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Artigo » José Augusto do Rosário

23/MAI/2007


Reestruturação Consular

O Consulado de Portugal em Santos faz parte de minha história

Estou acompanhando atentamente o desenrolar dos acontecimentos que circundam o processo de extinção do Consulado de Portugal em Santos. Considerando esta terrível possibilidade, não poderia deixar de registrar meu protesto, mais um que seguramente se unirá a tantos outros.


Como podem cogitar extinguir uma instituição secular como é o nosso Consulado? Como podem pensar em acabar com esta casa que deveria ser declarada órgão de utilidade pública para a cidade.


Eu, ainda quando jovem tive a oportunidade de trabalhar nesta instituição, onde muito do que sei hoje ali aprendi. Lembro como me encantava ficar folheando as páginas dos antigos livros de inscrição consular datados dos idos de 1890.


Por três anos convive com a gente que ali trabalhava e que contribuíram em muito para a minha formação, a quem reputo de grande importância em minha vida, e sei que muito devo a eles.

Lembro como se fosse hoje, apesar dos longos 36 anos que nos separam, dos conselhos e lições de dona Olímpia de Paula Conceição, Neusa Boffa, Maria Helena Teixeira, Dona Sonia Urioste Cabral e Dona Marilia Homem de Bittencourt, verdadeiras heroínas apaixonadas por seu trabalho, e que dizer dos exemplos do Dr. José Augusto Martins Ogando dos Santos, meu padrinho e mentor, que na época era o nosso Vice-Cônsul, foi quem me levou pela mão a trabalhar no Consulado. Homem de incrível inteligência e senso de justiça, hoje deixa muitas saudades.

Ali vivi, não só diversas situações da história da comunidade portuguesa de Santos, bem como importantes momentos da História Portugal como a Revolução dos Cravos e o movimento para a independência das colônias portuguesas em África, momentos que trago gravado em minha retina. Neste período, por obra do destino, éramos dois funcionários do Consulado com origem nas colônias, eu de Cabo Verde e o próprio Cônsul da época, Dr. Zózimo Justo da Silva que é de Moçambique. Foram dias difíceis por conta do conflito e que nos colocava em uma situação constrangedora, mas no final tudo ficou bem.

Com a possível extinção do Consulado, não só parte minha história que se vai, mas parte da história da Comunidade luso-santista, e porque não dizer, parte da História da própria cidade de Santos.

Conclamo a todos os nossos patrícios, que sabem da importância da manutenção do Consulado na cidade, para que se manifestem, que protestem, que empunhem a bandeira contra a extinção do nosso Consulado.

 

Pode ser que não consigamos mudar o destino determinado por burocratas que delegam a distância sem conhecer a realidade dos fatos, porém, tenho a certeza de que não sentiremos o gosto amargo do arrependimento de não ter ao menos tentado, seja por um protesto ou seja por uma simples manifestação de solidariedade ao Consulado e a comunidade santista, principal prejudicada neste episódio.


José Augusto do Rosário

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