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22/JUN/2007
O Governo Contradiz o Presidente da
República
Novos Emolumentos – Emigrantes Explorados
“O Estado não pode demitir-se de resolver problemas de
emigrantes!” Estas palavras do Presidente da república Cavaco
Silva ainda estavam mal publicadas na imprensa e logo a
acompanhá-las a publicação das novas tachas a pagar por
emigrantes. Assim, para desfazer malentendidos o Governo manda o
recado indirecto ao Senhor Presidente: “aqui quem manda sou eu”! É
de aproveitar, aproximam-se as férias!...
Os governos dificultam a vida ao povo da província obrigando-o a
emigrar. Desresponsabilizam-se e, como não há mal que não venha
por bem, servem-se das remessas e dos emolumentos. O Estado
português já há muito se alheou e demitiu da responsabilidade
perante este povo. Mais que querer “garantir estruturas”
administrativas para os emigrantes e fomentar pelouros de ocupação
à disposição dum Estado partidário que tem uma grande boca,
precisando, por isso, de lugares administrativos para ocupar com
os seus fieis, é urgente o fomento duma cultura aberta, crítica e
tolerante que valorize a figura do emigrante para Portugal.
Enquanto o emigrante continuar a ser olhado com inveja pelos bons
do sítio e constituir um modo de vida para exploradores da
política, continuar-se-á a manter um discurso hipócrita e
mentiroso. Aos emigrantes duplamente vítimas reserva-se-lhe o
papel de mordomos nas festas.
Que haja uma racionalização de meios e serviços no sentido dum
melhor serviço a Portugal e aos emigrantes considerando a
emigração menos coutada. Em Portugal entram diariamente mais
milhões de euros enviados pelos emigrantes do que pela União
Europeia. Entretanto a imprensa portuguesa não valoriza os
emigrantes. Pelo contrário, alguma imprensa que publica no
estrangeiro está mais preocupava em propagandear os produtos
portugueses, o que seria natural se não representasse tão mal os
interesses dos emigrantes perdendo-se em questões paliativas!... O
vírus da mentalidade comezinha impera. Todos sabem que o povo
explorado não tem remissão. Deles importa o que metem menos à boca
para outros poderem capitalizar.
Quanto aos portugueses que vivem no estrangeiro ocupando melhores
lugares, a administração procura infiltrar-lhes o vírus da
subserviência com convites ou quejandas. É assim que uma migração,
sem voz por não se interessar em organizar e manifestar,
continuará a ser uma migração coitadinha nas mãos de coitadinhos.
A nova tabela
A nova tabela de emolumentos consulares publicada no Diário da
República, aumenta em 63% o custo dos passaportes passados pelos
consulados. O passaporte eletrônico passa a custar 70 euros além
dos grandes agravamentos nas custas de serviços. O passaporte para
menores de 12 anos custa 50 euros e para maiores de 65 anos 60
euros. Pedidos de vistos de escala e de trânsito passam de 10 para
60 euros.
Já não bastam as deslocações a trezentos e mais quilômetros para
muitos emigrantes com a perda de trabalho como a dificultação de
resolução dos atos por via postal em consequência dos agravamentos
de envio (custas de envio dum passaporte 35 euros).
O povo espera sempre por líderes honestos e assim desbarata a vida
na desonra do aguentar sempre. E alguns a andar. ainda dão a culpa
aos emigrantes estes em vez de fazerem revolução terem posto a
andar.
António da
Cunha Duarte Justo
“Nas pegadas da
Igreja”
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