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Artigo » Por Aníbal Cavaco Silva

08/JUN/2007

 

Dia de Portugal

Mensagem do Presidente da República às Comunidades Portuguesas por ocasião do Dia de Portugal


Setúbal, 9 de Junho de 2007


 

Caros Emigrantes,

Neste Dia de Portugal, quero dirigir a todas as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo Mundo uma saudação muito calorosa e uma palavra de apreço pelo exemplo que representam para o nosso País.

Por ocasião do primeiro aniversário da minha tomada de posse como Presidente da República, desloquei-me ao Luxemburgo, onde convivi de perto com a numerosa comunidade portuguesa aí residente. Quis assinalar, com esse gesto, o respeito e a admiração que merecem os nossos emigrantes e suas famílias e a importância que lhes atribuo no contexto da nação portuguesa.

Verifiquei, no Luxemburgo – como, de resto, em muitas outras ocasiões –, que as Comunidades Portuguesas não só se encontram plenamente integradas nas respectivas sociedades de acolhimento, como constituem um exemplo para todos.

Os emigrantes mostram-nos que não existem destinos inevitáveis nem fatalidades irreversíveis e que é sempre possível mudar o rumo da nossa vida. Com trabalho, criatividade, espírito de risco. No fundo, com a mesma ambição que nos levou a descobrir mundos novos e novas gentes.

Abundam, no estrangeiro, casos de sucesso, exemplos de portugueses e de luso-descendentes que se afirmam nas sociedades onde residem e aí se destacam nos mais variados domínios, desde a atividade empresarial ao mundo acadêmico, da investigação científica à cultura, das profissões liberais à vida cívica. Exorto-os a prosseguirem esse seu esforço, que deve incluir a mais-valia que é a língua portuguesa.


Saudando o espírito de iniciativa dos nossos emigrantes, anunciei, na minha deslocação ao Luxemburgo, a criação, com o meu patrocínio, de um Prêmio de Inovação destinado a distinguir anualmente projetos apresentados por cidadãos portugueses residentes no estrangeiro.

É meu firme propósito fazer o que estiver ao meu alcance para que os emigrantes e os luso-descendentes não percam – antes reforcem - os laços que os unem à terra de onde partiram. Por isso, tenho procurado manter um contacto direto com as Comunidades Portuguesas e acompanhar a realidade da nossa diáspora.

Em breve, deslocar-me-ei aos Estados Unidos da América. Quis reservar um espaço muito significativo dessa visita para contatar de perto algumas das Comunidades Portuguesas existentes nesse país.

Levo-lhes a mesma exortação que agora faço a todos os emigrantes: não se esqueçam de que existe um País onde tudo começou e que permanece vosso. Esse País é Portugal.

Não pensem apenas em Portugal enquanto origem mais ou menos remota. Vejam-no também como destino, um País que muito mudou e que estará sempre aberto para vos receber – tal como para receber as vossas iniciativas e a experiência que acumularam no estrangeiro.

Sei que nem sempre é fácil manter estes laços, e que o afeto e a saudade podem não ser suficientes para assegurar a preservação de elos sólidos entre os emigrantes e as suas origens.

Há todo um conjunto de problemas práticos com que os emigrantes se defrontam e de cuja resolução o Estado português não pode alhear-se nem demitir-se.


Há que garantir estruturas institucionais que permitam aos emigrantes manter e aprofundar os contactos com o seu país de origem. É necessário que conheçam a realidade portuguesa e acompanhem a sua evolução; percebam, por exemplo, que o seu País oferece hoje novas oportunidades para a realização de investimentos produtivos.

Do mesmo modo que os emigrantes, no seu próprio interesse e no interesse de Portugal, devem continuar ligados ao seu País de origem, é também essencial que se integrem de forma plena nas comunidades em que residem e trabalham.

Participar na vida cívica dos países de destino é um imperativo de cidadania. Quero, por isso, incentivar os emigrantes a que aprofundem o seu envolvimento nas sociedades que os acolheram.

A atividade cívica local, a participação em associações, o estabelecimento de contactos com os responsáveis pelas comunidades de destino são elementos essenciais para uma saudável integração e para a própria afirmação da extraordinária vitalidade das Comunidades Portuguesas em todo o Mundo.

A cultura portuguesa muito deve aos nossos emigrantes. São eles os guardiões da nossa Língua em vários pontos do planeta. São eles que transmitem aos outros povos os valores, as tradições, os saberes que constituem o núcleo essencial da singular identidade portuguesa.

Graças a vós, Portugal está em toda a parte. Motivo fundamental para, neste Dia de Camões, levar a todos os emigrantes uma palavra de profunda admiração e reconhecimento do Presidente da República Portuguesa.

 


Aníbal Cavaco Silva
Presidente da República Portuguesa

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