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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

05/JUN/2007

Um Risco que urge prevenir

Tive já a oportunidade de abordar o problema da instalação de uma qualquer central nuclear em Portugal, salientando a sua completa inutilidade, mas também o risco que traria para o País e para a maioria dos portugueses.

Para que se possa perceber o risco da presença no território português de uma central nuclear, basta reparar em quanto se tem dito e escrito em torno do Aeroporto da Ota ou do nosso combóio de alta velocidade: diz-se e desdiz-se a cada dia que passa, onde o que ontem se dizia, desdiz-se no dia seguinte, e onde se diz surgirem os mais diversos estudos desconhecidos, ou de personalidades já com nomeada atribuída, numa mecânica absolutamente digna dos passes de mágica de Luís de Matos!

Foi neste contexto que recebi com grande satisfação e enorme alívio a comunicação do Primeiro-Ministro, José Sócrates, sobre o facto do nuclear estar fora dos planos e da decisão do seu Governo. E foi assim porque nunca me assolaram dúvidas sobre a completa inutilidade e o enorme risco que a presença do nuclear comporta onde quer que seja, e muito em particular entre nós.

É essencial ter-se presente que sempre surgiram problemas técnicos em todas as centrais nucleares dos Estados Unidos, embora a mais noticiada tenha sido a de Three Mile Islands. Neste caso, da população local que foi deslocada, só metade regressou ao seu local anterior de residência. E foi coisa pequena, embora se tenha estado à beira de uma fantástica tragédia.

Como é evidente, a probabilidade de ocorrer um desastre numa qualquer central nuclear, embora muito pequena, não é nula. Além do mais, o que conta não é saber se a probabilidade é pequena, ou muito pequena, ou muitíssimo pequena, mas qual o valor esperado do desastre social. E este, como se percebe facilmente em função da pequenez do País, é muito grande: um desastre como o acima referido na bacia hidrográfica do Douro, próximo da fronteira espanhola, atingiria zonas a norte e sul desse rio, mas também quase toda a bacia hidrogáfica até Leixões.

Mas há um dado que os nossos políticos nunca referem e se prende com quanto se tem vindo a passar em torno do Aeroporto da Ota e do combóio de alta velocidade: o modo português de estar na vida, geralmente irresponsável, onde nunca ninguém acaba responsabilizado pelo que quer que seja. Basta estar atento ao dia a dia da nossa vida social, para se perceber que ninguém, nesta nossa dita democracia de hoje, seria responsável por um qualquer desastre. Os portugueses conhecem esta realidade, que por isso se alimenta a si mesma.

Agora pergunto eu ao meu caro leitor: aquela certeza firme com que o Primeiro-Ministro respondeu a este tema lá por fora irá manter-se? Muito sinceramente, nesta matéria e em face dos seus últimos episódios, tenho razoáveis dúvidas. Mas uma coisa é certa: dificilmente se poderá encontrar uma decisão deste Governo tão acertada com aquela de recusar o nuclear no seu modelo energético. A ver vamos.


Hélio Bernardo Lopes

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