei de Portugal, e a sua mãe D. Maria. Foram
ainda baptizadas mais 300 pessoas.
Este triunfo despertou ódio nos mouros ricos, que convenceram o
rei a ordenar a sua morte. Alguns dignitários da corte, não
querendo ser baptizados, foram dizer ao rei que o Padre Gonçalo
vinha mandado pelo Governador da Índia para espiar a terra,
matá-lo e tomar conta do seu reino. O povo foi também acusá-lo,
injustamente, de feiticeiro traidor e que trazia mezinhas para
tomar a terra. Todos estes embustes causaram ao monomotapa uma
grande confusão e resolveu acabar com o bondoso Padre Silveira.
António Caiado que era uma espécie de embaixador junto do rei,
ainda foi falar com ele e com sua mãe, mas de nada valeu.
Numa noite os inimigos esperavam que o Padre se deitasse na
esteira e entraram 8 cafres, sendo um deles o Mocurume, que
algumas vezes tinha comido com ele e era de família real, que logo
se pôs sobre o peito da vítima. Levantaram-no no ar e lançaram-lhe
uma corda ao pescoço para o afogarem. Foi depois arrastado para o
rio Mosenguese, no qual o lançaram para que não deixasse peste na
terra aquele homem tomado por feiticeira e era um verdadeiro
santo. Os moços que estavam fugiram para o mato e viram o sangue
no caminho e em casa um crucifixo feito em pedaços, tudo isto
desenrolado em plena Quaresma.
Três dias depois, os portugueses que ali permaneciam foram dizer
ao rei que nunca deveria mandar matar um santo e pessoa tão nobre
e que da Índia poderia vir uma armada para o destruir. Ele lançou
a culpa aos mouros, quatro dos quais mandou matar e outros
fugiram.
Conta uma lenda que nas serras do monomotapa foram encontradas
aves enormes, de brancas penas, num pau muito grosso e comprido.
Os moradores dali próximo diziam que o pau estava ali há muito
tempo e para lá fora levado por uma cheia no rio com um corpo de
um homem branco vestido de negro. Tigres e outros animais o
levaram para aquela brenha e ali o guardavam; só àquelas aves era
consentidos porem-se nele para descansarem e nele faziam uma suave
melodia que muita gente apreciava. As pessoas diziam que tal corpo
seria de um grande santo, que se chamou Padre Gonçalo da Silveira.
O mais provável, refere um relatório do Pe. Fróis, era que o Padre
Gonçalo fora lançado ao rio e certamente comido pelos crocodilos.
A morte deste santo causou espanto e indignação em toda a Europa e
também em Goa. Em Portugal o rei D. Sebastião ficou tão
consternado que até ordenou mandar uma expedição punitiva contra o
Monomotapa, o que pouco ou nada valeu.
A. Wilmot que escreveu um livro sobre o Monomotapa e investigou o
processo da beatificação do Pe. Gonçalo, interessou-se pelo
prosseguimento e percebeu que o melhor caminho, uma vez que foi
martirizado em possessões portuguesas era que a petição fosse
feita por portugueses. Passando por Lisboa encontrou certas
hostilidades e havia um defeito de formalidade canónica que
implicaria um reexame do processo de 1630. Na reabertura do
Concílio Vaticano II, D. Sebastião Soares de Resende, primeiro
Bispo da Beira – Moçambique renovou o pedido da glorificação
canónica do Padre Gonçalo. Mais recentemente o primeiro Núncio
Apostólico em Moçambique 1996 – 99 mostrou-se muito interessado em
levar aos altares o Pe. Gonçalo, mas as informações vindas da
Cúria em Roma não foram animadoras.
Há muito pouco tempo, buscando, eu também este caso, na Internet.
li o seguinte: O Padre Gonçalo da Silveira é reconhecido como
Venerável, estando já introduzido o processo da sua beatificação.”
Que assim seja. Pelo que sabemos, o Padre Gonçalo da Silveira,
martirizado como foi, bem merece ser canonizado e exaltado perante
toda a Humanidade, como exemplo de Vida, de BEM, de FÉ e Martírio
e até ser uma honra para Portugal o seu nome odorar perfumes em
terras de Almeirim onde nasceu e em Góis, onde permanecem seus
pais e mais ascendentes em sepulcro artístico na Igreja Matriz,
considerado Monumento Nacional muito apreciado.
Por Pe. Francisco
Correia
Pesquisa de Clarisse Barata Sanches
Notas da Biografia
de um Mártir, escrita pelo Pe. Francisco Correia, sj
Em "O Venerável Gonçalo da Silveira"
Pesquisa de Clarisse Barata Sanches
Agosto de 2007
Góis – Portugal
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