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12/JUN/2007
10 de Junho na Tradição do “Colonialismo”
A Ideologia Proletária Campeia em Portugal
Nação sacrificada
O 10 de Junho, um dia que poderia ser utilizado para o encontro
das comunidades em foro aberto e criativo, é transformado em
plataforma para auto-propaganda e defesa dos interesses do regime
(1). O Dia das Comunidades é, como outras festas da nação, um dia
alto para a ideologia. Vive-se em estado de campanha pela
colonização interna de Portugal e dos portugueses.
O golpe de Estado ocorrido em 25/4/74 tem sido aproveitado por uma
ideologia vigilante decidida a viver da partidarização da
concepção política do Estado.
Estado e Povo são usados pela ideologia neo-marxista (e
neo-liberal) no sentido de se criar uma consciência de povo
proletária num regime partidário paternalista. Ontem sacrificaram
a Nação, as províncias ultramarinas, com entusiasmo no altar do 25
de Abril à hegemonia da fé internacionalista então cultivada em
alfobres à sombra dos muros do Bloco de Leste. Hoje sacrificam
Portugal a campanhas ideológicas e a modas internacionais. Ocupam
tudo não dando lugar a um espaço onde Portugal se possa encontrar
a si mesmo.
A nação de imediato ajoelhada na alvorada de Abril mais uma vez
teve medo da devoção da sua oração. A nova elite também receosa
que o povo acordasse para a auto-responsabilidade, apressa-se em
passar o poder das mãos dos militares para as mãos dos partidos,
impedindo assim o processo de mentalização do povo então nas mãos
dumas forças armadas demasiado idealistas.
A política oficial envergonha-se de 5 séculos de história
renegando a cultura portuguesa e a sua especificidade democrática
que assentava nas regiões e não nas ideologias. Veja-se a tradição
visigótica e dos concelhos… Uma via alternativa de democracia com
tradição portuguesa cheirava-lhes a provincianismo. Optam por um
projecto de povo desenraizado! Atraiçoam assim o sentir da alma
colectiva portuguesa, e tudo isto em nome do modernismo e do
progresso. O Poder Nacional era, na visão dos internacionalistas
estrangeirados uma afronta à sua fé internacionalista levando-os a
pôr à disposição de sistemas formais estrangeiros a identidade
portuguesa, a soberania portuguesa. No desconhecimento do
universalismo do espírito português encostam-se ao imperialismo
internacional concebido mais em termos de posse do que humanos.
A oportunidade da decadência
A bandeira da nação passa a ser desfraldada aos ventos do
neo-marxismo. Estrangeirados incapazes de reconhecer a consciência
nacional universal portuguesa, levantam-se como arautos duma nova
ilusão. Sem bases filosóficas e culturais dedicam-se à lavagem do
cérebro do povo. Ao mesmo tempo, correspondendo à necessidade de
se legitimarem recorrem à difamação do regime caduco, à
argumentação da guerra injusta e ao exemplo da modernidade das
ideologias e dos costumes decadentes estrangeiros. Em vez duma
burguesia incarnada no povo, como ainda presente na memória do
povo do Norte de Portugal, querem uma nova classe dominante mas de
novos-ricos desenraizados, de boys amamentados pelo aparelho do
Estado, à moda da administração comunista soviética. Como exemplo
do sistema de vida português apenas se interessaram pelo
Alentejano que se prestava para justificar o regime proletário
socialista. A alma portuguesa, o seu sentir, o seu universalismo é
defraudado e negado. O húmus da decadência é frutífero
possibilitando sem esforço a superficialidade do bom viver a
irresponsáveis.
O espírito militar que antes estava reservado aos quartéis passa a
banalizar-se na arena política. O campo de batalha é agora a
nação, o inimigo o povo, considerado ignorante, a quem é preciso
educar e converter para a ideologia proletária. Vive-se em estado
de subversão. Os novos combatentes preferem cargos e mordomias
usando a praça pública, as escolas e a comunicação social como
bandeira atrás da qual segue um povo desejado plebeu proletário.
