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21/MAI/2007
Política/Portugal
Tarde Demais
Foi com alguma admiração que tomei conhecimento da decisão
do Procurador-Geral da República de mandar averiguar o caso do
diploma do actual Primeiro-Ministro, José Sócrates. E foi esta a
minha reacção porque a decisão foi tomada mais de mês e meio
depois de tudo ter tido início. Haverá de convir-se que se trata
de um modo pouco eficaz de atuar num tal cenário, para lá da
realidade que possa estar em jogo.
Tive já a oportunidade, em escrito anterior, de salientar o
meu pensamento sobre este caso, considerando-me cabalmente
esclarecido com a entrevista que José Sócrates concedeu à RTP, nas
pessoas de Maria Flor Pedroso e José Alberto de Carvalho. Ainda
assim, num ou noutro ponto, sobraram dúvidas de menor importância.
Este tema da carreira acadêmica do Primeiro-Ministro parece
ter chegado a um ponto morto ao nível da comunicação social, pelo
que, tendo em conta as lições retiradas da infeliz declaração do
líder do PSD, Luís Marques Mendes, tudo aponta para que a
conclusão do inquérito atrás referido venha a mostrar a realidade
que se percebeu: não deverão existir elementos indiciários de que
tenha havido uma qualquer ilegalidade envolvendo a pessoa de José
Sócrates.
Um caso é certo: tudo o que já havia sido publicado e
referido a este propósito de há muito apontava para a necessidade
de operar a conveniente averiguação ao caso em jogo, até porque se
teriam evitado notícias que acabaram por pôr em causa a legalidade
da referida carreira.
A explicação de Fernando Pinto Monteiro, dada a certo
passo, a cuja luz a averiguação do caso particular de José
Sócrates exigiria algo de idêntico em relação ao António, à Maria
e ao Luís, carecia do mais cabal fundamento, e por esta razão
muito simples: é que o caso nunca se referiu ao António, à Maria
ou ao Luís, mas apenas a José Sócrates.
Um caso que logo me trouxe à memória o falecimento de uma
amiga minha, cuja filha pediu à professora da sua faculdade escusa
para a realização do exame que decorria no dia do funeral, tendo
recebido daquela a resposta de que, a satisfazer um tal pedido,
teria de satisfazer todos os do mesmo tipo! O problema é que, para
lá do caso da jovem, não existiam outros do mesmo tipo!!
O imperativo, judiciário e até político, de averiguar o que
se passou com a carreira acadêmica de José Sócrates esteve sempre
presente desde o início, e só traria vantagens ao próprio
Primeiro-Ministro. Mais: teria até evitado a infeliz declaração de
Luís Marques Mendes. Esta decisão do Procurador-Geral da República
foi, de um modo hoje evidente, uma decisão tardia.
Hélio
Bernardo Lopes
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