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06/JUN/2007
Doação de Órgãos
Hoje, nos Países Baixos, num Show que pretende fomentar a doação
de órgãos, uma mulher de 37 anos com cancro irá, com a
participação do público, determinar qual de três candidatos
receberá um dos seus rins.
Este Show além de ser sem gosto é contra a mais elementar
consciência moral. A ética humana cede a uma cultura mercantilista
em que tudo é reduzido a objecto. Por detrás desta propaganda
estão interesses de firmas interessadas na comercialização de
órgãos humanos. No terceiro mundo a compra de órgãos a doadores
vivos floresce. Quando a oferta aumentar os entraves legais
tornar-se-ão mais laxos.
Por outro lado, o show levará muita gente a ter medo de preencher
um cartão de doador. Numa sociedade moralmente depravada
chegar-se-á em caso de conflito a decidir entre vida e vida,
sabendo-se que prevalecerá o valor econômico. Por isso mesmo não
parece ser aconselhável que o legislador generalize a doação.
A idéia de se poder comprar órgãos humanos ou de os leiloar é
fatal. Esta encenação propagandista tornará pessoas prudentes
ainda mais inseguras e mais cautelosas no momento de assinar o
consentimento de doação.
Segundo a opinião de médicos, na Alemanha, seria difícil
encontrar-se um médico que estivesse disposto a fazer uma
transplantação resultante de tal procedimento. Na Alemanha a
doação de órgãos só se efetua depois da morte cerebral do doador
ser constatada por dois médicos pressupondo-se ainda o
consentimento escrito ou oral do morto. No caso de doadores vivos
só é possível a doação entre familiares do primeiro ou do segundo
grau.
Na Alemanha esperam 12.000 pessoas pela possibilidade de
transplantação de um órgão. Em 2006 só foram possíveis 4.200
transplantações. A uma oferta dum rim corresponde uma lista de
espera de seis pacientes. Da participação duma doação à realização
da transplantação decorre em geral o máximo de 18 horas. Há
pessoas que vivem 20 anos com a diálise o que significa um grande
transtorno atendendo aos problemas colaterais de potássio e água.
Dado haver apenas 12% de pessoas com cartão de doador os tempos de
espera por uma doação é de seis anos. Morrem três pessoas por dia
por falta de órgãos. Órgãos transplantáveis são além de rins,
fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino delgado.
O fato de haver tanta gente a morrer por falta de doadores torna
oportuna a elucidação dum público predispondo-o para a oferta.
Muitos defendem uma decisão legal que considere, duma maneira
geral, toda a gente como doadora, salvaguardando-se aqueles que
declarem que não estão de acordo ou no caso dos familiares o
recusarem.
O problema subjacente está na comercialização de órgãos e em
certos casos na intervenção cirúrgica possivelmente precoce.
A necessidade de doadores de órgãos torna-se muito premente. O que
não pode é acontecer dentro dum espírito banalizador como a
televisão holandesa sugere. Este espetáculo só demonstra que as
potências espirituais da Europa se encontram desativadas. Estas
são as sombras da libertinagem iniciada pelos representantes do
neo-marxismo dos anos sessenta aliado a um liberalismo desumano.
Além dos valores da autodeterminação e da liberdade há outros e em
especial o da dignidade humana a ser respeitada. O corpo humano,
mesmo quando cadáver não deve ser transformado em mercadoria.
António da
Cunha Duarte Justo
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