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Artigo » Ademir Pestana

10/MAI/2006


Baixada Santista
Santos tem áreas para Casas Populares

A conquista pelo Município dos terrenos hoje em posse da CODESP e que atravessam a cidade em longa extensão - hoje cercados e com mato (dengue), alguns cedidos para finalidades diversas - reveste-se de uma rara importância social para Santos e sua gente, face aos inúmeros benefícios que gerará. É este o motivo de abertura que fizemos de um Comissão Especial de Vereadores para tratar do tema, esclarecendo a questão juridicamente e abrindo espaço para construção de casas populares, espaços de que a cidade se ressente.

O pressuposto de legitimidade quanto a posse destas áreas pelo Município, que inclusive já foi arguida pelo Poder Público municipal há cerca de três décadas, é no sentido de que elas foram apenas cedidas para passagem da ferrovia da Docas, enquanto fosse, retornando a Prefeitura após seu uso pelo trenzinho que levava materiais construtivos do porto, que se encerrou há décadas.

A tese vem bem acompanhada: se consubstancia no parecer ilustre do então secretário de Assunto Jurídicos, Luiz Antonio de Oliveira Ribeiro, que junto com historiadores como Francisco Martins dos Santos, o mais importante do Município, a defendeu. Entretanto, apesar desta devolução já ter se caracterizado na interrupção de sua utilização pela Docas, esta não se consagrou. Os movimentos para sua cessão para a cidade pelo Governo Federal junto ao SPU, a que teriam passado sua propriedade como bens da extinta DOCAS, ao final de sua concessão em 1980, não respeitam a legítima posse pelo Município.

As áreas foram cedidas à Docas em 12/01/1889, final do século XIX. A Lei revogando a concessão tem o número 944 e foi assinada pelo então prefeito Rubens Ferreira Martins em 8/4/1948, meados do século XX. E existe a lei de 27/9/1951 no mesmo sentido, assim como o estudo do notável historiador Francisco Martins dos Santos em 1969, que afirma ter sido temporária a cessão das áreas. Estas declarações foram dadas ao jornal "A Tribuna", que as publicou em reportagem no dia 29/6/1986, pelo notável advogado santista Luiz Antonio de Oliveira Ribeiro, que foi secretário de assuntos jurídicos do prefeito nomeado Paulo Gomes Barbosa e cuidou do tema.

O então secretário afirmou, à época, a existência de um Decreto-Lei federal repassando as áreas para o Município. Mas tudo isso é pouco: Se apesar de tudo forem consideradas federais estas terras, que se reivindique como fazemos em nome da autonomia de Santos, que reconquistamos - pois esta é a atitude responsável de quem tem vínculos com a cidade, sua história e seus direitos. Seguimos em frente na defesa de Santos e de sua gente.

 

Ademir Pestana
Vereador em Santos
vereador@ademirpestana.com.br

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