Descolonização – o cavalo de Tróia socialista: A hipoteca que a
Nação não pode esquecer
As operações travadas nas províncias ultramarinas entre 1954 e
1974 são mal-interpretadas sem se considerar o contexto
internacional da luta que desde 1917 se dava entre os dois blocos
então existentes. A má visão do Ocidente e a cegueira ideológica
marxista só estava interessada em referir os aspectos negativos da
política anticomunista de Salazar. (Naturalmente que Salazar fez
muitos erros mas não o de apostar no sistema comunista que depois
cairia por fraqueza própria).
O processo da descolonização é humilhante para a nação e o
regresso de portugueses considerados não gratos constituem a maior
hipoteca que o novo regime deixa à nação; rouba-lhe o futuro e a
dignidade. Por lentilhas da fé marxista actua-se a nível nacional
como se estivesse num comício a altas horas da noite.
Argumentam que a guerra não era justa mas transpõem-na para a
ideologia, apenas mudam de campo de batalha. Os vitoriosos de
Abril em vez do hábito do bom senso vestem as couraças da
ideologia para vencerem o povo e o amarrarem aos seus credos. Para
isso optam pela destruição de valores que cheirem a terra e não a
ideologia. A gravidade destes ocupantes é acrescentada porque não
se serviram apenas do povo como fazem os golpistas das revoluções
mas estiveram-se marimbando para os interesses de Portugal como
nação atraiçoando-a. Mercenários ao serviço de interesses
ilegítimos estrangeiros, tornaram-se num cavalo troiano dentro da
nação. Contra uma ideologia constroem outra. Portugal não age
apenas reage! A nova ideologia pseudo-terceiromundista entrega os
povos a uma situação de maior dependência e injustiça. Denigrem a
presença portuguesa no ultramar.
Esquecem que as acções militares dos descobrimentos se deram na
rivalidade de influências árabe-turca e portuguesa e não contra os
nativos. Não atacamos os indígenas mas os ocupantes turcos e
árabes que se tinham assenhoreado de sociedades abertas da Índia
onde Portugal também queria entrar. Naturalmente que todo o
colonialismo é ilegítimo e injusto quer a nível de povos quer de
pessoas. Aplica-se a Portugal indiferenciadamente o atributo de
colonialista conotando-o com a ferocidade do colonialismo
praticado por outras nações. Isto tem a ver com consciência, forma
de organização territorial e de povo, definição territorial,
vontade político-social e humana. Aqui seria oportuno
considerar-se a história das migrações humanas, o colonialismo
interno na concorrência dos grupos uns com os outros, a cor local,
a filosofia/mentalidade e princípios de então.
As intervenções militares de Portugal em África eram, também elas,
guerras de influência entre capitalismo e comunismo. As tribos
eram instrumentalizadas pela ideologia por gente de fora que não
viviam as preocupações do dia a dia como nativos. Como nestes
territórios não havia a consciência de nação torna-se fácil aos
marxistas arranjar mercenários que tentam através da luta pôr as
populações ao serviço duma ideologia unificadora e pretensamente
legitimadora. Apesar de tudo a grande massa das populações nativas
não colabora com as iniciativas de assassinato de brancos; pelo
contrário avisam-nos. Pressentiam que a troca de jugo os não
favoreceria. Os golpes de estado estão sempre interessados apenas
na troca de jugo e na mudança de mãos dos cabrestos. Nenhuma
revolução está interessada numa Revolução digna do nome porque é
sempre feita por alguns espertos contra outros espertos para os
espertos; as elites só querem massa maleável e acomodável.
Maturidade implicaria um estado de contínua revolução.
