SERVIÇOS >> ARTIGOS

 

Comente este artigo.

» Mensagens 10 de Junho

14/JUN/2007

» 10 de JUNHO de 1580

12/JUN/2007

» Mensagem do Dia de Portugal do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira de SP

09/JUN/2007

» Mensagem do Presidente da República às Comunidades Portuguesas

08/JUN/2007

» Mensagem do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

08/JUN/2007

» Mensagem do embaixador de Portugal no Brasil

08/JUN/2007

» Mensagem do CCP - Conselho das Comunidades Portuguesas

08/JUN/2007

Por Deputados do PSD

» Mensagem dirigida às Comunidades Portuguesas no estrangeiro

08/JUN/2007

» Setúbal - A Notável-Vila

 
 

Artigo » José Verdasca

14/JUN/2007

 

10 de JUNHO de 1580


(Morro com a Pátria - Luís Vaz de Camões)

Atribui-se a um dos três maiores poetas épicos da Terra, e de todos os tempos - o nosso Camões - a afirmação acima, que teria proferido no seu catre pouco antes de morrer, assistido por seu fidelíssimo criado, o qual, segundo a tradição, teria pedido esmola para reforçar a minguada tença (pensão) atribuída pelo rei, que dois anos antes tinha desaparecido nas escaldantes areias de Al Kacer Quibir, onde tinha desavisadamente arrastado consigo quase 20.000 combatentes, dos quais perto de 10.000 foram mortos e outros tantos feitos prisioneiros. Foi esse talvez o maior desastre militar das forças portuguesas em todos os tempos, e causa próxima da perda da independência, dois anos depois; essa foi a morte a que aludiu Camões. Criador do personagem do "Velho do Restelo", sensato, experiente e prudente velhinho de brancas barbas - que vendo partir as naus e caravelas em que embarcavam os portugueses válidos, muitos para não mais voltar - Camões, também ele, tinha a vivência e o saber de experiência feito, que lhe permitiam enxergar os graves erros da governação, semelhantes às actuais OTAS, e outras lorotas, que os sensatos recriminam, mas a que os "ousados" fazem "ouvidos de mercador".

Tudo isto porque hoje não estudam história - exames são por telefone - promovem-se sem glória - reproduzem-se por clone.

Luís Vaz de Camões, perto dos vinte anos - de Coímbra voltou a Lisboa com muita instrução e informação; disso são prova os profundos conhecimentos de história e geografia, dos clássicos e da mitologia, dos homens e da psicologia, que nos revela em "Os Lusíadas" e, ainda, na sua vastíssima obra lírica, bem como nos três autos que nos deixou - para frequentar o Paço ou Corte, onde brilhou, encantou, se apaixonou e se fez apaixonar. Mas, por ser brilhante, atraiu contra si a inveja dos medíocres, a ira dos incapazes, a raiva dos sem talento, o ciúme dos pobres de espírito, pois são sempre poucos aqueles que têm a coragem de manter a nobreza de carácter perante os seres superiores. Por isso - na primeira oportunidade - foi desterrado para Santarém, Constância, talvez Abrantes, e obrigado e uma "comissão de serviço" em Ceuta, sua grande desgraça, seu castigo maior, pois ali perdeu a vista direita em combate, causando-lhe feia deformidade, depois motivo de chacota por parte dos inimigos antes invejosos. Mal recebido em Lisboa, ironizado, ridicularizado, Camões refugiou-se na boemia, na noite, na arruaça, na aventura, até que certa tarde - na procissão da Mouraria - puxou da espada e golpeou o cavalariço do rei, então crime duplo, por ser em cerimônia religiosa. Logo foi preso no Tronco (prisão do pátio do mesmo nome, do lado do Teatro D. Maria II, na Rua das Portas de Santo Antão, na Baixa Lisboeta), onde permaneceu até o "perdão", com a condição de embarcar para as Índias. Foi um degredo simulado, tornando-o um expatriado forçado.

