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31/JUL/2007
Justiça
Uma Constante Histórica
É interessante constatar a mentira fantástica que se vai
conseguindo criar em torno da fenomenologia histórica, mormente no
respeitante à violação dos direitos humanos.
A cada momento, sempre que se ouve um qualquer intelectual falar
do Estado Novo e de Salazar, bom, lá nos chegam as conversas
críticas sobre as torturas da PIDE, nomeadamente no respeitante ao
caso da tortura do sono.
Ouvimos Mário Crespo há dias ser entrevistado na RTP 2, e lá nos
surgiu, como não podia deixar de ser, o velho, desaparecido e
histórico Tarrafal, com todo aquele seu cortejo de injustiças que
ninguém pode realmente negar.
Mas a verdade é que o nosso jornalista se esqueceu de abordar ali
os crimes do BOSS e da CIA, hoje profusamente conhecidos, sendo
que no caso do segundo serviço secreto nos foi dado saber, muito
recentemente, por confissão própria, que quanto em tempos se disse
era a realidade.
E se esperarmos pela morte de Henry Kissinger, lá se fará clareza,
finalmente, sobre o golpe chileno e a responsabilidade
norte-americana por quanto se passou. Um mera questão de tempo.
Ora, há dias, chegou-nos a acusação de um cidadão russo, que diz
ter sido convidado a colaborar com o serviço inglês, MI6, em ordem
a pôr em causa Vladimir Puttin e os interesses russos. A questão é
esta: sendo isto natural num qualquer serviço secreto, sem o que
para nada serviria, e depois do que recentemente se deu a conhecer
sobre históricas actividades da CIA, onde estará a verdade?
A nossa comunicação social apresenta sempre o mal destas questões
como sendo proveniente dos países exteriores à União Européia, e,
em certas situações, aos próprios Estados Unidos. E mesmo quando
reconhece culpa a estes, e que os mesmos utilizaram países da
União Europeia para fazerem funcionar prisões secretas, a verdade
é que toda a verdade fica em nada.
Como o meu caríssimo leitor pode bem ver, o problema dos abusos do
poder do Estado é um problema de sempre: é de ontem, de hoje e de
sempre. Com cambiantes, é certo, mas um só problema e de sempre.
Tudo o mais, é treta.
Hélio
Bernardo Lopes
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