Se compararmos a ética hodierna no trato das nações/povos e
pessoas não progredimos qualitativamente. A exploração é a mesma,
os explorados são os mesmos, só os meios se tornaram mais
refinados. Assim, se quisermos saber, a nível interno, o que é
escravidão hoje, basta-nos considerar o sector da
imigração/emigração, da assistência médica, do mercado de mulheres
e da droga em Portugal (2). Portugal estava à frente do mundo até
se tornar subserviente do espírito estrangeiro. Preparam o “fim da
Pátria” em nome dum internacionalismo socialista de cunho
soviético insurgindo-se contra todo o espírito crítico,
interessados apenas em ideias peregrinas folclóricas.
O Espírito global português rende-se ao pensar particular
nacionalista europeu
Para compreendermos aquilo que fez Portugal grande, o seu papel na
Europa e a sua decadência temos de tentar perceber o espírito que
o regeu até 1580. Este determinou um modo diferente de ser e de
estar de Portugal na história, uma consciência própria
interrompida no início da decadência. O processo de alienação
então iniciado deve-se à abdicação do pensar próprio.
A maneira de estar em África de Portugal, país de costumes
mitigados por um catolicismo aliado a um sistema subsidiário entre
senhores e serviçais, é incomparável com o espírito capitalista e
individualista de carácter protestante que se instalou a partir da
Europa nórdica.
No século XIV e XV as nações europeias ainda demasiadamente
empenhadas na luta pela sua identidade nacional deixam a Península
Ibérica, deixam Portugal experimentar aquilo que será o próximo
passo no seu desenvolvimento europeu: o do comércio e da
cristianização. A Europa ainda não tinha descoberto a sua vocação
europeia que Portugal já tinha assumido do papado devido à sua
unidade geográfica, à sua necessidade de uma missão histórica e ao
sentimento católico do povo aliados à vontade duma elite de
espírito templário... Em Portugal a consciência histórica
civilizacional atingiu precocemente o auge em relação às outras
nações europeias que na altura ainda se encontravam demasiadamente
preocupadas consigo mesmas. Em PORT 84,138,252,40,129,124 eresses
económicos e de fé já não se reduziam aos limites físicos
territoriais nacionalistas ou de rivalidade de vizinhos. A
consciência de povo e a sua vontade política enquadram-se dentro
duma concepção já global, tendente a alargar a sua acção para lá
das fronteiras culturais e religiosas (3).
Daí que Portugal e Espanha resolvessem os conflitos e interesses
nacionais no âmbito duma consciência supra-nacional que não
contrarie a vocação universal e religiosa comum. Em nome da missão
a realizar celebra-se o tratado de Tordesilhas dividindo tarefas e
interesses a nível global e em termos de cristandade. A Europa
(Inglaterra, França e Holanda) continua fechada nos seus
nacionalismos dedicando-se ao corso, ao roubo daqueles que se
dedicam à realização da consciência civilizacional cristã europeia.
O facto do corso ser oficiosamente aprovado pelos estados
interessados na presa mostra que a consciência duma Europa
cultural com um destino superior ainda não tinha chegado às suas
cortes.
Os interesses nacionalistas dos Filipes (1580) levaram-nos a
desprezar o carácter civilizacional de espalhar a cristandade e a
defender interesses de prepotência. Estes provocam um retrocesso
na consciência e na definição de prioridades agora meramente
nacionais.
A Europa não se deixa motivar por valores super-ordenados
reduzindo a sua acção a interesses comerciais e económicos.
Portugal passa a viver nas sombras da concorrência dos mais
poderosos não mais se regenerando. A partir daqui Portugal perde a
grandeza dos seus horizontes e da sua missão para se encerrar nos
limites do rectângulo peninsular. A partir de agora Portugal deixa
de agir para passar a sonhar ou a viver encostado aos outros.
