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31/MAI/2007
Questionamento
O Meu Telefone
Há uns bons anos, pouco depois do meio da década de noventa do
século passado, vim a descobrir que corria pelo seio dos meus
amigos e conhecidos que eu seria um agente secreto. Isso mesmo,
meu caro leitor: um agente secreto e infiltrado...
Pouco depois dessa data atrás referida, acabei por perceber o que
realmente se havia passado, acabando por rir à fartazana, embora
chorando em paralelo, por um amor inesquecível que vira o seu fim
por razões que me eram alheias e que eu desconhecia.
Em certo dia, questionando eu quem, sem nexo aparente, salientava
ter chegado um fim naquele amor, com voz triste ouvi estas
palavras, que hoje sei serem extremamente verdadeiras e corretas:
deixá-lo, perdem-se umas batalhas, mas ganham-se outras. A
realidade...
Um ou dois anos mais tarde, tendo os idiotas desta historieta já
percebido o fantástico autobarrete que haviam enfiado, fui
convidado por uma advogada amiga para tomar um café e darmos umas
palavrinhas. A dado passo da conversa, mostrei à minha amiga o
espanto por ver tanta gente acagaçada comigo e com essa tal
historieta do agente secreto. De imediato, dela ouvi, de um modo
sorridente e firme: bem podes dizê-lo, tu meteste medo a meio
País!
Hoje sei que esta afirmação estava correta, digamos assim, embora
as minhas descobertas não se suportassem em nenhuma fonte, mas na
simples conjectura, alicerçada por aquele inesquecível amor, pela
necessidade de perceber o que se passara, e porque percebera a
chave de quanto estava em jogo. Por cá e por muitas partes do
Mundo.
Ora, sempre que o tema tratado me interessa e eu penso que posso
dar um mínimo de boa colaboração, participo nos programas
televisivos, Opinião Pública, da SIC Notícias, ou Antena Aberta,
da RTP N. Mas acontece que, com as qualidades que Deus me deu, eu
toco muitas vezes em aspectos que muitos gostariam que não
tocasse...
A dado passo, dei-me conta de que me surgia o serviço de
voice-mail , que é algo que aquelas estações e eu não temos...
Apercebi-me, pois, de que se tentava evitar as minhas
intervenções. Perguntará o leitor: mas quem? Bom, gente
particular, mas a quem não convém uma voz que possa abrir o
pensamento a quem ouve um qualquer daqueles programas.
Pois, no dia seguinte ao da entrevista do Primeiro-Ministro à RTP,
ao tentar participar no programa Antena Aberta, eis que só
consegui linha nas duas ou três primeiras tentativas, porque logo
depois fiquei sem som no meu telefone, precisamente entre as seis
e as sete da tarde, que foi quando o programa terminou...
É claro que não foi o Primeiro-Ministro, nem o seu gabinete, nem o
seu partido, mas gente particular, que, mais uma vez, em si
desenvolveu aquele fantástico cagaço que a minha amiga em tempos
referiu! O caricato, no meio de tudo isto, é que eu ia,
precisamente, defender o Primeiro-Ministro, até porque as minhas
intervenções, sejam elas ao nível que for, nunca se materializam
no ataque a pessoas, ou no modo de intervir que pude ver em Luís
Marques Mendes.
Um dado, porém, é certo: aquela de eu ter metido medo a meio País
parece estar ainda em vigor. E por isso volto hoje a escrever uma
frase que em tempos escrevi, embora para chatear quem eu sabia que
a iria ler: os títulos académicos valem o que valem, porque a
inteligência ou se tem ou não se tem. Foi isto mesmo que faltou
aos idiotas daquele dia: inteligência e perspicácia, porque eu
nunca escrevo ou falo como imaginaram. São burritos!
Hélio
Bernardo Lopes
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