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11/JUL/2007
Esporte e Política
Pan-americanos no
país das maravilhas
A realização dos XV Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro
contrapõe o fato de trazer para o país um evento de grande porte
continental que pode estimular a prática de esportes e aumentar
renda e empregos no meio esportivo com as suspeitas de desperdício
público de cerca de R$ 3 bilhões investidos em obras
desnecessárias.
Em um país onde não faltam denúncias de superfaturamento de obra,
propinas e mensalões acredito que a população gostaria de ver
esses R$ 3 bilhões investidos em outros setores deficientes do
nosso país.
Os Jogos Pan-americanos são anunciados como um evento que desperta
o civismo na população e que além da parte esportiva deixará um
legado em infra-estrutura que facilitará a atração de turistas
para o Rio de Janeiro. Além disso, seriam os Jogos Pan-americanos
uma forma de mostrar que o Brasil tem condições de sediar os Jogos
Olímpicos.
Outra argumentação que se apresenta como positiva para os jogos é
o fato de mostrar ao país que existem outras modalidades
esportivas além do futebol e assim amplificar o trabalho do Comitê
Olímpico Brasileiro na busca por transformar o país em uma
potência olímpica de fato. Outro ponto é mostrar que o esporte de
competição pode estimular toda uma nação a praticar atividades
físicas e que a disciplina do esporte é importante para que
tenhamos uma vida mais saudável.
Apesar de plausíveis, os argumentos para que os Jogos
Pan-americanos fossem uma unanimidade nacional começam a ser
derrubados pelo fato de que os jogos são na verdade uma competição
de qualidade duvidosa e que com certeza não trará de volta o valor
investido para que fosse realizado.
Para se ter uma idéia da importância do Pan, os Estados Unidos
enviarão para o Rio uma delegação formada basicamente por atletas
sem expressão, muitos universitários, e nenhuma estrela. No site
do Comitê Olímpico Americano, a última matéria sobre os jogos é de
24 de janeiro deste ano.
Em um país em que milhões ainda vivem na miséria é indispensável
apontar o crime que é investir R$ 3 bilhões para a realização de
uma competição esportiva que nem ao menos se pagará. Se a questão
é atrais mais turistas para o Rio de Janeiro, bastaria pegar parte
desse montante investido nos jogos e melhorar as condições sociais
da cidade, o que por sua vez traria melhoria na segurança pública,
que
é o que tem espantado os turistas do Rio de Janeiro.
Transformar o país em uma potência esportiva passa por termos uma
educação de qualidade que ofereça uma cultura esportiva à
população. Precisamos de equipamentos esportivos de qualidade em
todo o país para que tenhamos condições de garimpar novos talentos
pelo Brasil afora. De nada adianta ter novos estádios e ginásios
de primeiro mundo no Rio de Janeiro se na mesma cidade
encontraremos crianças
que iniciam seus passos esportivos em quadras abandonadas. E a
mesma situação pode ser encontrada no resto do país, seja nas
grandes metrópoles ou no interior do Brasil.
O que o Brasil precisa nesse momento é de administração séria, que
deixe de imaginar que está no primeiro mundo e passe a olhar sua
população com seu devido respeito. Só a partir do momento em que
tenhamos seriedade e respeito com o dinheiro público e seus
contribuintes é que poderemos trazer ao país eventos de porte
continental e mundial.
Valter Moura Júnior
Coordenador do Núcleo de Jovens Empreendedores da Associação
Comercial e Industrial de São Bernardo
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