Durante a ocupação espanhola o mar abre-se já não para espalhar a
civilização mas para explorar as matérias-primas. No mundo agora
apenas mercantilista já não interessam as almas. Estas subjugam-se
à economia como quer e propaga a teologia de Calvino e
posteriormente o materialismo. Não é já a consciência de povo ou
de civilização que é motivadora da acção mas o individualismo
nórdico que desde então se impôs a todo o Ocidente. No
individualismo Deus está com os ricos. Este individualismo a nível
pessoal e nacional afirma-se reprimindo o carácter comunitário, o
espírito romano, a visão global dos papas.
O nacionalismo inglês e a sua política monopolista comercial
nacionalista leva Napoleão a decretar o Bloqueio continental aos
navios ingleses e com as consequências colaterais conhecidas para
Portugal... A ideia inicial cultural de Portugal deturpa-se na
ideia colonialista e materialista do século XIX acarretando
consequências fatais para as antigas “províncias” ultramarinas de
Portugal e para Portugal.
A concorrência das nações europeias na procura de novas
matérias-primas reduz o mundo descoberto a colónias de mero
interesse económico (depois interesses estratégico). Agora já não
se trata de cristianizar mas de civilizar os povos sob a ideia
condutora mercantil. A Conferência de Berlim de 1885 reduz
definitivamente a missão cristianizadora universal a uma missão
económica colonialista recorrendo também à intervenção militar.
(Portugal só se podia manter pela convicção e não pelo poder
porque não tinha recursos para isso). O direito de posse passa a
ser legitimado pela força militar, pela ocupação de facto. A
matéria vence sobre o espírito.
O domínio português era regulado por uma mística católica de
respeito pelo indivíduo e pela cultura. Portugal seguia a
estratégia romana de expansão no respeito individual e cultural
através duma inserção pela aculturação e não pela imposição. O
resultado deste espírito então vigente podemos verificá-lo na
coexistência pacífica de costumes e religiões ao longo de 600 anos
no território de domínio português. O colonialismo moderno, a
exemplo do fascismo muçulmano, é absorvente impondo por toda a
parte o mesmo modo de pensar, agir e consumir. Nós íamos para
ficar, não íamos para explorar e trazer os lucros como é prática
do colonialismo hodierno.
Já a política de miscigenacao levada a efeito pelos vice-reis da
Índia supõe uma outra mentalidade totalmente contrária à dos povos
colonizadores só interessados no lucro. Portugal, nas suas
possessões, como país modesto, não instrumentaliza o cristianismo
como meio de domínio. O cristianismo era para os portugueses um
modo de vida e esta é subjectiva não podendo reduzir a alteridade
a mero objecto. Há boas razões para Portugal ter recebido do Papa
o atributo de cristianíssima nação e o bispo de Lisboa a categoria
de Patriarca....
Portugal, apesar de Estado soube manter-se povo porque mantinha o
seu espírito católico próprio... Com a aplicação da ideologia
francesa pura no século XIX e com o 25 de Abril, sob o manto da
ideologia marxista cada vez se tem tornado menos povo para se
tornar mais regime, mais proletário. Deixou se ser português para
se tornar republicano, socialista. O neo-marxismo vive da
programática de considerar o cristianismo como seu rival. O
catolicismo português é porém uma mais valia, um capital onde
investir e transformar. O neo-marxismo pretende instalar o
globalismo proletário, querer a instrumentalização do indivíduo
reduzido a objecto dum Estado absoluto enquanto que o cristianismo
só reconhece um absoluto: o indivíduo. Se um aposta na fraqueza do
indivíduo o outro aposta no seu carácter divino.
Com as guerras mundiais a Europa perde a hegemonia do poder
internacional a ser ambicionado agora pela USA, Rússia e “nao
alinhados”( o Terceiro Mundo). A Rússia consegue o domínio sobre o
Terceiro Mundo tornando-se a ideologia comunista em veículo das
esperanças a surgir. A descolonização processa-se a nível
internacional. Portugal, que considerava os territórios
ultramarinos como províncias em que vigoravam as mesmas leis que
no continente, não se sentiu envolvida no processo de
descolonização pela razão de se considerar uma unidade política.
