|
03/AGO/2007
Portugal
Sempre em Decrescendo
Do modo mais objecivo que se pode imaginar, a cada dia que passa
nos chegam indicadores de que o País não arranca, numa situação
que tudo aponta poder vir a manter-se por muito tempo. Décadas,
porventura.
Pois, aí está um novo indicador que nos chegou há uns dias poucos:
a imigração para o nosso País está a diminuir de modo acentuado,
conforme nos garante o mais recente relatório da OCDE. E qual é a
causa para uma tal realidade? Pois, o dito relatório responde a
esta questão: a crise econômica que continua instalada em
Portugal.
Devo dizer que me não encontro desiludido com o que, globalmente,
se passa hoje em Portugal, porque para o estar teria de ter estado
antes iludido! E, mau grado ter concedido mais de dois anos de
benefício a José Sócrates e a este seu Governo, a verdade que que
há uma realidade que se nos impõe e que não posso, nem devo,
negar. E essa realidade é simplesmente assustadora.
Ontem mesmo tive a oportunidade de escutar Henrique Medina
Carreira, com cujo pensamento político me não identifico, mas
tenho de reconhecer que só muito dificilmente se poderá caminhar
para melhor quando um Primeiro-Ministro se compromete perante os
seus concidadãos e o País a realizar um referendo para ratificação
de certo tratado e depois acaba por não voltar a garantir o que já
havia feito!
A tudo isto, e na mais cabal contradição com quanto tem sido entre
nós oficialmente assumido, o chefe da diplomacia holandesa,
primeiro, e agora mesmo o líder do Parlamento Europeu, já vieram
dar aos europeus a sua opinião sobre o modo de ratificação do
tratado: são contra referendos...
O que os nossos líderes políticos não querem aceitar é que
Portugal tem as suas características próprias, e que estas não nos
permitem estar onde a todo o momento nos dizer ser o nosso
objetivo estratégico: no tal sonhador pelotão da frente...
Quem conduz a vida política tem o dever de falar claro aos seus
concidadãos, no lugar de o fazer como hoje mesmo referiu Mário
Soares a Mário Crespo, mudando palavras, mas mantendo tudo na
mesma. E tem também a obrigação de realizar uma política do
possível, e não uma que seja de sonhadores fracassados.
É verdade que temos auto-estradas, pontes, grandes e novas,
centros culturais e de congressos, mas estamos a pagar um preço
que muitos não terão nunca imaginado. Será que já conseguem
imaginar hoje o preço final a que tudo irá chegar?
Hélio
Bernardo Lopes
|