Entretanto, a pena que lhe foi imposta (desterro ou degredo), acabou sendo a causa da sua fonte de inspiração, da sua grande oportunidade, por lhe conceder experiência, tempo e lugar para a CRIAÇÃO da sua GRANDE OBRA, que a tradição diz ter sido escrita na Gruta de Macau, mas que uma rara obra que sobre ele possuo, mostra ter sido também em Goa, pois exibe um também raro retrato do Vate na prisão da cidade, sentado a uma tosca mesa, sobre a qual se encontram uma tigela, tinteiro e duas penas e papel já escrito, retrato que os especialistas afirmam ser talvez o único retrato de Camões para que ele posou!. De qualquer modo, o nosso herói pelas índias combateu, sofreu, navegou, a Macau aportou como Provedor dos Defuntos e Ausentes, naufragou na foz do rio Mekong no seu regresso a Goa, para anos mais tarde, se embarcar, de favor, para a Ilha de Moçambique, onde no ano seguinte o encontrou seu amigo e companheiro escritor Diogo do Couto "tão pobre que vivia de esmolas", quando lhe arrumaram algmas roupas e o embarcaram para a Pátria. Como foi difícil, dura, traiçoeira, mesmo humilhante, a vida de um dos maiores portugueses de todos os tempos!!!. Da ilha de Moçambique (talvez de algum vão de sua magestosa fortaleza, onde dormia, mas onde teria conseguido fazer a revisão de "Os Lusíadas") seguiu o nosso Poeta Maior para Lisboa, decerto a bordo de uma daquelas naus de porões não divididos, sem WC, sem cama ou colchão, comendo o que conseguia, mas carregando consigo a preciosidade que eram "Os Lusíadas", que tanto lucro dariam mais tarde aos editores e livreiros do Mundo!!!. E tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes!!!.

Uma vez em Lisboa, conseguiu finalmente editar "Os Lusíadas" (1572), após o que - ainda miseravelmente, segundo a tradição - viveu mais oito anos, pobre e desamparado, sem o mínimo conforto devido a um velho e doente combatente, e sem saborear o gostinho da glória merecida mas ainda não convenientemente reconhecida!. Que diferença para os "eleitos" de nossos tempos, aos quais falta gênio mas sobram mordomias; a quem falta dignidade, mas sobram facilidades; a quem falta talento mas sobra rendimento; a quem falta carácter mas sobram palanque e horas de televisão; aos quais falta espiritualidade mas sobra desonestidade, enfim, que monstruosa diferença, entre o tratamento dispensado pela Pátria Madrasta aos boys de São Bento e aos expatriados, que é de ontem, de hoje e decerto será de amanhã, pois quem emigra sofre com dignidade, resiste com coragem, e não se baixa a migalhas, não perde a postura, jamais se vende, por ter uma alma pura.


Camões, grande Camões, quanta grandeza

Patenteias em teus versos de eleição

Nos quais cantas, com teu nobre coração

Nossa fidalga gente portuguesa


Camões, triste Camões, quanta nobreza

Se esconde na tua obra de excepção

Quando narras com sublime exaltação

Os feitos da nossa Pátria portuguesa


Com ela e por ela tu sofreste

Muita dor, injustiça e humilação

Em tua vida pobre e amargurada
 


Para morreres do modo que viveste

Pois a Ela t´ imolaste em doação

Nas mãos alternando a pena e a espada

Homenagem aos verdadeiros patriotas;

José Verdasca

» Artigos

» Editoriais / Colunas

» Espaço Leitor

» Agenda


© 2006 Jornal Mundo Lusíada - O melhor veículo de comunicação da Comunidade Luso-Brasileira.
Artigos assinados não exprimem propriamente a opinião do jornal Mundo Lusíada.

Colunas e textos de opinião com assinatura são de responsabilidade de seus autores.