Os interesses dos blocos internacionais passam a ser muito
determinantes na sua estratégia imperialista de ocupação e de
arranjar pontos estratégicos de influência. O comunismo torna-se
muito activo em Portugal devido ao seu papel estratégico e à presa
prometedora. Salazar, que conhecia a história da infiltração das
ideologias francesas por altura das invasões francesas e a acção
maçónica na guerra civil liberal e na implantação de república
persegue o comunismo. Não vê lógica no imperialismo americano
desalmado e é inimigo figadal do imperialismo comunista russo.
Os Americanos interessados apenas na economia e os russos na
expansão ideológica e militar têm interesses diferentes nas nossas
possessões de África.
A ideologia soviética (com a MPLA) serve-se da guerrilha matando
indistintamente para provocar a rebeldia. O povo angolano
mantém-se fiel a si mesma e a Portugal contra o plano soviético de
ocupação através da guerrilha. Com a ideologia também dentro dos
militares portugueses em popa torna-se mais fácil o plano
estrangeiro.
Na revolução cultural ao serviço do marxismo provocam-se agora
mais vítimas do que em 600 anos da pretensa “ocupação
portuguesa”.Esta estadia pacífica de 600 anos justifica a vontade
portuguesa de continuar a não ceder à ideologia marxista, ao
imperialismo soviético. Os agentes de então estavam tão fascinados
que viam na traição da nação uma mais valia. Não estava em jogo o
bem das populacoes nativas mas a subordinação a nível de blocos. A
mudança consistiria na passagem dum regime autoritário para um
regime totalitário. O que se comprovou depois e que deu razão a
Salazar.
A defesa da independência dos povos só surge num contexto
supranacional de blocos imperialistas. A defesa da independência
tem a ver não com uma atitude superior de moral mas com uma maior
decisão de domínio e sua auto-justificação. Tanto a ideia de nação
com a de império eram contrárias à realidade tribal que não tinha
a consciência de nação ou de império. Os neo-marxistas cometeram o
mesmo erro que os parceiros da conferência de Berlim ao dividirem
a África com a régua: o desrespeito dos africanos e das suas
tradições. Sob o domínio português é verdade que se impediu a
colonização internas das tribos entre elas.
Estaríamos dispostos a dar a independência aos açorianos que
teriam mais proveitos dos americanos, ou aos curdos, aos bascos,
etc. Qual a congruência do socialismo marxista que em nome da
liberdade e da libertação cometeram tantas barbaridades e hoje se
agarram aos tachos do poder?
Dito duma maneira exagerada: nós colonizamos, os outros exploram!
A exploração da ideia colonialista importa a um neo-marxismo
envergonhado do seu actuar capitalista. Está interessada em
enegrecer o passado para que a sua irracionalidade receba foros de
modernidade, e progresso.
É pobre o testemunho dado por um socialismo português reinante
desrespeitador dum ambiente católico em processo. Estes
modernistas iluminados interpretam mal a história portuguesa
aplicando-lhe os critérios e as medidas dum actuar extremo das
outras nações europeias para poderem justificar campanhas
ideológicas de pretenso modernismo ou internacionalismo
superficial. Revelam-se em estrangeirados que não percebem a
própria cultura subjugando-a a critérios de exploração
internacionais fora de contexto. Esperemos que surja uma facção de
socialismo portuguesa não nacionalista mas aferida ao espírito e à
cultura portuguesa para não termos de continuar a ser alienados
por estrangeirados internacionalistas que percebem muito de tacho
e de conluio mas não de estruturas culturais. Se o grande Portugal
seguia a máxima cristã de respeito pelo indivíduo e pela cultura
recorrendo ao progresso através da aculturação, o espírito do
Portugal modernista, republicano socialista é materialista não
respeitando o indivíduo. Este perdeu o caminho seguindo a voz das
sereias internacionais sem o humanismo que se tem mantido mais
entre os pobres.
