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Artigo » Por Gaspar Nunes

06/JUL/2007

 

Política

Novo regime da Segurança Social em Portugal

A Reforma muda todos os anos

 

Conforme matéria de autoria de Miguel Alexandre Ganhão, publicada em 03/06/2007, no site do Jornal Correio da Manhã, que transcrevo a seguir, editando-a em português do Brasil já que o texto original é em português de Portugal – com o meu comentário ao final –, as novas regras da Segurança Social que entraram em vigor no dia 1 de junho vão ter como conseqüência direta a revisão anual dos cálculos de todas as Pensões de Reforma. Esta necessidade surge porque o fator de sustentabilidade, introduzido no novo regime, tem de ser revisto todos os anos em função de critérios ainda a definir.

 

 

Segundo apurou o Correio da Manhã, o Instituto Nacional de Estatística (INE) encontra-se a estudar a metodologia oficial que servirá de base ao apuramento do fator de sustentabilidade. Este processo, que deverá ser sujeito à aprovação do Conselho Superior de Estatística, deve estar concluído até ao terceiro trimestre deste ano para poder ser aplicado a partir de 1 de janeiro de 2008. Após a aplicação ficam definidas todas as metodologias necessárias para que, anualmente, o fator de sustentabilidade seja revisto com as necessárias conseqüências no cálculo das Reformas.
Este novo fator é a grande inovação do novo regime e também o grande responsável pela diminuição do valor das Reformas a partir de agora.
Esta foi a fórmula encontrada pelo Governo para fazer face à falência do atual sistema de Segurança Social e, simultaneamente, ao aumento crescente da esperança de vida que pressiona o sistema da previdência.
Com a longevidade a crescer, as contas do Estado não suportam pagar Reformas durante períodos longos a quem teve uma carreira contributiva curta. Por isso, à medida em que a esperança de vida vai subindo é exigido ao trabalhador que, de duas uma; ou trabalhe mais anos para assegurar um valor de Reforma que não seja muito desfasado do último salário ou desconte mais nos últimos anos da carreira contributiva.
Isto será aplicado no pressuposto de que todos se reformarão aos 65 anos. Quem quiser antecipar a Reforma será penalizado (0,5% por cada mês). Quem quiser continuar a trabalhar para além dos 65 anos (até aos 70, p.ex.) será premiado com uma bonificação na Pensão por cada mês de trabalho para além do momento de acesso à Pensão completa.

FORMA DE BAIXAR AS PENSÕES
A grande novidade do novo regime chama-se fator de sustentabilidade e foi uma forma que o Governo arranjou para baixar, de imediato, o valor de todas as Pensões de Reforma, indexando o valor das prestações à esperança de vida dos beneficiários.
Aquele índice resulta da esperança média de vida verificada em 2006 e aquela que vier a verificar-se no ano anterior ao do requerimento da Pensão. Na prática, é um fator que vai diminuir o valor da Pensão, obrigando as pessoas a trabalhar mais tempo para não perder muito poder aquisitivo.
O cálculo do fator de sustentabilidade ainda não está determinado pelo Instituto Nacional de Estatística, mas ficará pronto até ao final do ano e será aplicado a partir de 2008
Partindo do princípio de que a esperança média de vida tem vindo a aumentar continuamente, o valor das Pensões vai baixando tendencialmente ao longo dos anos.

METADE DA POPULAÇÃO COM 60 ANOS EM 2020
O sistema de Segurança Social português assenta num modelo de repartição pura: os trabalhadores no ativo pagam a Reforma daqueles que deixaram de trabalhar, na esperança de que, quando se reformarem, os que então entraram no mercado de trabalho tenham a capacidade de continuar a pagar.
Se o índice de emprego se mantiver constante o fator que mais influenciará o equilíbrio do sistema será a estrutura da população.
Assim, menos jovens atuais significa que existirão menos ativos no futuro e uma maior longevidade significa mais reformados.
Segundo o projeto de investigação ‘Envelhecimento, financiamento das reformas, comportamento de acumulação das famílias’, no qual participou o Centro de Investigação em Economia Financeira do ISEG e o Centro Eurisco da Universidade de Dauphine, o encargo com os indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos aumentou em Portugal entre 1960 e 2001 cerca de 76,5% cento e estima-se que em 2020 represente cerca de 45% (quase a metade) do total da população portuguesa.
Neste desequilíbrio dois fatores são determinantes: a taxa de fecundidade e a longevidade.
A taxa de fecundidade foi em 2001 de 1,42 e será em 2020 de 1,69, o que não é suficiente para repor o nível de população. Esta questão está a ser combatida através da entrada de imigrantes que reforçam a força de trabalho (e contribuem para o sistema de Segurança Social).
No caso da longevidade, Portugal tem conhecido uma progressão importante. Tomando como referência a década de 80, período em que se institucionalizou o Regime de Segurança Social em Portugal (Lei 28/84 de 14 de Agosto), a longevidade dos homens à idade de 60 anos passou de 16,3 anos para 18,2 anos (no período de 1980/2001).

 

 

Meu comentário:
Ao analisar diversas opiniões dos leitores alusivas a essa matéria, aliás, constantes do mesmo site, julgando-as bem interessantes, por inteligentes, selecionei algumas transcrevendo-as em edição a meu critério, sem alteração do contexto. Por isso as tomo como base do meu parecer.