É abstruso querer impingir a ideia de racismo como uma ideia do
sistema de Salazar, altura em que não havia cargos em que não
houvesse pretos e em que nunca se assistia a perseguições da rua a
africanos.
Errare humanum est. O problema torna-se apenas mais agudo quando
uns desumanos querem legitimar a sua desumanidade à custa da
desumanidade dos outros.
A agressão das forças exteriores em Angola, Guiné e Moçambique
foram coroadas com a irresponsabilidade de pessoas míopes. O
desenvolvimento da história segue de erro em erro, de poder em
poder. Os mesmos problemas repetem-se e os governantes também. O
que há a mudar é o homem e este por si mesmo.
A miopia histórica pôs na mão de interesses imperialistas as
regiões de interesse e influência portuguesa, não para bem dos
indígenas mas do poder ideológico e económico. O desenvolvimento
natural deu lugar à arbitrariedade externa em nome dum socialismo
e do progresso só a nível de ideologia. Acabou-se com uma
sociedade multiracial para se dar lugar a uma mono-ideologia.
Irresponsavelmente desbarataram o futuro português e a sua honra
tomando a mesma altitude de Judas vendendo o povo pelos patacos da
ideologia.
Deixaram de ser portugueses para se orientarem por padrões
internacionais sacrificando o desenvolvimento humano e natural de
Portugal a ideologias estranhas e alienantes.
(1) A classe dominante, numa
tentativa de auto-legitimação tem-se procurado justificar
moralmente, ao longo dos últimos trinta anos, instrumentalizando e
propagando o tema do colonialismo português como dogma da
ideologia vigente porque doutro modo neste sector Salazar poderia
vir a ter razão. Daí servir-se de temas questionadores da ideia de
nação e de tradição, como imperialismo, colonialismo, escravidão,
exploração, multicultura, etc., numa tentativa premeditada de
virar o bico ao prego. Pretende instaurar preconceitos não menos
questionáveis do que os que quer combater. Deseja lavar roupa
velha com água suja. Tenta-se a legitimação do novo regime
deslegitimando o velho. A afirmação de interesses através da
legitimação dum sistema alienador é normal numa sociedade em que
se parta do princípio que o cidadão é objecto. Para isso recorrem
ao estratagema de dividirem o indivíduo (individuum = indivisível)
e fazer dele cidadão, sócio, camarada, partido, coisa. A coisa
pública (Respublica) vive de coisas e da coisificação. Partem da
desresponsabilização e desautorização do indivíduo para o tornarem
sequaz, adaptado. Por isso se verifica uma constante comum ao
longo dos séculos, nas celebrações nacionais: dum lado, os
aproveitadores do regime justificando-o e do outro lado o povo a
alienar ouvindo. Regimes de alienados alienando onde por isso tudo
é legítimo. Aqui interessa falar do regime democrático de Abril
porque é o que se aliena e nos aliena agora.
(2) Os nossos iluminados modernos sentem-se honrados por Portugal
também pertencer ao clube dos que importam forças de trabalho tal
como outrora os seus comparsas se alegravam com o comércio dos
negreiros. Hoje estão mais modernizados os meios utilizados na
opressão da pessoa humana. A opressão é a mesma o que muda é a
consciência e os métodos. Por isso mesmo nos insurgimos contra
umas opressões e consideramos outras legítimas. A nossa memória no
desenvolvimento histórico de povos como fenícios, gregos e romanos
é grata em relação a estes colonizadores ocupantes. Se não tivesse
sido a colonização greco-romana talvez ainda hoje não passássemos
de tribos pastorícias à sombra dos montes hermínios. Tudo muito
ambivalente!
(3) A aberração da elite moderna portuguesa está em meter o
espírito universal e intercultural português nas fronteiras
restritas de ideologias redutoras.
António da
Cunha Duarte Justo
“Nas pegadas da
Igreja”
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