A Reforma só é alterada para alguns, porque tudo isto é feito de maneira a que quem as faz não seja prejudicado.
Muito boa gente se reforma sem necessidade e sem idade. Por isso é que os nossos jardins estão cheios de pessoas ainda válidas para o trabalho. Claro que assim não há dinheiro que chegue.
Desde o 25 de Abril tivemos 15 ministros da Segurança Social. Os espanhóis tiveram 5 ministros nesse mesmo período! Cada ministro vem com novas reformas e mete na gaveta tudo o que fez o ministro que o precedeu. Nós pagamos para essas trapalhadas. Ultimamente surgiu mesmo um Ministro das Finanças que quer obrigar quem dá 500,00 euros a um filho a declarar essa doação às finanças!
Quando vão acabar com a perseguição às pequenas e médias Pensões, enquanto os políticos e gestores públicos continuam a ver engordar as suas diversas Pensões principescas?
Ao ler a notícia acima ocorre logo a pergunta: porque é que este governo só pensa cortar Pensões a quem trabalha mais e ganha menos e não corta drasticamente as Pensões milionárias de que tantos privilegiados gozam por aí? E os deputados da AR, quantos anos trabalham para ter uma rica Pensão de Reforma? Haja moralidade! É aí que a sustentabilidade da Segurança Social rebenta e aí tem de ser costurada!


Porque motivo os políticos e os governantes do País, não fazem uma revisão da Reforma dos políticos em valores monetários e tempo de serviço, passando dos atuais 12 anos de serviço para os 65 anos por velhice e a Reforma máxima igual à de um chefe de secretaria (será pedir muito)? Isto sim, diminuiria a despesa do Estado nuns bons milhões de euros anuais. As Reformas têm de começar por cima e não por baixo.
Falta justiça e coerência na distribuição dos recursos destinados às Reformas! Políticos com pouquíssimo tempo de trabalho com Reformas milionárias e a população que trabalhou toda uma vida, até não ter mais saúde, se vê condenada a Reformas de miséria, que a impossibilitam de viver os últimos anos de vida com o necessário para uma velhice digna.
Na Austrália estão a oferecer formação especializada patrocinada pelo Estado, para pessoas que querem mudar de trabalho. É uma bela maneira de combater a estagnação profissional. Quanto à Reforma, cada um deveria tratar da sua. De outra forma será forçado a emigrar para não descontar em Portugal e ganhar mais fora, para mais tarde voltar.


É saudável o Governo fazer com que as pessoas se mantenham na ativa até aos 65 anos de idade. É certo que certas capacidades vão sendo perdidas com a idade, então, o que temos de fazer é antecipar isso de uma forma produtiva, arranjar funções adequadas a essas pessoas, novas formações, novos trabalhos, adiando a estagnação mental das mesmas e as conseqüentes depressões muito comuns nessa idade.
Dessa forma o governo continua a ter dinheiro para subsídios de desemprego e de rendimento mínimo à custa de quem trabalha e desconta. Se pensarmos que os que não fazem descontos acabarão por vir a ter Pensões garantidas, talvez valha a pena discutir se vale a pena ter descontos.


A ver pelos resultados da sondagem neste momento, parece que ou os portugueses vêem as Reformas como forma de ficarem ricos em velhos, ou então não têm a mínima noção do que aí vem. Pergunta-se: onde é que se iria buscar dinheiro para dar boas Reformas para toda a gente? E porque não poupam enquanto são jovens?
"Esta questão está a ser combatida através da entrada de imigrantes que reforçam a força de trabalho (e contribuem para o sistema de Segurança Social)." Será que os imigrantes só dão para a Segurança Social e não recebem nada? Será que no futuro também não irão receber Reformas? E se eles trouxerem a família (custos de educação e saúde pagos pelo Estado)? Isto só adia o problema, não o resolve! Atente-se que me refiro aos imigrantes com i, ou seja, aos estrangeiros que trabalham e residem em Portugal, portadores de visto permanente.
Falência da sustentabilidade da Segurança Social? Fator de sustentabilidade? Valor das Pensões vai baixando ..., etc., etc.! ... Está todo mundo louco? Será que a informação é correta: que o novo estádio da cidade de Al-Kahder na Cisjordânia foi financiado por Portugal e custou dois milhões de dólares? Só pode ser mentira! ... Ou não?! ...


Todos pensam em aumentar a idade da Reforma com o argumento que a duração de vida é mais longa. Mas ninguém diz que quem exerce trabalhos pesados, depois dos 65 anos, tem a vida transformada num inferno. E também não falam em milhões de euros que iam para a Caixa de Reforma, se milhares de trabalhadores não estivessem no desemprego.
Com tantos fatores a serem considerados, bem podia ser também introduzido o da real contribuição do Pensionista à riqueza e progresso do país, pois esse está no sentido inverso. Aqueles que recebem Pensões escandalosamente milionárias são exatamente os que menos produzem.


O problema gravíssimo da falência da Segurança Social não é motivado pelo aumento da esperança de vida dos seus contribuintes. Os principais "assaltantes" são os políticos que descontam durante meia dúzia de anos e depois ficam com Reformas brutais enquanto que o cidadão comum desconta mais de 40 anos seguidos para ter Reformas de miséria. ... E querem culpar o Povo por não morrer tão cedo como era dantes ...


Assim vai a Segurança Social em Portugal! ...
Simplesmente “vendo o peixe pelo preço que o comprei”. ... É a notícia pela notícia!

 

Gaspar Nunes
Formado pela Escola Industrial e Comercial da Póvoa de Varzim – Portugal. Ex-Combatente da guerra colonial de Angola com a patente de 3º Sargento Miliciano, hoje 2º Sargento Miliciano na reserva. Ex-Projetista de Máquinas, da área de Engenharia Metalúrgica, já aposentado. Milita há oito anos na área cênica, participando eventualmente como Ator em Teatro, Cinema, Televisão, Comerciais, etc.. Autor de diversas crônicas e colaborador do Programa Seleções Portuguesas, na Rádio Bandeirantes – Rio de Janeiro.

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